Franklim de Manguião estudante e sonhador de ser escritor moçambicano

domingo, 28 de fevereiro de 2021

Foi-se o sehor Co'licença (texto).

FOI-SE O SENHOR CO’LICENÇA

Quando tomei conhecimento da notícia não acreditei. Disseram-me que o senhor Co’licença tinha partido para o melhor. Fiquei equivocado: mas como! Conhecemo-nos por um curto tempo infelizmente, por causa de textos. Dai, meu corpo ganhou ferrugem de tantos arrepios que sentiu, as minhas mãos pararam de fazer os seus afazeres, lacrimejavam os olhos.

Não é possível! Disse logo, empesguei no meu “Itel”e pôs-me a navegar no Google com auxilio de um remo só para ter mais informação do ocorrido. Compenetrado que talvez as informações que me chegavam naquele momento eram faltas ou “memês”, já que a humanidade está cheio de isso. Cogitei mas deveria me contentar que o impossível torna-se possível. Aquilo era verídico, vi a Carta usar a cor de luto, o pessoal do “facebook” lamentar e mais, disse que um dos seus irmãos, partindo do mano Omardine, já havia confirmado do sucedido, justificando que um padecimento na perna que o vitimou. Hum! Nunca pensei que por uma pequena dor no dedo da mão alguém arruma as botas.

Mas a morte de toda cabeça grande que tem, será que não vê quem deve lhe levar? De tanto sentimento que tem, será que não sente dor? Se não, não congemina que os outros sentem? Ah! Essa não, porque não se leva a se mesma e nos deixa em paz? Porra!

E agora, foi-se o homem audacioso, o homem de falar hoje, o homem sem papas na língua. Muita bagagem de conhecimento que possuía o levou, apenas nos deixou com seus legados lindíssimos de textos e crónicas, aquelas que transbordavam nas redes sociais e na Carta. Ainda, levou sua forma de ser, seu estilo de escrita, seus dotes: “emi-pe-se; Cê-te-a; feicibuki; Pe-ge-er; Etecetera” e mais. Mas o que será de nós quando a cessarmos a Carta ou as redes sociais notarmos que lá o mundo não está pintado com seus magníficos textos? Lembras e saudades!

Autor: Franklim de Manguião
(meu adeus a ilustre Juma Aiuba)
Maputo, Fevereiro de 2021.

sábado, 27 de fevereiro de 2021

Eu ainda me lembro

EU AINDA ME LEMBRO

Eu ainda me lembro daquele menino
Que aterrou no mundo nos anos noventa
Filho da tia dona Matilde parecia Gaivota
Trouxe milhares de felicidades feita de hino

Eu ainda me lembro daquele menino
Que logo desmamou não tardou, achou o Sol
Começou a correr nos becos da Costa de sol
Nelas, viu a Lua peregrinar no peregrino

E eu ainda me lembro daquele menino
Hoje vê-lo camalear ao jardim da primavera
Colher as lindíssimas flores que tivera
Feliz aniversário: disse-o, num falar fino.

Autor: Franklim de Manguião
(feliz aniversario Tualufo)
Maputo, 24 de Fevereiro de 2021.

Por que a morte não se leva

POR QUE A MORTE NÃO SE LEVA

Além do salário do pecado que é a morte
É da humanidade uma grande desgraça
Somente pensa e faz aquilo que planeja
Tem sentimentos mas não sente a dor que causa  

Não avisa, não escolhe e somente carrega
Carrega a carrega de que mais amamos
Nos princípios, meio e fim das horas
Deixa-nos na gente agonizados e apavorados

Ah! A morte é mais que má e cruel
Naquele dia nos roubo nossos avôs 
Ontem os nossos pobres tios e então 
Hoje nosso último e único irmão

Leva-nos as tais pessoas e nada diz
Jamais nos mostra as últimas moradias
Para que possamos ir lá falar com eles.
Mas porque a morte não se leva a si mesma?

Autor: Franklim de Manguião
(Adeus Juma Aiuba) Maputo, 24 de fevereiro de 2021

Sem respostas

SEM RESPOSTAS 

Justifica-se o nosso nascimento?
Justifica-se a nossa morte?
Quereríamos ir a fundo para saber
Os enigmas desta vida

É misterioso por tanto nascer
As vezes se vivemos, as vezes se sofremos
As vezes se indagamos: viemos de onde
Onde vamos, por cima de tudo

Há quem fala e duvida das cantigas
Talvez sejam relevantes para consolar
Cantigas famosíssimas que estas são:
- Há vida depois desta vida

Difícil de negar, difícil de aceitar
Estas teorias de reencarnações
Viemos de pó e regressaremos de lá
Outra vida ou voltar a viver mas como?

Autor: Franklim de Manguião e Salvador Zeca
Ano: 2021 (perguntas sem resposta)

Que esse dia.

QUE ESSE DIA

Que esse dia seja diferente e fantástico 
Daqueles que já se foram, dos que virão ao céu
Hoje, todo sorriso de sol e lua somente será seu
Não desatenta para desperdiçá-la, pois é mágico

Ah! Se você nasceu por um propósito, realize 
Se nasceu para amar e completar que assim seja
Se nasceu para realizar um sonho que se faça
E se nasceu para contribuir no mundo, alce

Rogo a Deus que seus anos os acrescente
Pelo menos o triplo dos anos que hoje faz  
Viva a essência da vida decentemente

Pedi para a natureza cantarolar “parabéns a você”
Com a melhor melodia que te satisfaz:
- “Feliz aniversário Kátia”: digo na mercê.

Autor: Franklim de Manguião.
(feliz aniversário mor)
Maputo, 06 de Fevereiro de 2021.

sábado, 13 de fevereiro de 2021

Sou teu São Valentim

SOU TEU SÃO VALENTIM

Já fui padre nos dias que lá se foram
Por ter me apaixonado por ti, deixei
Não me arrependo em nenhum instante
Há mais sentido de vida ao seu lado

Sofri calúnias e eco que mundo carrega 
Há quem diz: foi um erro deixar de ser
Seguir seus encantos, passos e perfume
Mas Deus sabe por quê deu a Eva ao Adão

Presenteou-me a ti para sentir a paz
Experimentar o amor e a companhia
Avultar nosso ninho de semelhantes

Juntos os dias avultam-se de mais vida
Catorze de Fevereiro é dia mais lindo do ano
Em vida, hoje sou o teu são Valentim.

Autor: Ce Cedilha
14 de Fevereiro de 2021-02-14
Maputo-Polana Caniço A