FOI-SE O SENHOR CO’LICENÇA
Quando tomei conhecimento da notícia não acreditei. Disseram-me que o senhor Co’licença tinha partido para o melhor. Fiquei equivocado: mas como! Conhecemo-nos por um curto tempo infelizmente, por causa de textos. Dai, meu corpo ganhou ferrugem de tantos arrepios que sentiu, as minhas mãos pararam de fazer os seus afazeres, lacrimejavam os olhos.
Não é possível! Disse logo, empesguei no meu “Itel”e pôs-me a navegar no Google com auxilio de um remo só para ter mais informação do ocorrido. Compenetrado que talvez as informações que me chegavam naquele momento eram faltas ou “memês”, já que a humanidade está cheio de isso. Cogitei mas deveria me contentar que o impossível torna-se possível. Aquilo era verídico, vi a Carta usar a cor de luto, o pessoal do “facebook” lamentar e mais, disse que um dos seus irmãos, partindo do mano Omardine, já havia confirmado do sucedido, justificando que um padecimento na perna que o vitimou. Hum! Nunca pensei que por uma pequena dor no dedo da mão alguém arruma as botas.
Mas a morte de toda cabeça grande que tem, será que não vê quem deve lhe levar? De tanto sentimento que tem, será que não sente dor? Se não, não congemina que os outros sentem? Ah! Essa não, porque não se leva a se mesma e nos deixa em paz? Porra!
E agora, foi-se o homem audacioso, o homem de falar hoje, o homem sem papas na língua. Muita bagagem de conhecimento que possuía o levou, apenas nos deixou com seus legados lindíssimos de textos e crónicas, aquelas que transbordavam nas redes sociais e na Carta. Ainda, levou sua forma de ser, seu estilo de escrita, seus dotes: “emi-pe-se; Cê-te-a; feicibuki; Pe-ge-er; Etecetera” e mais. Mas o que será de nós quando a cessarmos a Carta ou as redes sociais notarmos que lá o mundo não está pintado com seus magníficos textos? Lembras e saudades!
Autor: Franklim de Manguião
(meu adeus a ilustre Juma Aiuba)
Maputo, Fevereiro de 2021.