Franklim de Manguião estudante e sonhador de ser escritor moçambicano

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Cantigas de dezembro

CANTIGA DE DEZEMBRO

Foi-se o ano naquela lentidão da noite
Ficam as lembranças grafadas nas memórias
Tudo que um dia foi mais um dia era
Aquele vivido bom, descrepante, maléfico

Querido dois mil e vinte, gente
De muita penúria, gente vai se rememorar
Das tuas máscaras que tanto herdamos
Naquele mês de Janeiro e Março

Máscaras que esconde estes sorrisos
Naquelas gargalhadas lindíssimas do além
Do confinamento que tanto engendreu
Engendrou angústias, fome, mas não filas

Aha! Ainda mais do distanciamento
Que engendrou distância e saudades
Cada segundo do tempo engraçadas as mãos
Mas ficam as saudades gravadas.

Autor: Franklim de Manguião.
(Cantigas de dezembro) Fomento
31 de Dezembro de 2020.

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Saudades do natal daquele tempo

SAUDADES DO NATAL DAQUELE TEMPO

Naqueles tempos, logo nas vésperas do Natal, aquilo de facto era Natal mesmo, tudo estava ajeitado para que nesse tal dia tudo dê certo. Cresci numa zona (Madia-Namarrói) em que as pessoas valorizavam muito mais a natal do que primeiro dia de Janeiro ou simplesmente “Ana Novo”, não sei se justifica-se por ser um lugar onde há muitos seguidores de cristianismo mas mesmo assim havia também os não religiosos que adoravam essa data por significar reconciliação, harmonioso e dia da família – esse “Nhatal”.

Os últimos três meses do ano eram reservados para a preparação da grande festa, os adultos preparavam tudo como Arroz, “Essima”, Galinhas e até fabricavam “Catxasso” que servia de Cervejas nesse tal dia. As pessoas se matavam de tanta ansiedade, organizavam aparelhagens com colunas da minha idade e de tanto tocar chegava “Ocupela”. Os jovens preparavam os “Grifes” – Calças de “Pré-lavadas” e Calções de “Sodja” e até compravam algumas roupas paras as suas Moças e Esposas – aquelas blusas de “Monsera” e capulanas de “Papulina” – àquilo parecia o último dia do mundo.
Ao aproximar o dia do natal, todos caminhos estavam voltadas a minha Zona, os Chapas enchiam de tanta gente que queria passar o dia lá com amigos e famílias e dançar aquelas danças da zona como “Pumpu”, “Cassete” e “Marrimba” – nos gritos de “Owani nwo”. 

Um dia antes do natal, todas as Igrejas ficavam bem engraxas e aromáticas, fazia-se todas preparações. Nas manhas, os jovens iam fazer trabalho de caridade, como encher as Pilhas de água - tarefa das mulheres - enquanto os homens iam nas matas a caça de lenhas que serviriam de alimentar a fogueira toda noite. Depois das tarefas concluídas, passavam ao rio, davam um banho, subia a casa e espera de dar 17 hora para que todos fossem a Igreja assistir a Missa, dramas e tudo aquilo que representava o nascimento de Jesus Cristo, o Príncipe da Paz. Mas há outros que iam com dois objectivos, esses assistia-se o sumiço deles e retorciam ao segundo canto de Galo. Eu e outras crianças ficávamos a ninar e só despertávamos dia seguinte, outras nos colos das mamãs.

No próprio dia o ar enchia-se do som dos aparelhos e outras danças, por causa da diversidade, as pessoas optavam nos locais mais aglomerados por seguirem o ritmo, a doçura do “Catxasso” e “Oteka” e mais, dançava-se dois a dois e bebia-se até alvorecer. Eu e outras crianças ficávamos atrás da comida, do “Sumo Jus” e “Oteka doce” só para fartar a barriga e, papagueávamos nas casas das nossas famílias, ora cá, ora acolá, ora “cocóla”. Abeirávamos um tempo em que já não queríamos a comida e somente devorávamos as carnes. A noite os jovens apoderavam-se da festa e ia-se assim o dia de 25 de Dezembro. Hoje remanesceram as lembranças e foi-se o tempo.

Autor: Franklim de Manguião
As lembranças do natal in textos dedicados a minha terra.
24 de Dezembro de 2020. 

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

Guardo espaço dentro de mim


GUARDO ESPAÇO DENTRO DE MIM

Guardo espaço dentro de mim felizmente
Desta sua história que também é a minha
Geraste aos meus pais também a mim, rainha
Nesta terra belíssimas e de pasmo gente

Esse espaço que guardo em mim
Jamais desaparecerá, pois para mim
És carimbo feita para autenticação
Autenticaste a vida que carrego a cada acção

Deu ensinamentos aos meus pais
Que cuidassem de mim no meu puerícia
Cuidaste de mim na ausência deles e mais

Minhas meditações se espelha a te avó
É contigo que aprendi alguma carícia
Mil vezes carregarei este espaço onde vou.

Autor: Franklim de Manguião
[Arame ferrujado]
Maputo 07 de Dezembro de 2020

Desabafo de um idoso

DESABAFO DE UM IDOSO

Viveria na Europa talvez se eu pudesse
Por ser um lugar que talvez nos valorizam
Angustia-me viver desprezo e tristeza que alisam
Neste deixado até dia do manto que destinasse

Viveria nas Américas talvez se eu pudesse
Talvez por ser onde gente como nós valorizam
Da idade que tenho capacidades se vazam
De cuidados talvez não me faltasse

Fui-me condenado nesta condenação
Quereria ter companhia de mais gente
Sorrir, fazer tudo nesse vaivém da vida quente
Mas apenas o catre me acompanha nessa solidão.

Autor: Franklim de Manguião
[Arame ferrujado]
Maputo 07 de Dezembro de 2020








O tempo desejado

O TEMPO DESEJADO

Fazer-me-ei de parvo e darei-te o tempo
Tempo que tanto e tanto quisestes
Digo tristemente que faças bom uso dela
Porque há que esperar as consequências

Sempre quis te dar mas e consequências
Delas tenho medo, medo este que apavora
Tenho medo de ti perder durante o tempo
Tenho medo voltar para lá ou seguir outro rumo

Há coisas que forcasosamente fazemos
Há coisas que o tempo solucionar não consegue
Espero que este não seja o nosso caso

Espero que ele resolva nossos problemas
Mostre-lhe que o seu lugar é sempre comigo
No amor, em mim tu estás em primeiro lugar

Autor: Ce Cedilha
[As nossas brigas] Maputo 9 de Setembro de 2020.

O meu maior medo

MEU MAIOR MEDO

Meu maior medo sente coração coitado
Olhos por um pouco lacrimejam
Até se podem ouvir os ouvidos ouvem
E a cabeça pensa e o corpo fica arrepiado

Não quero um dia aquecer o sol sozinho
Sozinho não quero sentir o frio dos invernos
Nem caminhar nos caminhos que adejamos
Tão só e sem saber com quem está medo tenho

Não quero que torces nas ironias do mundo
De tão apegado encontro felicidade em te, amada
Mas não quero não achar ela se estiver amargurado

Não quero que um dia se te chamar
O silêncio roncando me responda
O meu maior medo é te perder

Autor: Ce Cedilha
[Quem avisa amigo é]
Maputo, 23 de Novembro de 2020

Não sou perfeito


NÃO SOU PERFEITO

Eu não sou perfeito e nem conheço nenhuma
Alguém patético e tão descuidado
Alguém que desleixa tudo que lhe pertence
Alguém que não controla no mínimo seu amor

Eu não sou perfeito mas sou imperfeito
Cuido de tudo o que é meu no mínimo
Daí encontro a minha responsabilidade
Nisso se esconde os meus pobres ciúmes

Cresci aprendendo do quão importante
Ser nos cuidados das coisas nos pertencem
Embora que tudo cuidado é pouco
Mas mil vezes cuidar pouco que não cuidar

Eu não sou perfeito, tão cimento sou
Em todos lugares que estás só penso
Penso na lista telefónica se não costa um
E mais quero-te toda para meu mundo.

Autor: Ce Cedilha
[O impossível pode se tornar possível]
Maputo, 23 de Novembro de 2020.

Quero te ver mais (2)

QUERO TE VER MAIS (2)

Aquele encontro não sucedeu por acaso
Se caso foi um sonho, não foi o desejado
Foi real realmente e nós tínhamos atestado 
Então quero te ver mais e não no reflexo

Mesmo local ver mais aquele vestir-se
Dissipar-me até do tempo caminhado
No teu humilde rosto ver o sorriso escondido
O tagarelar da boca, seu estilo ímpar de mover-se 

Quero que findemos o princípio deste anzol 
Façamos cintilante plano subsequente
Sentarmo-nos na encruzilhada e procurar onde nasce o sol

E quando a obscuridade tomar os Céus
Quero te acompanhar delicadamente
Nas despedidas ouvir corações a dizerem adeus.

Autor: Franklim de Manguião
[ a vintinha da winn  em quer te ver mais] Maputo.

Condão da Zambézia


CONDÃO DA ZAMBÉZIA

Estonteante, afectuosa e amável terra
Terra de gente hospitaleira, gente organizado
Homens e mulheres nos corações a ética mora 
Diversidade cultural rica e língua mas agregado 

É cá onde banha Zambeze, Lincungo e Marginal 
No bafo dos ventos alísios faz frio ou calor
Habita a Zalala, o Namúli e vê-se do sol seu pôr
Soalho coberto a branco, preto e vermelho ao matinal 

Cá se delicia camarão, caranguejo, a gazela
O arroz, batata-doce, inhames e os frescos feijões
As doces ananases e mangas de Nicoadala

Mais, delicia-se a surra, a copra do coqueiro
O Chá inigualável do Guruè que rompe divisões
E as doçuras das laranjas de Munamuduro.

Autor: Franklim de Manguião.
(As qualidades Zambezianas)

Sabia que ou não sabia


SABIAS QUE OU NÃO SABIA

Ornamentamos o mundo por isso é belíssimo
A lua existe para completar ao sossego do sol
Assim como você existe para me completar

De tanta tristeza nossos corações entristecem
Distantes, os nossos caminhos terão lombas
Sabe, somente tu existe porque eu já existia

Olha o céu, quão azul é dos seus lindos olhos
Escute o silêncio minha voz chamar-te Kátia
Mor Frank cá estou, seu coração responderá

E mais, se as vezes pensar que estás solitária
Não se preocupe pois estarei bem contigo
Naquela brisa que o ar transporta, é só sentir. 

Autor: Ce Cedilha
[Talvez não sou perfeito]
Maputo, 16 de Novembro de 2020

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Citações II

CITAÇÕES

1. Quando a distância se faz sentir o espaço é tomado.
2. Ver uma mulher envelhecer nos braços de um homem é a coisa mais romântica que existe no mundo.

