Franklim de Manguião estudante e sonhador de ser escritor moçambicano

sábado, 4 de abril de 2020

Texto

ESTRANGEIRO DO PRÓPRIO PAÍS

Naquele dia era quinze horas da sexta-feira que sai para casa do meu primo visitá-lo. Fiquei preso naquele chapa a expectar de ficar lotado para podermos partir, as pessoas chegavam um por um até o Chapa ficou lotado. Naquele chapa havia muitas pessoas e por sinal a maioria eram mulheres. Permanecemos aproximadamente uma hora até o chapar partir.

Quando o Chapa começou a marcha, nós todos já estávamos colados nos sofás, naquelas janelas grandes, eu contemplava as paisagens que aquele da cidade possui, no fitar de um recém-chegado, tais como os prédios, estradas, as árvores, os carros, as pessoas que faziam vaivém e o grande vão de África apelidado Maputo-Katembe.

Num Chapa colectivo a viagem tem sido agradável quando as pessoas conversam e um som baixo, lá nós íamos. Entretanto, as conversas não paravam nas bocas daqueles daquelas, falavam Changana ou Ronga até agora não sei, só sei que era uma língua do sul do nosso paiss, diziam palavras como: Awe! Inakamuno! Aucheli! Lipelile! Ama paisagem shonguile! U choche, Kanimambo, U famba etc e outras frases esguias e rápidas que nem conseguia ouvir mesmo sem perceber.

Todas pessoas ostentavam dentes brilhantes ao sorrirem até pareciam que falavam mal de mim, mas achei que não, e que falavam coisas doces, porque quase todos do chapa sorriam mas eu era o único que não sorria, outras olhavam para e no interior deles se questionavam o porquê me mantinha calado e não sorria.

O Chapa continuava caminhando e o som do motor soava tanto, mas nem com isso me distraia ao pensar naquela conversa que aquelas pessoas falavam. As perguntas que me apareciam na minha mente eram: será que um estrangeiro é aquela pessoa que somente sai do seu país de origem para outro país? E eu que estava num lugar onde tudo era novo?

Eu juro que naquele dia me senti um estrangeiro no meu próprio país, cogitei logo em contratar um interpretador ou um tradutor para traduzir toda conversa para mim de modo a estar no mesmo assunto que eles. Ah pena de mim! Porque não tinha dinheiro para pagar o tal tradutor, mas não tinha outro meio do que ficar confinado naquele meu canto, escutar o barulho das conversas e olha-las sorrindo.

Depois da travessia, o carro ia parando a cada paragem que os passageiros pediam para descer e avançava, a cada instante que cada vez mais o Chapa parava lá dentro ficava um vazio até que chegamos ao terminal onde nós todos descemos, o Chapa ficou totalmente vazio e cada um foi no seu destino.

Autor: Franklim de Manguião
O meu tempo hoje; Maputo 09 de Dezembro de 2019.

Nenhum comentário: