Franklim de Manguião estudante e sonhador de ser escritor moçambicano

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

SABES QUE JÁ NÃO DÁ, NEM?

TU SABES QUE JÁ NÃO DÁ, NEM?

Continuar assim sabendo que assim não  
Dar forças ao silencio sabendo que machuca
Proibir a felicidade aos corações e mais a boca
Acreditar ser preferível ficarmos só quanto não

Persistir sonhar com outro, metade do dia
Enquanto acordamos um distante de outro
Fingir que não nos importamos a cada dia
Enquanto dormimos um pensado no outro

Limitar envio de saudações, beijos e boas noites
Com portador diário enquanto pagamos fim de mês
E sabemos que cada um espera disso para viver   
Então, por favor não espere para dizer: já não dá.

Poesia de Ce Cedilha
[Sabes que já não da nem? In Poesias de Amor no Cativeiro]
Maputo 16 de Junho de 2021

MULOPWANA NA KASSAPRA

MULOPWANA NA KASSAPRA

O mês de Junho tem sido um dos meses mais privilegiados na Vila dos “Aniworas”. Na Vila dos “Aniworas”, as pessoas se importam com Um de Junho, Vinte e Cinco de Junho, “Nhatal” e “Ana novo” mas o resto das datas e feridos lá tem sido dias simples para se fazer qualquer actividade. Nas vésperas do dia vinte e cinco, fez-se uma contribuição para se fazer uma festinha na casa de um anião do bairro dos “Aniworas”.

Neste dia, todas atenções estavam viradas na casa do ancião da vila. Ali estava uma multidão, com idades diferentes, dançavam-se as músicas da banda e valorizava-se as clássicas. Aos poucos começaram a servir tudo, começando pelos líquidos caseiros e mais tarde vinha a parte dos mantimentos. Ali conversava-se, bebia-se e dançava-se e os terminados procuravam uma almofada de árvore e se encostavam. O senhor Ehassi não se fez excepção. Organizou-se com a esposa e lá foram. Chegando, separara-se enquanto o homem ia para a parte dos homens iguais a esposa ia de outro lado das mulheres.

Na hora de manjar, as “mamanas” começaram a se movimentar numa forma de vaivém enquanto as mãos seguravam os pratos cheios de mantimento na forma de monte Namúli para servir a multidão, começando com os ditos senhores. Chegou a vez de senhor Ehassi. Quando ele foi entregue o seu prato com mantimento, deu uma velocidade abrindo o prato e caril para verificar se tinha “Kassapra” mas quando viu que não tinha o dito “Kassapra” mandou devolver o prato dizendo que não queria comer, justificando que não estava faminto. Como forma de o obrigar a aceitar a comida, os comparsas diziam: como assim se o senhor está aqui deste de manhã, come senhor.

Alias, este cresceu com seus mimos. Desde criança, na mesa ele chorava para coisas de grandes, “nhama” do papa e sempre que assim fazia, a mãe ou o pai o dava, até foi apelidado “na Kassapra” por ele gostar dessa parte de carne. No seu Lar, a sua esposa tinha todo menu, sabia que o “kassapra” deveria estar no prato do esposo e outro que restava deveria servir para dia seguinte, assim o fazia, ela poderia comer qualquer parte da carne de galinha mas excepto as duas “Kassapras”.

De facto, os comparsas estavam imbuída de razão mas somente a esposa sabia que o seu esposo não queria comer porque não o tinha servido “Kassapra”. Ele disse: vão falando, Ehassi levantou-se, despediu e foi-se embora.

Autor: Franklim de Manguião
O senhor Kassapra, 25 de Junho de 2021 – Maputo.