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Foi-se a inspiração

FOI-SE A INSPIRAÇÃO

Fui deus dos trovadores nos versos
Amar-te sem te possuir foi o intuito 
Inspirava-me sua forma de ser gratuito
Teu coração ocioso, olhos luminosos

Milhões  de rascunhos compus
Na obra “ poemas dedicadas a ela”
Somente o silêncio leu segredos meus
Calou-se da Paquera o ritmo da fala

Amo-te, mor: apenas ouvirás pois é estático 
Perfaçamos o amor, deixemos teorias a sois
Tão bom é o amor quando é prático

Ah! Se as saudades da Paquera maçar de dor
Peça para consultar a obra, de mim pois
Foi-se a inspiração e ficou o seu amor.

Autor: Franklim de Manguião
[Foi-se  a inspiração mesmo]
Maputo, 11 de Novembro de 2020

domingo, 8 de novembro de 2020

Queimadas descontroladas (ensaio)

QUEIMADA DESCONTROLADA: UM FACTOR PREJUDICIAL A POPULAÇÃO E AO DESENVOLVIMENTO LOCAL

As queimadas descontroladas no caso Moçambique tem sido uma preocupação gigantesca que até de certa forma alimenta imensos debates. Entende-se por Queimadas descontroladas um tipo de actividade que envolve o uso de fogo sem controlo sobre qualquer forma de vegetação. Entretanto, sabe-se muito bem que mais de 90% dos incêndios florestais em Moçambique são causados pela força humana, isto é, uma prática consumada pela população local. 

Segundo o projecto de Competências Técnicas para o Emprego em Moçambique (CTEM) defende que estima-se que entre 6 a 10 milhões de hectares de florestas são queimadas anualmente a nível nacional. Adicionalmente, muita praticas desta natureza tem acontecido principalmente nas épocas de verão em que muitas áreas extensas e árvores são devastadas pelo fogo. Uma Agência de noticiosa Alemã, conhecida como DW em 2018 anunciava que no ano passado as queimadas descontroladas destruíram 10.000 hectares de florestas na província de Sofala, província de Inhambane e igual número considerável na província da Zambézia.

Tais praticas, além de aumento de zonas habitadas pelo homem, também são motivadas por fins agro-pecuárias por um lado, como exemplo concreto, a população por possuir áreas extensas para cultivo e por incapacidade de força de cultivo opta por queimar como forma de facilitar o processo ou mesmo para a prática da caça furtiva e isso faz com que devaste várias áreas florestais provocando prejuízos. E por outro lado, por fins económicos, por exemplo o desmatamento ou abate das árvores, como referenciava no ano de 2015 a DW também informava que os ambientalistas consideravam que 40 mil hectares estavam a desaparecer nos distritos de Nicoadala, Namacurra e Mocuba por causa de fabrico de carvão vegetal como sendo uma alternativa rentável para jovens e adultos desempregados, como estudo feito na província da Zambézia em particular.

No entanto, as florestas constituem um tesouro enorme para as comunidades locais – de modo específico - sendo um lugar onde se pode praticar actividades sustentáveis a população, isso implica dizer que a não valorização e conservação pode acarretar consequências nefastas que pode serem notáveis ao andar do tempo. Numa outra perspectiva, a CTEM considera que as queimadas descontroladas são fontes de emissão de gases que contribuem para as mudanças climáticas global e degradação dos recursos naturais. Portanto, a falta de chuva origina um fenómeno de seca prologada que pode provocar perca de área de cultivo (campos agrícolas), pastagem de Gado ou mesmo o fenómeno de fome. Pode também provocar o empobrecimento do solo, perecimento de várias zonas de conservação da biodiversidade (Florestas e Faunas) que são grandes zonas de concentração turísticas e arrecadação de fundos para o desenvolvimento local assim como do país.

Autor: Franklim de Manguião
[Queimadas descontroladas in textos expositivos argumentativos]
Maputo, aos 08 de Novembro de 2020.

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Egoísmo moral em A. Schopenhauer (Ensaio).

EGOÍSMO MORAL EM ARTHUR SCHOPENHAUER

Há sempre pessoas que pensam que a virtude – fazer o bem - é algo que se aprende numa instituição de ensino, e que deve-se ensinar as crianças a serem virtuosos, mas se formos a fazer uma análise crítica podemos chegar a conclusão que essas pessoas podem estar enganadas. Na verdade, ninguém ensina alguém a ser virtuoso, a virtude é algo estéril, ou seja algo que não se ensina, como afirma Schopenhaeur que "esperar que os nossos sistemas de moral e as nossas éticas possam tornar os homens virtuosos, nobres e santos, é tão insensato como imaginar que os nossos tratados sobre estética possam produzir poetas, escultores, pintores e músicos" (SCHOPENHAUER, 20--?: 41). Entretanto, ser ou fazer algo virtuoso é coisa espontânea que vem no interior da pessoa, até um certo ponto as nossas acções fundamentam as nossas escolhas.

O egoísmo sendo uma teoria da ética (normativa), defende que o indivíduo age ou pratica as suas acções em benefício de si próprio ignorando de certa forma os benefícios de outrem. Arthur Schopernheur entende que "o egoísmo é uma maneira que o homem quer o seu próprio bem (não tem limite)"(idem), com isso nos remete afirmar que por natureza o ser humano é um ser egoísta, já que cada um deseja ou almeja o seu bem que por certo ponto pode ser a felicidade. Adicionalmente, ele – como entende nosso autor – é que nem uma mascara que serve para esconder uma parte da nossa timidez. Quando pedimos algo a alguém – como exemplifica o nosso autor – sempre a nossa primeira intenção é entender se a tal coisa da pessoa pode nos servir, se não pode nos servir então não tem nenhuma utilidade e daí acabamos descartando. Até, isso também acontecem quando pedimos um conselho a alguém, acabamos perdendo a confiança se pensarmos a intenção que ele tem connosco ao nos dar a sua opinião (que é de tirar um proveito de nós), por isso a sua opinião não reflectimos ou analisamos com base na razão mas sim com base as intenções.

No entanto, a felicidade absoluta é chave fundamental que motiva o indivíduo a ser egoísta. Assim considera: “tudo para mim, nada para outros” (cfr. Idem: 42). Ele procura se desenvolver, considera-se o centro do mundo – é que nem um imperador ou um deus - abomina tudo que tenta lhe dificultar e, até e capaz de envidar esforços para que de modo nenhuma coisa não danifique este todo procedimento.

Autor: Franklim de Manguião

Fonte:
SCHOPENHAUER, Arthur. (20--?). Dores do mundo. Brasil, Ouro.
 

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

A piedade como fundamento de toda moralidade em A. Schopenhauer (Ensaio)


A PIEDADE COMO FUNDAMENTO DE TODA A MORALIDADE EM ARTHUR SCHOPENHAEUR

Quando se trata de juízos de valor, logo nos aparece o ser humano porque estão ajuntados a eles, pois é impassível tratar destes assuntos sem incluir o homem por ser alguém racional e social. Sempre tentamos classificar e analisar o porque daquela acção que por aventura alguém pode praticar, se é por egoísmo, liberdade, maldade, piedade e mais. Como objecto deste artigo trataremos da piedade.

Schopenhauer defende que “a compaixão ou piedade é a própria essência do amor e da solidariedade entre os homens, porque amor e solidariedade explicam-se somente a partir do carácter essencialmente doloroso da vida” (SCHOPENHAEUR apud ABBAGNANO, 2007:166). Entretanto, é preciso que se esclareça esses dois termos, a Compaixão é um sentimento (simpatia) que se tem com alguém por padecer de miséria ou sofrimento e que nós temos a capacidade de ajudar enquanto a Piedade significa sentir sentimento de pena ou tristeza que se tem depois de vSCHOPENHAUERna miséria ou sofrimento sem a capacidade de ajudá-lo.  

Ilustra nosso autor que “o ente que não conhece a piedade está fora da humanidade” (SCHOPENHAUER, 20--?:43), em outras palavras, entende-se que aquele não possui a piedade é visto como alguém diferente do homem, alguém cruel, insensato. Ademais, a piedade é intrínseco ao homem, ou seja, é uma atitude que caracteriza homens pelo seu sentimentalismo e toda. Ela não depende de instruções (região, dogmas, educação, cultura) para se ter, pois ela é algo espontânea e natural e existem em todos os homens.

Quando travamos conhecimento com um homem […] o que nos levaria a reconhecer-lhe a maldade das intenções, a escassez da razão, a falsidade dos raciocínios, e só nos despertaria desprezo e aversão: consideremos antes os seus sofrimentos, misérias, angustias, dores e assim sentiremos quanto ele nos toca de perto; é então que despertará a nossa simpatia e que no lugar de ódio e de desprezo, experimentaremos por ele essa piedade. (ibidem 44)

Entretanto, é possível medir a nossa capacidade de piedade, desde que analisemos como nos comportamos ou sentimos quando estamos perante alguém angustiado, miserável ou sofrendo. Para nosso autor a piedade é o fundamento de toda moralidade, pois ela serve como uma justificativa para as nossas acções e, sendo assim ela deve ser expandida por todos seres, incluído os animais porque os eles também merecem a bondade, pois quem assim ignora é visto como um não piedoso, não ser humano e um ser cruel. “Uma piedade sem limites para com todos os seres vivos, é o penhor mais firme e seguro do procedimento moral” (idem) e isso constitui a base e o fundamento da nossa moralidade.

Autor: Franklim de Manguião.

Referência bibliográfica
SCHOPENHAUER, Arthur. (20--?). Dores do mundo. Brasil, Ouro.
ABBAGNANO, Nicola. (2007). Dicionário de Filosofia. São Paulo, Martins Fontes.

sábado, 17 de outubro de 2020

Cevada amizade.

CEVAD’AMIZADE 

Cevada é amizades que usufruímos
Somos felizardos, abençoados na mente 
Lugares diversos que sobreviemos, estamos cá
Pois há coisas que nos unem tanto

Somos irmãos de pais descoincidente
Contente, agregados, ditosos e inseparáveis
Este caminho proposto, juntos trilhamos 
Auxiliamo-nos, os afazeres nos agregam

Cá vivemos transportando a vida de jovens
Tempos livres os planos trançados estão
Deambulamos até ao por do sol, fazemos Baús
Seguinte dia saudamo-nos com um bom dia.

Autor: Franklim de Manguião
(eu e meus amigos) Maputo 17 de Outubro de 2020.

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

O menino Capura (texto).

O MENINO CAPURA

Naquela aldeia de Madia, morava um menino de nome Capura. Era humilde, obediente, brincalhão e por cima de tudo bem-educado. Ele era o mais velho dos três irmãos que tinha e que se chamavam Vick, Maurício e Fátima. Capura nasceu, cresceu numa família tradicional e foi educado por seus pais. A sua mãe era uma camponesa e seu pai também e um batalhador que sempre se preocupava com a sua família. O menino também era trabalhador, sempre foi enamorado pela escola. Nos dias laborais frequentava a escola, outras ocasiões ajuda a sua mãe nos trabalhos da casa e a Machamba.

