Franklim de Manguião estudante e sonhador de ser escritor moçambicano

sábado, 4 de abril de 2020

Texto

O CÃO QUE FALOU UM DIA

Havia naquela zona um casal com uma filha chamada Carla, era um casal feliz, trabalhador e caçador, a filha era uma moça, curiosa, comilona e ladra. Na casa deste casal havia um Cão chamado Milo, Milo era um Cão corajoso, educado e grande guarda de casa, todos dias de Deus, Milo ficava vigiando a casa dia e noite. 

Os pais da moça como eram camponeses e caçadores, sempre que iam a machamba por sorte traziam uma animal e produtos para consumo familiar. Sempre que a mãe preparava a refeição deixava pouca parte da carne para servir para outra refeição da noite. Quando a mãe guardava, a filha esperava eles se ausentarem e ela pegava na Panela e tirava alguns pedaços e comia. Quando os pais voltavam para casa, a mãe ficava espantada e questionava.

-Oh! Carla quem comeu carne que estava na panela?
-Não sou eu mãe deve ser o Milo, esse Cão faz-se de esperto e eu não gosto dele assim vamos ficar sem jantar, a Cala respondeu. O Milo estando de perto escutava a as palavras ofensivas dela e sentia-se mal, sendo um animal que não tinha como dizer não era ele, não tinha nada o que dizer. A mãe pegava no pau e batia o Milo, um inocente.

Num belo dia os pais da Carla foram a caça e por sinal calhou um dia de sorte, conseguiram apanhar um bom animal para o consumo familiar. Quando chegaram em casa, a mãe preparou a carne daquele animal, fez a divisão habitual e depois de almoço a mãe pega na penela restante da carne vai guardar no armário e depois os pais saíram para dar voltas. A Carla e o Milo ficaram em casa, ela abre no armário pega na panela e come alguns pedaços. Quando os pais da Carla voltam do passeio já era tarde e a mãe estava a confiar na carne que havia restado. Ao abrir a panela viu que havia uma grande falta. A mãe por costume e bem chateada pergunta a filha:

-Mas Carla quem é esse que come carne na panela que sempre guardamos?

-Não sou eu mãe deve ser Milo, mas esse Cão também, a Carla com mesma a justificação responde.
A mãe da Carla frustrada pega na pá para bater no Cão. Os animais não falam mas O Milo cansado com a injustiça de dela, confessou tudo que via, disse o seguinte:
- Tu come, tu come e depois diz que é Cão, tu come, tu come e depois diz que é Cão, meu coração fica frustrado, meu coração fica frustrado.

A mãe ficou espantada ao ouvir aquelas palavras de Milo pensou que era feitiço, baixou a pá e enquanto a Carla não tinha nada por falar, as chapadas já eram com ela. Desde daquele dia a Carla nunca mais comeu qualquer Caril guardado e com Milo formaram uma grande amizade.

Autor: Franklim de Manguião: Os contos da minha infância (dia 29 de Dezembro de 2019).

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