Lembra-te ou esqueceste-te

LEMBRA-TE OU ESQUECESTE-TE

Lembra-te da química que surgiu
Teus olhos ao virem o formato meu
Pela primeira vez naquele Xiquelene?
Ah! De mim lembro de forma solene

Esqueceste-te o que sentiu ali, ainda
Ouvindo minha voz dizer: Olá coisa linda
Meu tacto pousar na pele da sua mão?
Ah! Não esqueço do ferver do coração

Eu vi, sim eu vi o cintilar dos teus olhos
Deram retaguarda na praça da paixão
Corações cruzaram na praça do amor

Ah! Memórias alojam aquele dia de verão
É dali que começara nossa narrativa, então  
Não foi por acaso o encontro e não será.

Autor: Ce Cedilha
[O neo-romantismo e o meu tempo]
Maputo, 10 de Junho de 2021.
  

SEGUINDO EM FRENDE

SEGUINDO EM FRENTE

Vou seguindo em frente nesta jornada
Neste caminho que elegi trilhar eternamente
Tropeço em tantos estorvos há nesta
Caminho sem estorvos não leva em nenhum

Sinto-me estar só mas vou persistentemente
Pois há mãos que movem as minhas tíbias 
Só de tristezas estou por estar distante da família
Movem palitos da mente e causa transtornos

Não estou aqui por acaso mas de propósito
Pois tudo tem propósito nesta existência
Muitos precursores caminham tão sozinhos 
E meu muito kanimambo aos meus adjuntos.  

Autor: Franklim de Manguião
(Obrigado formador pela sabia aula de literatura)
Maputo, 17 de Setembro de 2021.

ESQUECEM ME SERVIR

ESQUECEM ME SERVIR

Esquecem me servir das canduras deles
Coisas da vida que hoje os proporcionou
Vejo-os irem e voltam a rastejar da barraca
Inconscientemente, esquecem os seus trilhos

Sem pudicícia, esquecem me servir
Beijos que se dão na rua a Luz do dia
Carnes que esbanjam a uma mordida
Moedas que desaguentam bolsos de pesos

Esquecem me servir as suas festas
Cervejas, as maças tapadas na meia-lua
Eu cá consinto, nada vejo e moro na inveja 
Mas rezado que meu dia abeire e não os servirei.

Autor: Franklim O de Madia
(Digam servidos pha in meus cadernos de poesias)
06 de Setembro de 2021

MU-LATA

MU-LATA

Lá no jardim do Marte vi uma Mu-Lata 
Não era catraia, não era adulta
Sua forma de assentar parecia atada
Desviei-me dos olhos dela lenta

Outro dia me atinei com outra Mu-Lata
De beleza ingénita, não estava lavada
Imobilizei, olhei-a de forma alentada
Mas me pareceu que estava fracturada

E outro dia, jornadeei com uma Mu-lata
Cara de dela não estava lavada
Odorífera, deslumbrante, tremeluz de dada
E indaguei: há anjos nesta terra redonda?

Autor: Ce Cedilha

[Lengalenga ] 08 De Agosto de 2021

SAUDADES ME SAUDAM

SAUDADES ME SAÚDAM

O tempo se vai aos passos de Aquiles e Caracol
O voar dos estacões não atinge o tic tac do relógio
Há molho de água que invade a parede do cérebro
Que mais, transformam-se em saudades pesadas
 
Ouço o sussurrar baixinho das saudades no além 
Vociferam a sino na véspera do Natal deslumbrante
E mais jogam coração e cachimónia sem piedade
Omito a idade a noite, olhos lacrimejam de saudade

Saudades sugam-me a cada dia nesta estadia
Já não ouço melodia do zambeziar da minha terra
Nem das Chiqueletas, dos Nandhe, dos Nhakungus
Ah mente! Saudades do meu subúrbio me saúdam.

Autor: Franklim de Manguião
[brevemente aí estarei]
08 De Agosto de 2021

COISAS DE HOJE EM DIA

COISAS DE HOJE EM DIA

“Mirendjes” já tagarelam contentemente
Já que saíram do ventre da Mangueira à Lua
Não falo tão pouco de Mirendjes exactamente 
Falo das sobrinhas que andam nua na rua crua

“Namantiques” desafiam a árvore de tão pesar
Não falo dos “namantiques” do verão sem idades
Falo das “deginhas” perdidas ao ir do sol lá no ar
Pernoitam nas barracas e dormitório sente saudades

“Sololos” querem conviver a vida do momento
Matizam lábios, esticam unhas e aplicam perucas
Saem com Madalas de bolsos, do amor lamento
Não falo de “Sololos”, falo de netas destas épocas

“Pintainhas” põem ovos antes da idade
Não falo de “pintainhas”, falo das filhinhas e ainda
Que perderam sonhos e da beleza só são confiante
Olvidam que tudo é passageiro e curta é a vida.

Poesia de Ce Cedilha
[Estão a fazer acontecer apocalipse]
Maputo, 06 de Julho de 2021

PENSAS QUE FOI TUDO, NEM?

PENSAS QUE FOI TUDO, NEM?

Pensas que foi tudo, nem?
Dizeres: já não dá mais amizade de corações
Amputares a fibra da rede da nossa conexão.
Só por ter dito: tudo bem e que vais em paz
E depois de pé em pé bazaste?

Fizeste-me desperdiçar maravilhas do inverno
Fiz de contagem que estávamos juntos
Mas vou dizer o quê aos meus lábios?
Que tu não estavas nem aí? Nem aí magoa
Afinal, calculava borboletas e tu sem aí?

Ouviste boca minha dizer Ok, sem “blema”
Fostes a vontade, pois, tua vontade se fez
Mas meu coração ficou na merda e lamenta
Agonizaste-o de lamentos sem piedade,
Então pensas que é tudo, nem?

Autor; Ce cedilha
Forças ao Mano Keyv In Poesias de amor no cativeiro
Maputo, 13 de Setembro de 2021

PRANTO NO CORAÇÃO

PRANTO NO CORAÇÃO

Jornadeei nas alturas do mar descalço
A meia-lua em direcção a Lua lentamente
Seguia nela os trechos largos perdidamente
Ilusão iludiu-me a mente de pasmo que calço

Uma ida infinita da Lua levar me deixei
Cronometrar o tempo e as estrelas me olvidei
Ausentou-se a sombra que me acobertava
O calor do Sol no interior de mim queimava

Olhei ao redor desta jornada em desamor
Vozes inexistentes de gargalhadas cantavam
Que “coração é criança no âmago dentro de nós”
Retorci ao tempo mas já era fim da jornada.

Autor: Ce Cedilha
(Nossos desejos infinitos)
Maputo 18 de Agosto de 20 21

MAWOWÓ NA MUSSUZI WA MIKATXE

MAWOWÓ NA MUSSUZI WA MIKATXE

Numa velocidade inimaginável e incalculável vai-se o tempo. Incalculável é, que a ponto de Einstein, Newton ou Galileu, ou seja, um deles se estivesse no mundo dos vivos não sei se obteria o resultado desta aceleração associado ao tempo e espaço. Momentos se vão, a gente agiganta, neste engrandecimento olvidámos as coisas boas e ruins da infância. Entretanto, lembremo-nos que uma vida sem histórias da infância para ser rememorada e contada não é vida, pois, é recheado de lacunas.

Hoje rabisco este texto com dois propósitos: de rememorar um episódio da minha infância. Agigantei num ambiente abarcado de vários vizinhos e culturas diversas. Foi neste agigantecimento que aprendemos (eu e meus munnas) com nossos amigos-vizinhos que quando se faz “Xima” aquela parte do fundo da panela é tão saborosa que a própria “Xima”. Era somente pegar na panela, naquela parte um pouco queimada colocar um pouco de molho e esperar minutos se transformar ténue para depois pegar na colher e dar uma raspada para depois encher a boca enquanto sentia o paladar do “Mawowó”.

Ao ver aquilo, nós tencionámos colocar em prática, alias, aprende-se colocando em prática um determinado aprendizado e não basta somente ver. Ao fazê-lo vimos que era tão bom que se indo mais tempo aquilo se transformou em nosso habito. Esperávamos a mamã cozinhar, já ao amassar a “Xima”, entre nós, um gritava: Panela é minha; Panela é minha. Ora, antes de ontem era sua, ontem dele e hoje sem falta é minha. Woo…wooo… Na verdade, ficávamos ali a debater sobre o assunto de “Mawowó” até chegarmos à anuência, já esquecíamos as idades que a gente tinha e se caso não, a nossa mãe pegava-a botava cheio de água de modo que todos nós perdêssemos. 

Acontece que num pelo dia, ao intervalo no serviço do nosso pai sentia-se o desejo de passar uma refeição de almoço com a sua família. Ele saiu da CFM com sua Bicicleta e pôs-se a pedalar, passando no Mercado Aquima desviou um pouco a rotina, entrou lá dentro, comprou Mukatxes, alguns Tomates, acrescentou um Limão, Caldo e Coco, minutos depois voltou a rotina, e quase meia hora já estava a chegar em casa.

Depois de algumas horas a mamã já havia adubado a refeição, toda ela estava tão odorífera, apetitosa e melíflua e mais melíflua até a ponto de quase a gente olvidar aquela parte interior da panela, mas não. Nos primeiros momentos depois da refeição parecia que entre nós ninguém se rememorava ou tinha interesse da panela, isso justifica-se por que todos já estávamos saciados mas depois de mais tempo principiamos achar. Ela (a mamã) como bem compreende os paladares de seus filhos colocou lá dentro da panela um pouquinho de “mussuzi wa Mukatxe” para que aquela parte bem tourada pudesse ficar tão ténue, aromático e irresistível. Todos pegamos na panela, enquanto um gritava: hoje é minha vez de “Mawowó”, eu e outro gritávamos: hoje não vai raspar sozinho. Ele dizia: se for assim vamos lavar juntos a Panela, nós respondíamos: mesmo e ele continuava: mas isso é batota, enquanto as colheres brigavam dentro daquele objecto de circunferência.

Depois de tudo, nós os dois não cumprimos com a promessa de o ajudar a lavar as louças mas o ajudar a dar raspadinhas do interior da Panela. Como era de hábito de gostar comer mas não gostar de lavar louças, ele por se sentir injuriado e desalentado foi queixar a mamã e como solução disse: a partir de hoje para afrente só é dono de Mawowó aquele que lava louça naquele dia, independentemente do que vai se consumir no dia e assim se sucedeu.
Rabisco essa história como memória daquilo que rememorei ao ver crianças, um atrás do outro se dando corrida por causa da parte tourada da Panela para raspar e esse é o outro propósito. 

Autor: Franklim de Manguião
[Mawowó na mussuzi wa mikatxe in Crónicas do amanhecer e por do sol] 24 de setembro de 2021

ONHONGA ELOWAYE

ONHONGA ELOBWAYE

O tempo passa tão veloz ao ponteiro da Tartaruga. A gratuidade absoluta solta ar seco e frio que condensa os corpos. Já é noite, noite é noite. As vezes o agasalho tem sido insuficiente para afugentar o frio. É notório que num come onde há dois corpos com sinais de mais e menos os cobertores são complementares porque o calor deve passar de molécula a molécula. O terceiro canto do Galo, gentes alvorecem grudados por uma cola indiana e somente se desgrudam porque há afazeres.

Noite é noite. As noites de inverno têm sido assim constante a maioria de gentes mas infelizmente tem sido um pesadelo para Dona Offi. Quando chega tempo de dormitório, a Dona Offi e Dono Oni chegam ao leito a uma crise. Os sinais diferentes de Imanes não se traem, é normal? Talvez em um dia ou dois dias mas constante não. E então, a dona Offi e dono Oni embrulham-se nos cobertores mas o calor dos mesmos é insuficiente, aproximam-se mas nada, beijam-se mas nada, procura forma de estimular o filho do meio mas nada – agora ya! “Ethabwa”. Mas como, “Elobó enhongueia”, mas não, talvez frio está de mais e vamos tentar amanhã – assim pensaram, adormeceram fechando os olhos e não as mentes.

É noite, mais outra noite. Erros e falhas são humanos quando acontecem uma vez mas constantemente, já não são. Dona Offi, aturar a cada dia de frio que a gratuidade absoluta faz, já não aguenta, saudades de sentir estão pesadas, elas pesam que pesam mais que “emi-pesa”. Lança berros de socorros: toda culpa é tua Oni. Ela já é a meritíssima juíza suprema, já sentenciou o caso. O réu fica sem palavras e não compreende nada de direitos e cala-se.

Como multa, a meritíssima mendiga passar uma das noites de inverso fora da casa. O réu é rebeldíssimo, rejeita a sentença, na verdade é doloroso cumprir uma sentença sem cometer crime. O réu troca as palavras e diz: a culpa é sua. Ela: mas como? Afinal, ela esqueceu-se que uma vez brigadas, a dona Offi pegara algumas linhas de roupas íntimas do Dono Oni para na casa de “Nhanga” para o tratar de modo ele a não se casar e nem se envolver em relacionamentos. Hoje quer que a coisa funcione. Epha! Feitiço virou contra a feiticeira como dizem – afinal, “omala onhonga elobwaye”.

Autor: Franklim de Manguião
[ Onhonga elobwaye in Crónicas do amanhecer e por do sol]

1 DE JUNHO

1 DE JUNHO

Hoje decidi voltar ao tempo. Daquele tempo que já se foi a anos, este que me foi abrangido um dia mas teve que passar porque é seu ciclo e eu tive que ir além como forma de obedecer a lei da natureza. Eu morei num tempo que foi depois dos meus bisavôs, tempo das grandes produções daquelas terras que me viram nascer, onde a terra dava frutos, tempo das folhas verdes, tempo daqueles que cresceram comigo. Este tempo vai além das cheias do ano dois mil, tempo das ofertas. Eu sou do tempo em que um metical tinha três zeros. Tempo em que com cinquenta centavos pagávamos uma lata de leite de amendoim para manducar.

Eu venho do tempo em que estudos eram estudos, os alunos tinham terror dos professores na sala de aula. Sou do tempo e lugar em que nosso Lanche da escola saía de casa, tais como: “Mathui”, “Mihali”, “Txako”, “Bambahiya”, “Mapiyara” e mais, enquanto as raparigas colocavam no colo à escola, nós escondíamos numa mata que se localiza perto da escola. 

Eu estudei na escola onde vós estudais mas que outrora era coberto de capim, blocos puros de areia, tudo era material precária e até nossa vedação era feita de capim de elefante. 
Morei e estudei no tempo em que 1 de Junho era 1 de Junho. Eu sou do tempo em que dia como hoje, na nossa escola se pernoitava a galhofar e bailar “Macuaela”, “Pumpu”, Cassete.

Venho do tempo em que todo mundo fazia de tudo para passar almoço na escola. Comíamos que comíamos até que nossos sacos ficavam sem espaço para colocar mais mantimento. Eu sou do tempo em que na nossa comunidade era difícil encontrar refrigerante e cervejas. Ingeríamos somente sumo de “Jus” enquanto os mais velhos bebiam “Katxasso”.

Eu venho da terra em que dia como hoje matava-se “Mwaku”, os nossos feijões eram acompanhados por “Essima” e arroz tourado, a gente esquecia “Katxopwe”, “Pwinho”, “Ntikwa” e tudo era-nos diferente porque crianças ganhavam a liberdade. Mas o tempo passa mesmo e nós também enfrentamos.