“Muanaka, nmussuele ehipa ni caneta, oholo konssuwanheya”: Capura cresceu ouvido sua mãe proferir sempre essa frase. Todos dias despertavam no terceiro canto do Galo, pegava na Sacola Plástico contento lá os livros, assentava no ombro e de outro lado a enxada e iam a Machamba ajudar a sua mãe e assim que dá-se 9 horas, despedia-se dela, descia ao rio tomava banho depois subia a mastigava uma mandioca ao caminho e ia a escola e, sempre assim fazia.

A mãe do menino, sempre uma boa educação não lhe faltava para transmitir ao filho. Quando estavam assentados em casa nos momentos exactos, Capura era ensinado os bons valores morais, como por exemplo: respeitar os mais velhos, cumprimenta-los, não furtar coisas alheias, não brigar e até quando tivesse uma coisa de comer não poderia comer sozinho, era preciso compartilhar com os irmãos. 

O menino vivia numa zona de Erruma e caminhava para a zona de Madia, onde se localiza até hoje a escola. Por causa da distância longa que percorria da casa a escola, ficava fatigado, as vezes era coagido a ficar na casa da sua avó Fátima e ficava tempo que tencionava, já que morava perto da escola.

Bem que fosse a escola, por cansaço da distância optava pela casa do avó para repousar. Sempre os avôs gostam de todos netos desde que não lhes faltem com respeito, com Capura era o mesmo, os dois se simpatizavam. Ele quando chegava na casa da sua avó era muito afagado e se sentia mais que na sua própria casa, por sorte muitas vezes acertava qualquer coisa e por mais que fosse pequena enfiava nos bolsos e tinha que compartilhar em casa com meus irmãos.

Um belo dia, por sinal era verão, o menino ao sair da escola passa a casa da avó e por sorte deparou-se com uma carne saborosíssima de Porco que a sua avó comprara. O menino quando chegou, cumprimentou e ficou a se divertir, na hora da refeição foi chamada e serviram-no de comer, mas ele comia vagarosamente, fitando os demais e rezava que todos comessem e saíssem daquele lugar para que ficasse sozinho - aquilo lhe servia de estratégias - assim aconteceu. Aos poucos pegou uma parte da carne colocou numa folha e enfiou no bolso e foi a correr para casa. Quando chegou a casa intrometeu-se dentro para deixar os livros e foi logo onde estava a mãe para dar a carne para dividir para os outros irmãos. Os irmãos pareciam devorar a mão de tanta doçura da carne e a mãe sorria do orgulho dele por ter acatado os ensinamentos dela.

Autor: Franklim de Manguião

[A Educação da minha infância in textos dedicados a minha terra] Maputo 05 de Outubro de 2020.
NB: imagem real e direitos do autor reservados.

Mini-Dicionário

*Muanaka, nmussuele ehipa e ni caneta, oholo konssuwanheya=filho, estude e também conheça a enxada porque não se sabe do futuro.

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Ser mulher

SER MULHER

Ser mulher é colocar-se no lugar nobilita
É ser verídica, crescida, cuidadosa e valorizar-se
Sabe que já é o momento autêntico, respeitar-se
Carácter, dádiva de Deus disso sabe e desvenda

Retém beleza corporal sem transmutar no “Boate”
Dificilmente propaga lágrimas a ninguém 
Realmente não se outorga a homens de vaivém
Elege um da sua vida e o enaltece duravelmente

De ser feliz, procura soluções das suas dificuldades
Nem roupas de marcas, moda são coisas passageiras
O futuro recompensará tudo: assim acredita a miras 
Rabisca propósitos, não assarapanta só maturidades

Sabe que corpo não se vende a leilão
Conquista tudo de negócios, suor e esforço 
Sabe que estudo é único trilho para o sucesso
Que leva lugares longínquos até então.

Autores: Quinérica Pelembe e Ce Cedilha.

sábado, 12 de setembro de 2020

O sonho dos pequenos escritores em Moçambique (texto)

REFLEXÃO: O SONHO DOS PEQUENOS ESCRITORES EM MOÇAMBIQUE
 
Moçambique tem vindo a ser um pólo cultural e com ratificação a nível internacional por causa da sua diversidade cultural nos campos da arte como: arquitectura, pintura, música e literatura. Ademais, há que citar aqui alguns nomes que constituem ícones como: Malagantana, José Craveirinha, Mia couto, Paulina Chiziane e mais representam-no na diáspora.

É de admirar o espírito artístico e de criatividade que Moçambique frui. Adicionalmente, a maior dos jovens possuem talentos cintilantes mas tem sido pouco feito em termo de políticas por parte do ministério que tutela para valorizar esses talentos. No entanto, há que considerar como um desperdício notável.

Abordando fundamentalmente a parte literária, de uma forma particular por constituir o motivo desse artigo,  é triste que um pequeno escritor ou autores vive neste país, por falta de apoios e ponderação por partes daqueles são competentes da área. Muitos são enlevados e possuem textos bem elaborados ou melhores mas por falta de oportunidades de como publicá-los acabam putrefazendo na gaveta. A escritora Paulina Chiziane, no jornal O País, afirmava que “ A questão do livro em Moçambique é muito seria… produzimos produto cultural, mas quem é o editor ou o livreiro?,” isso mostra quão é difícil quando se trata de lançamento de um livro. A maioria dos ícones da literatura os seus livros são editadas com editoras de fora, e constitui um lamento que muitos livros moçambicanos serem editados fora do mesmo. Estamos a caminhar sem saber até quando deixaremos de exportar nossa própria matéria-prima para ser transformada no exterior e ser-nos vendida a altos preços.

A maioria de pequenos escritores ficam sem saber que existem editoras em Moçambique, se sabem, não sabem quantas existem, não sabem como funcionam, para se ser mais claros não sabem quanto custa a edição e publicação de uma livro pelo menos literário de 20 páginas - que triste. Parece que elas ficam a espera que os interessados vão até a elas interrogarem. Questiona-se o porquê do silêncio das editoras em Moçambique. Entretanto, temos visto nos países como Angola, Brasil, Portugal etc a fazerem publicidade das suas editoras, muito mais quando se trata de buscar novos talentos. Elas fazem de várias maneiras: pode ser através de publicações de editais para antologias onde qualquer autor do país ou fora pode participar independentemente da posição social ou condições financeiras, ou seja, é tudo grátis. Por outra, se um escritor ou autor não tem condições de publicar os seus textos é auxiliado no sentido dele trabalhar com a editora, recolhe-se os textos produz-se a obra, edita-se e faz se tudo, as duas partes fazem a promoção e venda e no fim pode ser que o escritor ganhe pouco mas coisa fica bem concretizada - ter pelo menos um livro publicado, que é sonho de muitos escritores pequenos. Em Moçambique isso está longe de suceder, talvez na arte musical tem se notado o contrário onde os pequenos músicos têm sido promovidos, mas aflige ver um menino de 10 anos do Brasil com livros publicados e um jovem moçambicano não.  

O que está por detrás de Moçambique para que os sonhos de pequenos escritores estejam a desmoronar? Talvez para publicar um livro em Moçambique deve ser filho ou sobrinho de escritor. Talvez para publicar um livro em Moçambique deve ser milagre, é assim que muitos jovens cogitam e desprezam a área da literatura. 

Quem publica livro em Moçambique é alguém com bem condições finaceiras. Portanto, os sem condições continuem a escrever enquanto esperamos talvez milagre, se não então a nossa editora será a “facebook” ou redes sociais e tudo será como diversão que gemido. 

Autor: Franklim de Manguião
[Uma reflexão sobre o sonho dos pequenos escritores em Moçambique in artigos de Opinião] Maputo 11 de Setembro de 2020.

Amor tem lágrimas

AMOR TEM LÁGRIMAS

Há uma vontade de cantar a gritos
A gente coberto de paredes por dolênciar
Por algo jamais divisaremos até a morte abeirar
Somente e tanto sentimos por sentimentos

A toa não é, Camões compôs o poema da dor
Pois “a dor que desatina sem doer” agoniza
Acarreta  lágrimas que banham rosto mesmo do Alteza
O tempo faz o coração e faringe de detentor  

A culpa tem sido do causador que causa dor
A gente ama sem pensar nas consequências
E a invasão resulta, somente são lágrimas sem cor

O grito produz sonância jamais ninguém escutou
Perde-se estilo, perde-se rumo, perde-se existências
Quem nunca chorou de amor ainda não amou.

Autor: Ce Cedilha.
(quem nunca chorou de amor ainda não amou)
Maputo S. Dâmaso, 10 de Setembro de 2020.

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Não vamos te esquecer

NÃO VAMOS TE ESQUECER

Por tudo que fez não vamos te esquecer 
Sobre bem deste Moçambique que hoje residimos
Quis sucumbir a opressão e semear Paz que queríamos
Usufruímos devaneios seus que estão a engrandecer

Por tudo que fez não vamos te esquecer
Deu a sua vida para o bem desta nação
Do sentimentalismo da vida que a fez de lição
Por justa causa soltou escritório para combater 

Por tudo que fez não vamos te esquecer
Arquitectou esta nação com suas aspirações
Mostrou ser possível disputar e  bem vencer

Vão-se os tempos, não na memória de Moçambique
Jovens espelham-se nas suas acções
E seu mandamento: Lutar por Moçambique.

Autor: Franklim de Manguião
[Centenário de Eduardo Mondlane] Maputo

Pensar no Moçambique

PENSAR NO MOÇAMBIQUE

É pensar naquele que nasceu na década de vinte
Naquela pequena humilde vila de Manjagaze
Como um jovem qualquer mas com incumbência
Esta incumbência que quão cedo o desvendou

É pensar naquele que passou obstáculo, vexações
De Ciganas que larapiavam os bens da nossa terra
Com carisma, uniu forcas e tribos para libertá-lo
Deram a vida pela Paz e pegaram as armas

É pensar naquele que sonhou com Moçambique
Naquele que deu tudo e morreu combatendo
Resguardou, erigiu com garra, sangue e suor
Pensar no Moçambique é pensar no Mondlane. 

Autor: Franklim de Manguião

Mas como assim (texto)

MAS COMO ASSIM

Estava naquele lugar, tudo diferente. Admirava as belas paisagens que havia, parecia não ser lugar que um dia fez parte do meu mundo, percorrido na infância fazendo daquelas recreações gravadas nas memórias para sempre. Admirei, tudo mudou de dia para dia, nem se quer Becos, todas casas electrizadas, estradas de asfalto, boas Pontecas, água potável, não havia mata, tudo melhor, e a única coisa que restava é a essência.

Recordo-me ao chegar ser bem acolhido, os sorrisos de gentes estavam expostos ao céu, senti, passava tempo que jamais voltara, até os pássaros cantavam boas vindas. Fui servido aquela comida local como de sempre quando alguém chega: Arroz da Machamba acompanhado com Galinha a “Cafreal”, outra refeição “Xima” acompanhada com carril de “Mutxorró”, assim fui dito com minha sobrinha nas escondidas, os bolsos transbordavam “Muarrigó”, de outro lado a tia assava Amendoim e Castanhas para depois daquela refeição.

Saí para dar voltas e senti-me tão só porque os meus amigos da infância eram pais e responsáveis, “o tempo passa mesmo e as coisas mudam”- dizia isso ao caminhar naqueles caminhos que somente aos poucos me lembrava. O tempo, lembro-me ter saído a casa da minha avó no Madia, mas antes passei naquele caminho da Igreja com dois fins: ver a mesma e passar na casa da Madalena.

Bem que comecei a marcha, tudo estava discrepante naquele caminho. A Igreja que deixava em construção parecia não ser construída com blocos de areia queimados, sem dizer do reboco que foi feita parecia uma “Igreja Romana” edificada por “Alexandre Magno”, calei a boca. E mais, passei na casa da Madalena, a moça que eu sempre admirei na minha infância, deparei-me sentada na esteira servil com duas crianças e um jovem por sinal a almoçarem. Quis saber quem era aquele, disseram-me que era o marido. Coração malhou a ponto de sair de lugar e disse no interior de mim: mas, mas como assim…e despertei.

Autor: Franklim de Manguião.
[A força de sonhar 02 de Agosto de 2020 – Maputo].

Mini-vocabulário:

1. Mutxorró= Rato da machamba/campo;
2. Muarrigó = arroz torrado;
3. Madia = zona que pertence ao distrito de Namarrói (terra natal)
4. Cafreal = Galinha local.

Amor daquele tempo (texto).

AMOR DAQUELE TEMPO

Tivemos privilégio de passar a pubescência numa zona (Madia) do distrito (Namarrói) que fomos nascidos. Enquanto meninos, víamos tudo que jovens daquele tempo faziam.

Vivemos num tempo em que os Moços caçavam-se para um namoro nos lugares como: nas festas, nos aparelhos, no Pumpu, nos mercados de feira (como Wa Kikulele). Eles saiam para lugares de danças nas noites, enquanto os Putos (como nós) dormíamos, quando lá chegavam, havia cisão de géneros - espaço de Moços e outro de Moças. Há que lembrar que era um tempo que, se o Moço gostava duma Moça, para conquistar era preciso existir uma pessoa de confiança que servia de intermediária. Ademais, as amigas da tal Moça era uma óptima escolha já que se conheciam profundamente entre Moças e contavam-se segredos, mas quando era o amigo do amigo tinha que ter uma boa confiança.

O relacionamento era verdadeiro, depois da aceitação, não havia traições, não havia mentiras e tudo parecia um juramento. Na acção da relação, o homem era pedido que comprasse um Laço colossal que na altura custava 20 á 25 meticais que serviria para atar produtos alimentares para entregar o namorado naqueles momentos marcantes. Amendoim, Castanhas, “Mugoddho”, Bananas, Abacate, feijões, uffa! Coisas românticas. Se a Moça estivesse atarefada mandava uma criança de confiança para fazer a entrega. Entretanto, o Moço depois de retirar o produto que continha no Laço colocava 10 ou 20 meticais para entregar a moça como gentileza - no tempo em que dinheiro tinha peso. Portanto, os jovens daquele tempo namoravam de verdade.
 
Durava pouco para os parentes dos Moços saberem da relação. Bem que sabiam, a Moça era obrigada a fazer uma pequena apresentação do Moço mas não propriamente dita, somente para saberem que a filha namorava filho de Fulano x ou y e, os pais do Moço faziam o mesmo. Depois disto, parecia uma liberdade para todos, a Moça se despedia e ia na casa do namorado e, quando chegava lá coadjuvava a sua “mbua muana” em todas tarefas como: pilar “Magagadhas”, cartar água e cozinhar. Por outra, o Moço quando chegava na casa de “Moya” as suas tarefas eram: construir copas, celeiros, cortar lenhas e todas aquelas tarefas que os homens podem fazer.

O amor daquele tempo era verdadeiro, os protagonistas não se olhavam a cara, os bolsos e agora se entende que o mundo já não é aquele do meu tempo. 

Autor: Franklim de Manguião
[O amor daquele tempo in textos para minha terra (Madia)] 29 de Agosto de 2020-Maputo

Mini- dicionário Deste modo, todo aquele que realmente pensa por si é como um monarca — sua posição é absoluta, não
reconhece ninguém acima de si.

1. Wa Kikulele= mercado de feira que só abre nos Domingos;
2. Mugoddo= bolo feito de farrinha de arroz;
3. Mbua muana= sogra; Moya= sogro;
4. Magagadha= mandioca seca;
5. Pumpu= dança tradicional.

sábado, 22 de agosto de 2020

Coisas da nossa terra

COISAS DA NOSSA TERRA

Contar-te-ei que nossa terra “anima mbuana”
Essa terra de Nhagómbo, Totwe e Pende
Nas suas valas têm Mukadxe e Maddhowe
Ah! Há que gosta de Cabanga ou Surra

Terra de gente boa, Bons Sinais 
Terra que se locomove a pés ou Táxi Bicicleta à Zalala  
Músicas nossas são de Suraj, Constâncio e Bokly  
Também Tudor, Mr Conselho e Diokwest 

Nós gostámos jogar Mugundho, Bola e Bilós
Jogamos Mata-mata, jogamos Nharingó
Gostamos de “Txilar” e mais de “Baús”
Quem é de lá ou se abeirou um dia não vacila

Saímos a caçar Pitas nos becos dos Bairros 
Ora no Sampene, ora Sangariveira, ora Cololo 
Ora Sant`Agua, ora Samugue, ora Micajune
Hora “H” estamos com Pitas no Jardim da Vila-pita.

Autor: Franklim de Manguião
[Celebrando o dia da Cidade de Quelimane] Maputo 21 de Agosto de 2020.

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Beira

NOSSA BEIRA, NOSSA HISTÓRIA

Nossa Beira, nossa cidade
Fazemos parte sua história até conturba
Que só hoje é celebrada desde 1907

Nos primórdios data a sua bela história
Das sociedades primitivas a Era imperial
Até séculos que hoje nos achamos

És tu a terra do grande Chiveve
Terra da cultura, dos Senas e Ndaus
Há quem te lembra pelo teu Porto

Somos beirenses longínquas
Também aquele que conhece teus Becos
Manga, Ponta Gêa ou Munhava.

Autor: Franklim de Manguião.
[Celebrando o dia da Cidade da Beira] Maputo 20 de Agosto de 2020.

sábado, 1 de agosto de 2020

Sempre seremos amigos

SEMPRE SEREMOS AMIGOS

O que vier a acontecer nem pouco importa
Nestas nossas e quão humildes caminhadas
Trilhamos mesmos caminhos nas caladas
Até que estejamos caducos ou nos aparta

Mesmo que entre nós mas entre nós
Tão pobre que seja um, outro bilionário
Milionário, nossa amizade tão nobre é 
Nossas diferenças sociais não importaram

Sabemos que a vida mostra nossas diferenças
Até pode mostrar nosso pobre egoísmos
Neste mundo, todos possuímos essas coisas 
Mas a mesma, mostra que uno somos 

Somos dois, cavalgando na mesma direcção
Por distância, podemos cavalgar direcções diferentes
Mas não nos preocupemos, são missões galopantes  
Pois nos reencontraremos e mesmo na imaginação

Esta vida, tão arquitectámos juntos
Nestes bairros de lata gracejamos, vivemos juntos
Jamais me esqueça amigo, jamais te esquecerei
Mesmo que sofra de amnésia teu rosto lembrarei

Autores: Salvador Zeca ft Ce Cedilha.
Seremos amigos para sempre  (Zambézia a Maputo, 1 de Agosto de 2020).

Esse dom de escutar

ESSE DOM DE ESCUTAR

Meramente nós ali no sossego a abafar
Aquilo que estómato não diz tenho que escutar
Confabulações sãs de felicidade do altar
Lindinha, tenho esse dom de escutar

Dizer que tenho dom de Lucas não é ruim
Da doutora Júlia partilhamos da mesma origem
Não estamos na novela, tal diferença advém
Ouço confabulações que eles não conseguem

Falas sãs confabulações no sossego sem hesitação
Não precisa abrir a estómato no meio da multidão
Diz-me confabulações açucaradas na audição
Meramente escuto o bem-querer do teu coração.

Autor: Ce Cedilha
Esse dom de te escutar
Katembe-07 de Junho de 2020.

Sentimos saudades

SENTIMOS SAUDADES

Sentimos saudades daqueles abraços amigáveis
Abraços estes que são aperto de mãos e colo
Acompanhados por um sorriso cintilante
Mas infelizmente as máscaras furtaram 

Sentimos saudades daquelas conversas colectivas
As mãos prendendo cervejas, sucos ou café
Gargantas ingerindo aquele paladar benéfico
E mais, das danças nos bares, clubes ao som da música

Sentimos saudades das Praias, dos Museus e Igrejas
Muito mais dos nossos docentes, colegas e chefes
Até daqueles sufocamentos no sofá, das conversas
Dos nossos companheiros no “chapa cem”

Sentimos saudades daqueles momentos airosos
Que vivemos com aqueles que partiram tão cedo
Por causa de um vírus enigmático, só memorias
Esperanças há-de reviver esses momentos um dia.

Autor: Franklim de Manguião.
Poesias de concurso 3, Julho de 2020.

Juro que fui dito

JURO QUE FUI DITO

Eu fui dito que isso tão cedo passará
Que sorrisos exibiremos e a chuva dos céus cairá
Engraxar o Mundo repleto de angústia e acredito
Que a felicidade vem lá do norte, juro que fui dito 

Eu fui dito, que irão diminutas as lágrimas
Mesmo no Irão e no Mundo todo haverá paz
Fruiremos da largueza, não social afastamento
Ficará no pretérito, tudo em ordem, juro que fui dito

Eu fui dito que esse maléfico “coronavirus”
Nem ficará e já basta lágrimas derramadas e o vírus
Ouviremos que com arma de cura foi abatido
Paulatinamente tudo estará aberto, juro que fui dito

Eu fui dito que dias cronometrados têm a pandemia
Quiçá esta semana quiçá amanhã mas que iria
Está por vir o melhor e lá se vai o padecimento
A pandemia tem dias cronometrado, juro que fui dito.

Autor: Franklim de Manguião.
Poesias de concurso 2, Julho de 2020.