Autor: CAPURRA

Minhas felicitações para toda crianças em especial aqueles que me conhecem.
01 de Junho de 2021 Maputo.  

PORFAVOR, VENHA LEVAR TUDO

POR FAVOR, VENHA LEVAR TUDO

Por favor, venha levar tudo
Desde a sua existência, sua essência
Seus sorrisos jamais visto, seus doces beijos
Suas vestes de moda, suas fotografias

Seus gestos de mim perdidos, seu aroma
Seus carinhos de mim habituados, sua voz
Seu andar de barco a vela, seus movimentos
Seus presentes, meus presentes e instantes  

Seus abraços aconchegantes, teu chamar
Seus números, sms’s, chamadas e mais
Seu tudo de mim, etc etc, sim eu disse etc 
Pois não aguentarei viver de suas lembranças.

Autor: Ce Cedilhas
Há que aceitas percas in Poesias de amor no cativeiro
13 de Setembro de 2021.

O QUE SOBROU DE TI

O QUE SOBROU DE TI

Ah querida, porquê de tão cedo sua ida
Da tua partida, meu coração pequenina
Na rua da lembrança, os olhos te olham
A boca de te beijar um dia guarda esperança

Ah querida, não se trata do teu nome
Nem do seu formato que achar não consigo
Mas do teu beijo, aroma, teus passos e teu roncar
Que ao reviver perturbam a minha mente

Sabe? Desejo-me retroceder de sermos Libelinhas
Juntos no cume, ver o claro ficar escuro e vice-versa
Sentir seu toque de bálsamo naquela ida de desdém 
Ah! De te sobraram-me as coisas que não se vão.

Autor: Ce Cedilha.
[O neo-romantismo e o meu tempo]
Maputo, 05 de Junho de 2021.

quarta-feira, 23 de junho de 2021

INDEPENDE(FICIENCIA)

INDEPENDE(FICIÊNCIA)

Galos já não cantam a canção de Junho
Arvores não dançam o baloiçar da primavera
Corpos sentem o calor do Cabo da culatra
Há mau som barulhento no ápice do Índico

Lá os petizes não podem ir a rua crua
Velhos não mostraram o brilho dos dentes
Há Treva que encoberta a Lua e mesmo
O sol de Junho já brilha com dificuldades

Aqui, ouve-se o choro dos olhos ao silêncio
Não há o moral de tocar os tambores e dançar
Para celebrar um vinte e cinco baleado
Vive-se tristeza, vive-se Independe(ficiência).

Autor: Franklim o de Madia
[Como celebrar os 46 anos de Moçambique?]
Maputo 25 de Junho de 2021.

domingo, 6 de junho de 2021

É vez-veze as moças da banda (texto)

É VEZ-VEZ E AS MOÇAS A BANDA

Naquela zona (Madia) viviam um grupinho de jovens que ao andar do tempo viram seus corpos se alongarem e os queixos terem cabelos. Ali viviam moças e moços. Alguns imigravam para as cidades vizinhas a procura de melhores condições de vida e os que conseguiam, voltavam para a Banda e se casavam e os outros “txilavam” e assim que bastassem regressavam naquelas cidades. O que espantava foi que no meio desses jovens existiam alguns que se reputavam, humilhavam os outros jovens e usurpam de tudo e muito mais das moças da Banda.

Por tão estratégicos que eram, os moços logo que chegavam na Banda, organizavam uma aparelhagem enorme com vários funis gigantescos e colocavam aquelas músicas de Nicola Zacarias ou Leonard Dembo, ao tocarem eram irresistíveis de se escutar, amoleciam os corações e transportavam a mente para uma viagem sem voltas. Essa era uma forma de dizer: mwana a nece orua. O que estava detrás disso era de chamar todas moças da Banda e inclusive aquelas que tanto lhe rejeitavam quando não tinha nada. Bem que começava a soar o som na voz daqueles funis, as pessoas começavam a se aglomerar naquele lugar de forma faseada tendo como base a idade, as crianças iam de manhã, adultos a tarde mas quando o escuro engolia o mundo era a vez dos jovens.

Acontece que, António, filho de Nkarivo, fez o mesmo. Depois de doze meses sumido da zona, o jovem voltou e arquitectou um grande aparelho já mais visto naquela Banda. Tantas melodias se ouviam lá doutro lado, as pessoas quando perguntavam de onde vinha aquele som, os outros respondiam: wa Nkarivo, ayiwa mwane orua. Toda zona e de zonas circunvizinhas já não queria desperdiçar, os caminhos viraram para lá e naquele dia se pernoito a se dançar.

Naquele lugar estava uma moça tão linda, a sua pele assemelhava-se a cor de água fervida de Feijão Manteiga, olhos azuis do céu, as suas curvas dela jamais vista, sua forma de falar mais que uma Sereia e seu andar impercebível, chamava-se Joaquina. Mafioso era um jovem bonzinho e educado, a única coisa que o estragava era de não ter posses. Mafioso gostava da Joaquina, mas de tentadas batalhas de conquistas falíveis infelizmente, o jovem foi negado mas por uma única razão de sempre, não ter nada a oferecer.

António, apaixonadamente com as características da moça, mandou seu elencou para cuidarem de tudo, somente mais tarde vieram o chamar que a Joaquina queria falar pessoalmente com ele e assim sucedeu.

No meio daquela toda multidão da noite, Mafioso logo que girou a cabeça, deparou que António e a Joaquina estavam sentados numa gigante pedra lapidada a conversarem e os dentes também auxiliavam a conversa e, consequentemente o jovem concluiu tristemente o que deveria acontecer depois daquela conversa. Ai, o jovem perdeu ânimos, deu retaguarda e se apercebeu enquanto já estava na sua casa. Enquanto dormia ia pensado como aquele episódio seria pago mas disse no interior de si, afinal, o mundo funciona assim nem, mas amanhã eu também farei mais que isso porque É VEZ-VEZ.

Autor: FRANKLIM DE MANGUIÃO 
É vez-vez e as moças da Banda in as minhas Crónicas do amanhecer e por dos sol
Maputo Abril

Murima walelaka (texto)

MURIMA WALELAKA

Npulula e Walela eram dois amigos da infância. Eles tiveram o privilégio de irem a escola e calhar na mesma sala e voltavam juntos para casa abraçadinhos. Eram inseparáveis, bastava um faltar para que o outro se sentisse isolado e até muitas vezes chegavam de concordar de não irem a escola ou gazetar as aulas.

A vida sempre procura motivos para separar as pessoas. Os dois amigos, quando crescidos foram forçados a se separar motivados por questões da vida. Um dos motivos foi de terem casado em zonas diferentes, Walela casara-se em “Mwede” e o Npulula resolveu não sair da zona e casou-se nas circunvizinhas.
Certa vez, Walela havia organizado uma pequena festinha e resolveu convidar alguns familiares, vizinhos e amigos como forma de lembrar os velhos momentos e Npulula não foi falhado o convite. Quando chegou o dia, Npulula, depois de um bom banho nas águas de “Ewawa”, preparou-se tão cedo, colocou aquela roupa da mala, sapatos do armário, sem se esquecer de um pouco de Vestilene e as últimas gotas do perfume que havia restado. Pegou na Mochila que continha um casaco e pôs-se na companhia do caminho para lá.

Depois de algumas horas de tanto caminhar, chegou ao lugar. Estavam ali pessoas se movimentando um lado para outro e parecia que estavam a fazer os últimos ajustes e no fundo, por dentro de um objecto tocava “Okwa de confiado”, enquanto outros dançavam os outros abanavam a cabeça. Logo que chegou cuspiu um boa tarde, outro boa tarde se ouviu em uníssono, e o amigo o disse: “anamahi, mukele Ekatera mukiratele”, ou seja, amigão, vá pegar aquela cadeira sentar, espantou-se, pensou que diria: olha leva uma cadeira dar tio aqui sentar. Hum! Sem tardar, Npulula puxou a cadeira sozinho e colocou ali as nádegas a repousarem no cantinho.