Vai passar um dia

VAI PASSAR UM DIA

Mundo todo vive-se tristeza tristemente
Despertados que sono profundo foi furtado
Espavoridos cada dia parecer estar a engolir tudo
Essa pandemia mas não prosperamente 

Por mais que deterioração venha deteriorar
Por mais que veemente permanência nas caladas
Por mais que vidas humanas sejam dizimadas
“Vai passar um dia” vamos cantar e orar

Acreditemos que tudo é passageiro
Passageiro também é ela, até mas que efémero
Embora com desprazeres deslembraremos 

Estaremos a contemplar todo sucedido infelizmente
Sorrisos inundaram nossas caras até a mente
Mil abraços por segundo nós receberemos. 

Autor: Franklim de Manguião.

Poesias de concurso 1, Julho de 2020

domingo, 19 de julho de 2020

Vamos dialogar, oh amor

VAMOS DIALOGAR, OH AMOR

Vamos dialogar, oh amor
Resolver nossos obstáculos desmedidos
No alicerce dos diálogos como amadurecidos
Se é guerra fria então bom exemplo e bom humor

Vamos discutir o quanto tencionarmos
Ofendermo-nos mas saibamos nos dar ouvidos
Olvidemos alçar mão a nós, somos amadurecidos
Líquidos, gazes, objectos na pele não desejemos

Problemas estão a par dos pares na residência
Se não há problemas tão pouco não há amor
Mas resolver com violência causa dor
Destrói tanto a violência com veemência

Vamos discutir até achar a acção da solução
Se desculpas lotaram nossos coitadas sacos
Pediremos mil socorros de conselhos ecos
Instâncias outras mas violência amor não.

Autor: Franklim de Manguião.
Poesia de concurso 2, Julho de 2020.

Sonhos roubados da Rosa

SONHOS ROUBADOS DA ROSA

Linda moça com idade de uma catorzinha
Menina de desejos e sonhos brilhantes era
Tão inteligente, tão educada e dedicada era
Tão invejável e de qualidades mocinha

Lembro-me ter dito que almejava ser enfermeira
Lembro-me ter dito que almejava ser advogada
Lembro-me ter dito que almejava ser deputada
Lembro-me ter dito que almejava ser engenheira

Cara dela carregava sorrisos brilhantes
Sorrisos que se transformaram em lamentos
Permutou-se o por necessidades deles, jumentos
Pais delas sucumbiram tais sonhos conscientes

Cedo teve Lar motivados de cinco mil meticais
Daquele que se fez patrono voltando do Rand na mina
Exerce papel de dona de casa pobre menina
Vida miserável que ela carrega e sonhos no cascais.

Autor: Franklim de Manguião.
Poesia de concurso 3, julho de 2020.

Conselhos para pais

CONSELHOS PARA PAIS

Somos pais desde mundo tão briosos
Filhas nossas precisam de boa convivência
Casamento tão cedo é pura inconveniência
Façamos tudo que futuro delas sejamos orgulhosos

Que se dê-a boa delicadeza e liberdade
Que bons discernimento sejam feitas
Que bons alvitres sejam dadas
Que se dê-a tudo de bom antes da idade

Mundo cheio de necedades nós residimos
Jamais troquemos nossas filhas
Para suprir nossas necessidades nestas ilhas
Por mais que seja a penúria não optemos

Minha filha esteja pronta e crescida
Por mais carência haver não desistência a escola
Seja a melodia que a garganta cola
O melhor o futura trará nesta ida.

Autor: Franklim de Manguião.
Poesia de concurso 4, julho de 2020.

quinta-feira, 16 de julho de 2020

Minha pátria é meu Bairro

MINHA PÁTRIA É MEU BAIRRO

Minha pátria é meu bairro
É aqui que fui visto nascer
É aqui que fui visto crescer
É aqui que fui educado

Nesta pátria aprende e desaprendi
Oh! O orgulho da fantasia, isso que é o meu bairro
Aprende que lado nasce e vai o sol
Muitas coisas que carrego comigo
Este bairro pátria e minha identidade

Viram-me aqui na primeira vez, com essa carrapaça
Isso sim, é a minha identidade
Aqui , ensinam-te  e louva-se o esquecimento
É a moda dessa pátria caracassa;
Nesse pátria,aventura-se  e aprende
Basta clicar  o sol  desaparece o conhecimento.

Mas aqui nasci , aqui ensiaram os passos da vida
Sou desse bairro-pátria que tombei do seu gênese
Sou dessa pátria , marrungula que bebe nossos direitos e engrossa os deveres
Oh!  Aqui Sim é o meu pequeno bairro
Uma preseça desnotada do  Eden.

Autores: Franklim de Manguião e João Tualufo Jr.
Julho de 2020.

Mas onde nós vamos.

MAS ONDE NÓS VAMOS

Mas onde nós vamos com essa pandemia
Mas onde nos leva, oh pandemia
Onde iremos sem condições sanitárias com o vírus
A inquietação já não é do termo “coronavirus” 

Escolas, caminhos e ar reabertos, soltaram o vírus
As bancadas da escola esperam-nos e mais o vírus 
E se colegas, professores e nós infectarmos 
Aí sim, lágrimas cairão e aterrorizados ficaremos.

“Ave-maria cheia de graças salve esses jovens”
“Obcecados aos estudos e sem escolha desses bens”
Quem rogará? Se as Igrejas abrir recusaram-nos

Queremos a vida queremos os estudos
O mundo assim é como funciona mas todos
Sucumbe-nos estes dilemas, Deus abrigue-nos.

Autores: Franklim de Manguião e João Tualufo
Mas onde nós vemos? Oitavo dia de Julho de 2020.

segunda-feira, 6 de julho de 2020

Lá vou eu, lá vamos nós

LÁ VOU EU, LÁ VAMOS NÓS

Lá vou eu, Lá vamos nós;
A cada dia e circunstâncias nessa estação;
Estacando essa vida sem noção com acção;
Cá estamos sem estrato do ateu mas a sós;

Choramingamos de choramingo no dia outrora;
Domingo choramingo e se for a vida de riscos;
Não tombamos de terror de rabiscar nossos rabiscos;
Ah! Aí sim chuvas de lágrimas cairão da aurora;

Passa o dia pensado o que rabiscar para nossos fás;
Do outro lado estão morrendo de curiosidade;
Nossos textos e lições acham a felicidade;
Lá vamos nós decifrando o mundo o que traz;

Somos hermenêuticos dos factos sociais pós;
A cada dia que passa rabiscamos textos;
Caderno vai se metamorfoseando livro na ida dos tempos;
Lá vou eu e lá vamos nós.

Autores: João Tualufo e Franklim de Manguião
(Lá vamos nós) Maputo 05 de Julho de 2020. 

Jamais tinha visto Anjinhos

JAMAIS TINHA VISTO ANJINHOS

O mundo surpreende-me com enigmas;
Vivenciei milhares e milhares de anos;
Nesta belíssima terra presenteados;
Jamais cogitei que existem coisas lindíssimas;

Naquela manhã num robustecer do sol;
Despertei e caminhei sem desígnios;
Vi com meus próprios olhos dois anjinhos;
De encantos e encobertos da neve farol;

Anjinho aos próprios olhos jamais tinha visto;
De cores dissemelhantes até minha pele isto;
Naquela palhota que não parecia ninhos; 

Maravilhas, alegrias e decorações eles;
Enlaçados talvez na fotografia eles;
Quem viu crianças atentos já viu anjinhos.

Autor: Ce Cedilha.
Jamais tinha visto anjinhos
Ka Elisa-Maputo, 06 de Julho 2020.

domingo, 28 de junho de 2020

Biografia do Autor.

BIOGRAFIA.

Franklim Fernando Manguião Pinto, conhecido por Franklim de Manguião e por seu pseudónimo "Ce Cedilha" é um filósofo e escritor Moçambicano. Nasceu no dia 06 de Janeiro do ano 1998 no distrito de Namarrói província da Zambézia, numa família tradicional. Desde cedo mudou-se para Quelimane com os pais, passou lá a infância e tendo adoptado a naturalidade de Quelimane.
Ele, concluiu o ensino básico na escola primária 1º e 2º grau Josina Machel -Quelimane. Ademais, frequentou o ensino médio na Escola Secundária de Naminho e tendo concluído na Escola Secundária e Pré-universitária de Sangarivera ambas em Quelimane. No entanto, por dificuldades de vida, trabalhou aproximadamente 2 anos como segurança numa empresa privada e no ano de 2019 foi admitido na Universidade Eduardo Mondlane onde cursa actualmente o curso de filosofia. Ce Cedilha, apaixonou-se pela literatura desde cedo tendo começado a escrever seus pequenos textos no ano de 2016.
Suas obras: o caminho da escola, quando passamos dificuldades, o primeiro desafio dos Nhusses, deixamos te lembrar, óh massacre de Mueda (esse que serviu de concurso de poesias no dia 16 de Junho tendo sido classificado em 3º lugar com certificado de mérito numa editora "Poeme-te hoje), o tempo passa e mais.

quinta-feira, 25 de junho de 2020

Passe o passado

PASSE O PASSADO

Passe todo o passado esse desagradável;
Não interessa mais esse acabado;
Espere o futuro quanto o presente parado;
Talvez permaneça o indispensável;

Passe o passado que lá se vai quiçá
Nos piscar dos olhos caducos paulatinamente;
Já não interessa mais esse acabado e na mente;
Lembranças não são mesma coisa;

Passe o passado que veio de lá;
Já não interessa mais esse acabado;
Não viver apego do passado na linha de lã;

Passe o passado do passado replete;
Das memórias nas memórias findado; 
Pois trazem descontentamento e saudade.

Autor: Franklim de Manguião
(Passe o passado) 25 de junho.

Independêcia

INDEPENDÊCIA

É saber como desacompanhado se guiar;
É saber como se prosperar;
É saber como seus ferimentos cicatrizar;
É saber como olhar e discrepante pensar;

É saber como se auto-controlar;
É saber como baseando na moral se coabitar;
É saber como se auto-abonar;
É saber como se governar;

É saber como cair e se erguer;
É saber como só as pendências resolver;
É saber como para todos o bem-fazer;
É saber como é o valor da Independência ao dizer;

É saber como se harmonizar;
É saber como se auto planejar;
É saber que ela não é dependência no ar;
E se Moçambique fosse assim?

Autor: Franklim de Manguião
(Dia da Independência) Maputo 2020.
Polana Caniço A.

terça-feira, 23 de junho de 2020

Rei e rainha somos


REI E RAINHA SOMOS

Que reine o amor nosso até o fim das durações;
Somente o futuro, o resto os anjos cuidarão;
Este império eternamente as forças governarão;
Que edificamos nos nossos corações;

Habitaremos nesses castelos deslumbrantes;
Bem fortificados e com cheio de mantimentos;
Dos milhões e milhares de anos destinados;
O sol parará e não haverá contagem de idades;

Arquitectaremos nossas aldeias e comunidades;
Há terra prometida lá no rio Nilo com fertilidades;
Superaremos Julieta e Romeu ou império de faraó;

Quero tua coadjuvação no comando desse império;
Somos Rei e Rainha com nosso domínio;
Ansiamos as felicidades que nunca irão.

Autor: Ce Cedilha
(Rei e Rainha) 23 de junho de 2020.
Maputo-Katembe,Insime.

terça-feira, 16 de junho de 2020

Massacre de Mueda

DEIXA TE LEMBRARMOS, ÓH MASSACRE DE MUEDA

Os anos lá se foram a cada piscar dos olhos;
Nas décadas de sessenta que sobreveio;
Naquele espaço de Mueda e hoje dissemos;
Deixa te lembrarmos, óh Massacre de Mueda;

Deixa te lembrarmos, óh te Massacre de Mueda;
Nasceste da nossa discórdia ao colonialismo;
Quiseram roubar nossa identidade e servi-los;
Quando dissemos "não" dispararam eles;

Mostrámos nossa veemência resistência;
O colono usou força impondo sua autoridade;
Muitos de nós tombámos naquele local por justa causa;
Mas a luta confinou porque almejávamos a paz;

Almejávamos a independência total e residimos;
Passa o tempo mas tu ficaste nos nossos livros;
Passamos nós mas ficaste nas memórias da história;
E hoje lembramos de te, óh massacre de Mueda.

Autor: Ce Cedilha.
Massacre de mueda
16 de Junho de 2020
Texto que serviu de concurso e estive no 3 º lugar.

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Aquela fotografia tua

AQUELA FOTOGRAFIA TUA

Quando as saudades batem quero te ver
A distância tem sido o meio que nos separa
Até fico tanto apavorado
Somente ver tua foto tem sido a única via. 
Tenho uma única foto nos meus dispositivos
Aquela que há anos não apago e nem irei
Está guardada na biblioteca da minha mente
Quando as saudades batem mesmo
Lembro dela e vou lá as quinze contemplar.

Autor: Ce Cedinha
Aquela fotografia 02
Katembe-09 de Junho de 2020.

quinta-feira, 11 de junho de 2020

Quando passamos dificuldades

QUANDO PASSAMOS DIFICULDADES 

Agente fica tanto apavorado;
Pensamos que tudo está indo ao fim;
Passamos mal e com vontade de gritar;
Nem queremos ouvir conselhos;

Quando passamos dificuldades;
Ficamos amargurados sem pensar em olvidar;
Até chorar tem sido desejo;
Por tanta desesperança;

A cabeça pesa com um peso infinito;
Pensamos que a vida acabou ali ou aqui;
Quando passamos dificuldades;
A única vontade que nos surge é morrer.

Autor: Franklim de Manguião
Momentos difíceis
Katembe-09 de Junho de 2020.

Óh Ce Cedilha


ÓH CE CEDILHA

Óh Ce Cedilha, eu sou você;
Desde que te conheci de adoptei;
Veja hoje o que aconteceu em nós, ei;
Ce Cedilha, jamais cogitou que me apelidasse;

Coabitava neste mundo só e sozinho;
Coadjuvar-me a perceber quis alguém;
Não divisava mas te atinei naquele caminho;
Adoptei-te e hoje nos confundem;

Vamos indo assim até o fim dos nossos tempos;
Eu moro em ti e de ti em mim, isso nos substitui;
Somos Ces cedilhas e nos adoramos;
Nas escritas tu me comuta e conclui;

Oh Ce Cedilha, adoptei-te;
Com um carisma excepcional;
Mas eles e o mundo hoje; 
Chamam-me Ce Cedilha.

Autor: Franklim de Manguião
O baptismo de Ce Cedilha
Katembe-09 de Junho de 2020.

A poesia é a unica coisa


A POESIA É A ÚNICA COISA

A poesia é a única música que sei;
A poesia é a única canção que sei;
A poesia é a única composição que sei;
A poesia é a única coisa que sei;

Vivo de poesia e ela vive em mim;
Narro as coisas que passo com sinceridade;
As coisas que vejo na sociedade;
Amiga que me ouve e componha-me;

Oh Deus, de si agradeço o dom que me deu;
Quero que esse dom floresça em mim;
Amo dela e quero com ela chegar longínquo;
O mundo me conheceu dela e assim; 

A poesia é a única música que sei;
A poesia é a única canção que sei;
A poesia é a única composição que sei;
A poesia é a única coisa que sei;

Autor: Ce Cedilha
A poesia é a única coisa
Katembe-09 de Junho de 2020. 

Essa mulher não envelhece

ESSA MULHER NÃO ENVELHECE

Por beleza tanto ela preocupa-se;
Cuida que cuida de formas incomparáveis;
A magia e poder dela são aprazíveis;
Esta mulher não envelhece;

Ela zela da pele tanto e quanto do vestuário;
Do cabelo, não olvidando dos olhos cintilantes;
Usa maquilhagem e sandálias de cores quentes;  
Quer voltar na mocidade na ponta do horário;

A mulher de quarenta, causa espanto;
Aprende veste da Europa que parece gentil;
Naquelas novelas sente prazer veste do Brasil;
Dentes brilham Mulala ou escova ao recanto;

Deseja roupa curta, clara e não engrandece;
A mulher de quarenta de querer gingar;
Quer baixar saias curtas ao andar;
Essa mulher não envelhece.

Autor: Ce Cedilha
Essa mulher não envelhece

Katembe-07 de Junho 2020.

terça-feira, 26 de maio de 2020

Feliz aniversário filho

FILHO, FELIZ ANIVERSÁRIO

Filho (Edu), feliz aniversário;
Lisonjeados em te ter sentimo-nos;
Nossa dádiva que o Senhor deu-nos;
Trouxeste alegrias e júbilos neste horário;

Um dia como hoje (27 de maio) nasceste;
Do teu nascer mostrou-se maturidade nossa;
Ensinou-nos a ser pai e mãe nesta vida nossa;
Nosso sonho de ter um petite realizaste;

De lá para cá papel de pais adimos;
Do teu primeiro choro exercer juramos;
Hoje cresce e nos lisonjeamos de olho;

Filho, colha estes frutos da primavera;
Muitas felicidades nesse dia de primeira;
Partilhamos tua alegria, amamo-te filho.

Autor: Franklim de Manguião
Querido Edú, Feliz aniversário
(Katembe 27 de Maio de 2020)

Corona vírus

Desinfectamos as mãos e não as saudades

É doloroso isso que o mundo está a passar;
Queremos cumprir as medidas de emergência;
Em nós o amor transporta muita carência;
Preocupa-nos saber quando é que irá findar;

Sessentena domiciliária com prolação, que dor;
Apenas desinfectamos as inocentes mãos mas;
Não desinfetamos as saudades muito mais;
Amamos a vida também amomos o amor;

Há distância incalculável na essência da ciência;
Do nosso sucumbiram todos apegos e desejos;
Por causa deste invisível e maldito corona vírus;
Neste mundo, difícil é viver tanto de distância;

Não saber até quando isso passará agoniza;
Mas sabemos que essas saudades machucam;
Dormimos, despertamos quando galos tagarelam;
Com imortais saudades que a consciência pesa.

Autor: Ce Cedilha.
Esse corona vírus- Katembe 24 de Maio de 2020.

domingo, 24 de maio de 2020

Nossas essências África

NOSSAS ESSÊNCIAS ÁFRICA

Somos sua essência, óh África;
Nossas identidades conscide África;
Nas veias carregamos teu sangue África;
Somos africanos de ti África;

Mãe nossa que nos pariu África;
Herdámos seus valores e tradições África;
Herdámos suas raças e cores África;
Nosso maravilhoso continente África;

Sua essência nos identifica África;
Nossa essência te identifica, África;
Da tua beleza e riquezas estonteante, África;
Orgulhamo-nos. Nossa terra África.

Autor: Ce Cedilha
Alusivo  ao dia de África.
(Katembe, 24 de Maio de 2020).

sexta-feira, 8 de maio de 2020

Feliz aniversário

FELIZ ANIVERSÁRIO

Digo para si "Feliz aniversário";
Parabéns pelo mais um ano;
Este que hoje adiciona e alça;
Deus destinou este dia (...);
Presentear aos seus pais;
(...), nasceu por um propósito;
Que esse propósito se realize;
Nasceu para completar alguém;
Que esse alguém encontre;
Nasceu para ser amada;
Nesta vida, então que assim seja;
Nasceu para contribuir no mundo;
Que assim seja e contribua;
Que nasceu para realizar um sonho;
Que assim seja e o realize;
Então no silêncio escute os pássaros;
Ao cantar: "Felicidades a este teu dia";
E mais parabéns a você.

Autor: Ce Cedilha.
Feliz aniversário .
03 de Maio de 2020.

Africa não é para nada

ÁFRICA NÃO É PARA ISSO

O mundo está totalmente agonizado
Está se passar momentos dificílimo
A cigana abala este mundo caríssimo
Fazendo vítimas e no oxigênio vivendo;

Momentos de incertezas vivemos;
Preocupados achar a chave na mente;
Desta cura da cigana que Deus somente;
Sabe onde e até quando encontraremos;

Quis-se provar o contributo de te, África;
Mostrando que também merece estar cá;
A par deste ríspido combate, mas disso;

Os Dungas ignoram tuas plantas ao inteiro
Ignoram suas ideias e somente és celeiro
Dizem: África não é para isso.

Autor: Ce Cedilha
Interculturalidade racial 07 de Maio
Katembe-2020

sábado, 2 de maio de 2020

Ciganas

CIGANOS E CIGANA

Entraram ao anoiter do dia;
Entraram ao cantar do galo;
Entraram no tempo de inverno;
Entraram no tempo de verão;

Ciganos, vieram de onde vieram;
Penetraram-se no meu povoado;
Esqueceram paz, estão blindados;
Quiseram todo vilarejo pilhar;

Ciganos, liberdade esqueceram;
Violaram do homem seus direitos;
Mataram a sangue frio aqui no in;
Sem explicações mas surgentes;

Esqueceram-se de onde vem;
Semeiaram lutos no meu povoado;
São sem rostos, somente farda;
Lacrimejavamos mas já casamos;

Onde correremos e como fugir;
Outro cigana fez parar o mundo;
Fechou nossas portas e caminhos;
Vive no oxigênio e não perdoa.

Autor: Ce Cedilha
Queremos paz em CD e mas Covid19 ?
Katembe, 29 de Abril de 2020.

domingo, 26 de abril de 2020

Texto 6

O CAMINHO DA ESCOLA

Naquele tempo que nós estudavamos, havia um caminho que era princípal dentre os caminhos que nós tinhamos que nos levavam a escola todos os dias laborais da semana. Cada caminho tinha suas próprias características peculiares. Havia um que tinha uma bela e linda mata e no fim um riacho, nós dissiamos ″opontini ya kale”, outro dissiamos " opontini etxa" era do tipo baulamento, a 2km uma ponte feita de betão e por cima tabuas e paus gossos, era este que passando do nosso povoado dá acesso a vila do nosso distrito. 

O que nos faz lembrar do caminho ″opontini ya kale” era simples, curto e com casas aproximadas a beira do caminho. Quando sábiamos que amanhã era sengunda-feira e dia da escola, ficavamos todos muito lisonjeados,  prepravamos tudo que servia para levar à escola como sendo materias escolares e muito lanje que este era constituida por muitas frutas e mais como bananas, pera abacate, cana-doces, amendoim, banana, mandioca, laranjas, feijões cozidas e mais.

Logo ao amanhecer as nossas mães preprava tudo para nós e cada um saía da sua casa sozinho mas quando chega ao caminho já eramos dois, e três e assim a fila crescia. Caminhavamos percorendo o caminho do atalho e quando chegavamos naquela mata todos nós entravamos nela e cada um procurava seu esconderijo e escondia seu lanje para o regresso. Depois disto, saíamos ao riacho tomavamos banho todos, as moças levavam sabãos e pomadas de corpo e partilhavamos juntos na forma de dá ela, dá ele e juntos saíamos catitos e cheirosos a escola. Somente agora tomo a consciência e penso que a preocupação das mulheres com suas belezas começa  desde criancice.

Bem que chegassemos a escola, entrevamos na aula e estudavamos. No tempo de largar, aquele que fosse primeiro espreva os outros largar e saíamos em grupamento de regresso para casa. Quando atravessavamos o riacho, chegavamos a nossa mata ou seleiro e cada um ia buscar seu lanje, sentavamos por de baixo de uma árvore e partilhavamos nosso lanje mesmo com aquele que não possuia, porque sabiamos que amanhã seriamos nós, como nossos antepassados diziam ″wona olelo omelo ti ya mukó,” depois tomavamos o caminho para casa. No momento que caminhavamos a cada instânte nos dispediamos, a fila reduzia porque cada um chegava na sua casa e dia seguinte faziamos o mesmo.

Autor: Franklim de Manguião.
As minha lembranças da  infancia naquela escola de Madia- Namarrói.

terça-feira, 21 de abril de 2020

Chorou para mim.

CHOROU PARA MIM!

Fiquei tão apoquentado das lágrimas;
Que vi cair nos teus olhos do rosto, bem;
Eu também chorei com coração mas;
No silêncio do tipo choro de homem;

Não sei, mas este choro me adverteu;
Deste estonteante choro sou causador;
Foram por justa causa, coração percebeu;
Arrependo-me por ter te causado essa dor;

Desde que nasci nunca vi mulher chorar;
Hiperbolicamente digo, lágrimas de amar;
Tão invulgar e vejo crianças chorando sim;

Ver mulher como você chorar é anormal;
Não farei desculpa! Mas saí na capa do jornal;
A primeira mulher que chorou por mim.

Autor: CE Cedilha.
Chorou por mim? Katembe 20 de Abril de 2020.

sábado, 18 de abril de 2020

Texto 5

JÁ NÃO SOU O MESMO E NÃO SOMOS OS MESMOS  

Quando nasci e até ontem vivia a vida pensando que tudo é habitual, e estou convicto que há pessoas que também cogitam assim mas não constitui ao facto. O que fui quando nasci já não era na adoscência e nem sou hoje, mudei o tamanho, mudei a estrutura corporal, mudei a cor, e os que me viram há 15 anos admiram. Os dias fazem gerar essas mudanças como dizia Heráclito: ″panta rei″, isso constitui ao facto, há um certo ápice corroboramos.

″Mudam-se os tempos [...] o mundo é composto de mudanças″ assim clamava um dos grandes poetas da história - Camões- e na mesma linha clamamos que as coisas mudam, então a vida muda. O que mais me adiverteu foi aquela conversa que tive com um amigo da infância no ″facebook″ naquela noite. Ele e o irmão mais velho passam 10 anos que não nos avistámos, infelizmente os pais partiram logo ao amanhecer e ficaram só, tudo aparentava ter acabado mas não e rumaram a Nampula procurando melhores condições de vida.

Naquela noite por considência  pediu-me amizade, aceitei e de lá para cá começou a conversa, espantava-me saber como é que eles estavam até então. Ele foi contando factos desolados, graciosas e sorriamos com ″Stickers″. ″A vida muda mano″, esta é a máxima que me disse prazenteiro e mostrando-me fotos do irmão mais velho, a cunhada, o sobrinho e a namorada por sinal tudo aparentava estar bem, logo que perguntei: quando é que voltariam a zona? Fazer o quê, se não há nada lá- foi a resposta dele colocando no fim um ″Stickers″ sorridente.   

"A vida muda mano" e se é assim como posso mudar a minha miseravel que carrego? Dormi cogitando nesta frase. No entanto, muitos podem ser os factores que condicionam está mudança, exemplificando: uma parte dever-se a oportunidades que nós temos na vida e a outra é porque muitos jovens se apegam aos pais sem querer se distanciar. 

Continuemos ficando em casa nos prevenindo do coronavirus...

Autor: Franklim de Manguião.
Uma reflexão da frase já não sou o mesmo18 de Abril de 2020.

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Tu és a cura

                                    TU ÉS A CURA

                         Óh moça, verdadeira pureza, jura;

                              Mulher estonteante e pura;

                 Analogicamente, és a água que bate e fura;

                                             Tu és a cura;

                                           Amada Laura!

         Nesta amaravilha, vida minha raliza maravilha, pura;

                         Este meu coração tu contenta, pura;

                Neste mundo, tu fazes parte da minha e jura;

                         Enfermidades que tenho tu cura;

                        Juro que até minha cabeça dura;

                                    Esse amor loucura.

                                     Autor: Ce Cedilha
                                Tu és a cura { Maputo}.
                                  16 de Abril de 2020

terça-feira, 7 de abril de 2020

7 de Abril.

FELIZ 7 DE ABRIL

Hoje, esse dia que data;
Nada de escapulir todas reflexões;
Vitórias e dos esforços entabulados;
As cincas que da vossa parte persistem;

Esse dia que se celebra, que reflictam;
Dos 47 anos de hoje e que lá se vão;
Dos fenómenos que vós são vítimas;
Abusos sexuais e da violência doméstica;

Feliz este dia para vós;
Vós que sóis mãe dessa pátria amada;
Vós que ornamentam com lindíssimas belezas;
Vós que desempenham incumbência de "vice";

Ser feliz hoje não seja sinónimo de sair de casa;
Óh Desus! Esta pandemia de Corona vírus;
Mas  persistem prélios, espera-vos súpero;
Feliz vós mulheres, Feliz 7 de Abril.

Autor: Ce Cedilha
O dia 7 de Abril de 2020- Maputo

domingo, 5 de abril de 2020

Essa dor

ESSA DOR PASSA

Angustiados vivemos num momento;
Essa dor que nos causa agonia invisível;
Amar sem cogitar tem sido o delito;
Não é bobagem, destino incompreensível;

Cedemo-nos ao amor por alguém;
Sem compreender que este causará dor má;
Tão leve tem sido este belíssimo hematoma;
Mas dói e até pode sempre persistir bem;

Mas veementemente e sem precaver;
Lacrimejamos, passa e lembramos bem;
Que não se perde por dar amor a alguém;
Mas por não saber como o receber;

Causa uma grande ferida esse hematoma;
O amor é ferida que com tempo cicatriza;
Dói e sentimos mas devagar e com calma;
Mais uma vez amamos e essa dor passa.

Autor: Ce Cedilha
(Essa dor) Maputo 05 de Abril de 2020

Sorte minha

SORTE MINHA

Sorte minha te amar e tu me amar;
A felicidade não me falta assim me sinto;
Merecemo-nos tanto assim e já não minto;
Esse amor vai mais além do altar;

Sorte minha por te ter minha querida;
Minha luz luzente na escuridão;
Por te contemplar me inspira, então;
Tudo de ti me apetece minha linda;

Sorte minha me apaixonar, arrepender-se ainda;
Não me arrependo desse amor que alimenta;
Grato dos teus atributos que me apelida, dor;

Sorte minha te querer e mais carece;
Há amores de provento mas não se trata de interesse;
Várias vezes comprovei, só por amor.

Autor: Ce Cedilha.
Sorte minha in sonetos- Katembe (06 de Julho 2020).

sábado, 4 de abril de 2020

Texto

O PRIMEIRO DESÁFIO DOS NHUSSYS

O mundo está num momento crítico, em todas partes há casos, há lamentações hora guerras dos Al Shabab ou Jhadistas, hora fome, hora expeculção dos preços, e mais aparece a terribelíssima pandemia, prefiro a chamar de doença do momento, talvez seja melhor assim. O tempo não perdoa como diz Bezegol, lá nós vamos nas emporrões e sem a minína ideia de onde nós vamos.

Bem haja Senhores Nhussys, reconhecemos que fazem de tudo para verem este País do Índico indo avante. No entento, Senhor têm muitos desáfios nas vossas magmas mãos, mas aqui falaremos de dois desáfios que são pertinentes neste momento: o primeiro é sobre Cabo Delgado e o segundo é sobre a doença do momento. A doença do memento é tão assustadora e terrível que abala o mundo todo e até é colocada como sendo o primeiro desáfio a nível mundial, e vocês também assim o fizeram colocando em primeiro.

Quais sãos os metódos usados a ponto de colocar a doença do memento como o primeiro desáfio e do Cabo Delgado como segundo? Será que é o famoso metódo Cartesiano, ou seja, de mais simples ao complexo ou vice-sersa?

A doença do momento deve ser o segundo desáfio, o primeiro nosso desáfio senhores é sobre os ataques que vem acontecendo em Cabo Delgado desde ultimos mêses de 2017. Lembremo-nos que nos mêses que tomaram posses a Paz territórial era o Prato mais delísioso. Ademais, no dia 23 deste mês ( segunda-feira), ouvimos que os insurgentes atacaram alguma zona de Cabo delgado, ou seja, Mocímboa da Praia e mais um dia atacaram Quissanga,  matanto população insoladas e indefesas destes lugares, fazendo estrago e o representante máximo da Polícia disse que estámos a trabalhar e há nossas forças lá para repor a Ordem.

Sabemos que está-se trabalhar nessa situação, mas queremos mais esforços e que coloque fim esses ataques. Haaaaa! Estámos super lotados... Senhores dividam-se Cabo Delgado também é Moçambique, QUEREMOS PAZ COMO OS SENHORES NHUSSYS DIZEM.

Agora já passam 5 minutos tenho que ir lavar as mãos até logo...

Autor: Ce Cedilha
(O primeiro desafio dos Nhussys)-Maputo, 29 de Março de 2020.

Texto

O CÃO QUE FALOU UM DIA

Havia naquela zona um casal com uma filha chamada Carla, era um casal feliz, trabalhador e caçador, a filha era uma moça, curiosa, comilona e ladra. Na casa deste casal havia um Cão chamado Milo, Milo era um Cão corajoso, educado e grande guarda de casa, todos dias de Deus, Milo ficava vigiando a casa dia e noite. 

Os pais da moça como eram camponeses e caçadores, sempre que iam a machamba por sorte traziam uma animal e produtos para consumo familiar. Sempre que a mãe preparava a refeição deixava pouca parte da carne para servir para outra refeição da noite. Quando a mãe guardava, a filha esperava eles se ausentarem e ela pegava na Panela e tirava alguns pedaços e comia. Quando os pais voltavam para casa, a mãe ficava espantada e questionava.

-Oh! Carla quem comeu carne que estava na panela?
-Não sou eu mãe deve ser o Milo, esse Cão faz-se de esperto e eu não gosto dele assim vamos ficar sem jantar, a Cala respondeu. O Milo estando de perto escutava a as palavras ofensivas dela e sentia-se mal, sendo um animal que não tinha como dizer não era ele, não tinha nada o que dizer. A mãe pegava no pau e batia o Milo, um inocente.

Num belo dia os pais da Carla foram a caça e por sinal calhou um dia de sorte, conseguiram apanhar um bom animal para o consumo familiar. Quando chegaram em casa, a mãe preparou a carne daquele animal, fez a divisão habitual e depois de almoço a mãe pega na penela restante da carne vai guardar no armário e depois os pais saíram para dar voltas. A Carla e o Milo ficaram em casa, ela abre no armário pega na panela e come alguns pedaços. Quando os pais da Carla voltam do passeio já era tarde e a mãe estava a confiar na carne que havia restado. Ao abrir a panela viu que havia uma grande falta. A mãe por costume e bem chateada pergunta a filha:

-Mas Carla quem é esse que come carne na panela que sempre guardamos?

-Não sou eu mãe deve ser Milo, mas esse Cão também, a Carla com mesma a justificação responde.
A mãe da Carla frustrada pega na pá para bater no Cão. Os animais não falam mas O Milo cansado com a injustiça de dela, confessou tudo que via, disse o seguinte:
- Tu come, tu come e depois diz que é Cão, tu come, tu come e depois diz que é Cão, meu coração fica frustrado, meu coração fica frustrado.

A mãe ficou espantada ao ouvir aquelas palavras de Milo pensou que era feitiço, baixou a pá e enquanto a Carla não tinha nada por falar, as chapadas já eram com ela. Desde daquele dia a Carla nunca mais comeu qualquer Caril guardado e com Milo formaram uma grande amizade.

Autor: Franklim de Manguião: Os contos da minha infância (dia 29 de Dezembro de 2019).

Texto

ESTRANGEIRO DO PRÓPRIO PAÍS

Naquele dia era quinze horas da sexta-feira que sai para casa do meu primo visitá-lo. Fiquei preso naquele chapa a expectar de ficar lotado para podermos partir, as pessoas chegavam um por um até o Chapa ficou lotado. Naquele chapa havia muitas pessoas e por sinal a maioria eram mulheres. Permanecemos aproximadamente uma hora até o chapar partir.

Quando o Chapa começou a marcha, nós todos já estávamos colados nos sofás, naquelas janelas grandes, eu contemplava as paisagens que aquele da cidade possui, no fitar de um recém-chegado, tais como os prédios, estradas, as árvores, os carros, as pessoas que faziam vaivém e o grande vão de África apelidado Maputo-Katembe.

Num Chapa colectivo a viagem tem sido agradável quando as pessoas conversam e um som baixo, lá nós íamos. Entretanto, as conversas não paravam nas bocas daqueles daquelas, falavam Changana ou Ronga até agora não sei, só sei que era uma língua do sul do nosso paiss, diziam palavras como: Awe! Inakamuno! Aucheli! Lipelile! Ama paisagem shonguile! U choche, Kanimambo, U famba etc e outras frases esguias e rápidas que nem conseguia ouvir mesmo sem perceber.

Todas pessoas ostentavam dentes brilhantes ao sorrirem até pareciam que falavam mal de mim, mas achei que não, e que falavam coisas doces, porque quase todos do chapa sorriam mas eu era o único que não sorria, outras olhavam para e no interior deles se questionavam o porquê me mantinha calado e não sorria.

O Chapa continuava caminhando e o som do motor soava tanto, mas nem com isso me distraia ao pensar naquela conversa que aquelas pessoas falavam. As perguntas que me apareciam na minha mente eram: será que um estrangeiro é aquela pessoa que somente sai do seu país de origem para outro país? E eu que estava num lugar onde tudo era novo?

Eu juro que naquele dia me senti um estrangeiro no meu próprio país, cogitei logo em contratar um interpretador ou um tradutor para traduzir toda conversa para mim de modo a estar no mesmo assunto que eles. Ah pena de mim! Porque não tinha dinheiro para pagar o tal tradutor, mas não tinha outro meio do que ficar confinado naquele meu canto, escutar o barulho das conversas e olha-las sorrindo.

Depois da travessia, o carro ia parando a cada paragem que os passageiros pediam para descer e avançava, a cada instante que cada vez mais o Chapa parava lá dentro ficava um vazio até que chegamos ao terminal onde nós todos descemos, o Chapa ficou totalmente vazio e cada um foi no seu destino.

Autor: Franklim de Manguião
O meu tempo hoje; Maputo 09 de Dezembro de 2019.

Tu és a cura

TU ÉS A CURA

Óh moça, verdadeira pureza, jura;

Mulher estonteante e pura;

És a água que bate e fura;

Tu és a cura;

Amada Laura!

Na vida minha, realiza maravilha pura;

Este meu coração tu contenta, Laura;

Neste mundo, tu fazes parte da minha, Ura!

Enfermidades que tenho tu cura;

Juro que até minha cabeça dura;

Autor: Ce Cedilha
04 de Abril de 2020-Tu és a cura { Maputo}.

sábado, 28 de março de 2020

Texto


SERÁ QUE É O FIM DO MUNDO

Há dois meses que começamos a ouvir com um alto volume falar-se de uma doença do momento, a chamada coronavirus. Como ficou sábido que começou na China esta pandemia e depois chegou na terra de grandes crentes (Itália), abraçou todo mundo e daí começou a abalar o mundo, hoje é Moçambique.

Em todo lugar fecharam as escolas, as universidades as Igrejas e limitaram-se as coisas, distanciamento um metro no minímo dizem e nos chapas? E as baracas e bares? Há quem contesta que as Igrejas não deveriam fechar ou limitar o número dos crentes e que deveriam continuar a rezar para o fim desse mal, mas esquece que este é o momento decissivo onde as falsas Igrejas pereceram, perderam os seus valores e as X e Y fecharam antes dessas medidas serem declaradas. Esse está a ser o momento em que na Biblia, o livro mais lido é Apocalipse ou Revelações, já que fala sobre o fim do mundo e com essa pandemia dizem que faz sentido.

Estámos tistes com as consequências desta doença do momento, mas há quem está feliz porque declararam 30 dias de quarentena para limitar a circulação das pessoas e estudar em casa, mas eles dizem que estámos de férias, viajam da cidade para zonas recondidas fugindo da doença do momento, esqueceram que esta doença não tem fronteiras e serão eles que vão transportar para essas zonas e por fim esquecem que lá há problamas de Centros de Saúde e se caso transportarem para lá será fatal.

Esta pandemia não é o sinónimo do fim do mundo. Este é a nossa época, como se diz cada época com seus desáfios então devemos concluir que a doença do momento é o nosso desáfio. Em todos momentos há desáfios, há quem sofreu com a Primeira e Seunda Guerra Mundial, há quem  sofreu com o colonialismo, há quem sofreu com a Guerra Civil, há quem sofreu com HIV e SIDA. No entento, acatemos as informações e os conselhos, fiquemos em casa e sempre lavemos as mãos cinco em cinco minutos e mais. Acreditemos que há Cientistas que estão a trabalhar nisso, tarde ou cedo irá passar e nós seremos os sobreviventes.

Agora tenho que atender minha Panela ao fogo e até logo...

Autor: Ce Cedilha.
(Nosso tempo, os nossos desáfios) - Maputo 27 de Março de 2020. 

domingo, 15 de março de 2020

Não é isso.


NÃO É ISSO QUE ESTÁS A PENSAR!

Estou tão pobre e pobre em tudo;
Sem saldo e nem SMS nos cartões;
Única coisa que tenho são os ligue-mês;
Eles não dizem nada. Silêncio forçado;

Não te ligo não é que não te pretendo;
Não te ligo não é que conheci outra não;
Não te atendo não por ignorância não;
Não te atendo talvez estou assoberbado;

Não é que apartei de te amar;
Meramente a razão é a mesma, pobreza;
O ar refutou coadjuvar em te advertir, carraça! 
Que encontro-me bem e que te amo neste mar; 

Cada 60 segundos, nas minhas 24 horas;
São deles que te penso, sou combalida;
Não te atendo talvez telefone está caluda;
Minha senhora, na tua carola pare de cravar coisas;

Não sei se esta adversidade irá pervagar;
Um dia das 24 horas telefonista serás;
Perdoa-me pela minha pobreza, mas;
Não é isso que estás a pensar!

Autor: Ce Cedilha
[A vida é uma das coisas que passa rápidas] 15 de Março de 2020.

terça-feira, 10 de março de 2020

Morei no jardim do Éden

MOREI NO JARDIM DE ÉDEN.

Vivi uma vida que não contarei viver;
Fiz coisas que talvez não se repetirão;
Passei caminhos que só há ida;
Mas não me arrependo e nem irei;

Senti-me Adão ao lado da Eva, epha!
Lá, somente eram idas e voltas juntos;
Na Choupana, juntos no cumi ao entardecer;
Mas não me arrependo e nem irei;

Estava num jardim, digamos de Éden;
Deslembrado e sem saber como cheguei lá;
Havia muita carne e frutas proibidas;
Mas não me arrependo e nem irei;

Foi minha acólita em todas direções;
Banhamos naquele rio que parecia Jordão;
Na forma de dá colo a quem te dá colo;
Mas não me arrependo e nem irei;

A ti, dedico essa composição e lembrança;
Para saber que me senti feliz ao teu ilharga;
Tão lacônico foi o tempo, valeu  a pena;
Mas não me arrependo e nem irei.

Autor: Ce Cedilha
[Minhas férias e 1º ano] Maputo
Feliz aniversário papá.