No momento exacto, foram convocados a aproximarem para ouvirem a missa de discurso, dali, seguiu-se o momento esperado, as “mamanas” foram servindo os pratos cheios de mantimento à pessoas que estavam ali mas somente vieram servir o senhor Npulula depois de toda gente e crianças que ali estavam – sentimental – o senhor levou-o e começou a manjar.  
Pensou que era normal aquilo, mas não porque no Oteka também aconteceu o mesmo, de tantos bidões que circulava ali o homem somente tomou uma “Ekahi” mas há pessoas que repetiam e até ficavam pejados, mas o senhor Npulula nada disse e continuo assim humildemente. Naquele lugar, todos dançavam dois a dois mas o senhor Npulula era o único que dançava sozinho, o amigo de tantas amigas, vizinhas e irmãs pelo menos teria pedido uma para o acompanhar por um momento mas nada fez, afinal, na festa há dois tipos de pessoas, uma que não é convidada mas está ali é considerada como convidada e a outra é convidada que mesmo estado ali não é considerada como convida e, ser essa ultima, aflige, assim pensava o senhor Npulula.

A festa e a dança persistiam mas o homem, de tanto solitário, perdera o moral, queria descansar de tanto cansaço e por ser noite. O amigo girava por aí e vinha conversava pouco com ele coisas desnecessárias e saia. Por não ter como, aproximou-se a uma árvore e encostou ali tentado dormir e sem tardar amanheceu e o homem foi para casa sem avisar. E quando chegou em casa e foi questionado como foi o passeio, ele tristemente respondeu: “Morrima walelaka nkayewo”, ou seja, se coração avisasse não iria. 

Autor: Franklim de Manguião
Marcas de uma festa, Maputo Maio. 

Wassaka (texto)

WASSAKA

Nem sempre todos dias são de vitória. O senhor Cafri era chefe de família e pai de três filhos. O tempo do seu casamento passou num piscar dos olhos, na verdade estavam há bom momento casados e que mesmo se o filho mais novo perguntasse a quanto tempo estavam casados necessitaria de segundos para puxando a mente para depois dar a resposta. 

Os primeiros instantes, o casal era tão afortunado, no corredor pátio e quartos habitava o amor, carinho, as ceninhas e a paciência. Cognominarem-se de amor jamais os constituía de dificuldade. O homem trabalhava em turnos como um guarda na casa de uma “branca”. “Wassaka”, ele se preparava e ia ao seu posto de trabalho a esposa ficava em casa cuidando das tarefas de casa e dos filhos. Senhor Cafri quando largava no dia seguinte, abeirava em casa com um saco de plástico bem recheado e por dentro dela não carecia de pães para se fazer um mata-bicho da idade. Só bastava de ser descoberto de longe abeirando para casa e as crianças gritavam: papa, papa e papa e, corriam ao encontro dele para o abraçarem. Entendimento não escasseava em casa. A esposa fazia tudo que a cabia como seu dever com o marido moralmente e sem estranheza como forma de o comprazer.

Passando um tempo, o homem achou emprego na casa de uma outra senhora para esposa e foi ter com ela e acordaram que ela deveria principiar a trabalhar para o bem da família, afinal, é tão maravilhoso quando os dois em casa trabalham porque no fim de mês Samora tem enchido a casa. A esposa principiara a trabalhar. Wassaka a esposa ateava fogo, aquecia água para o banho e os dois iam a casa de banho, vestiam-se e lá iam e somente se separavam no caminho.

Tristemente, aconteceu que a patroa do senhor Cafri voltara para Itália definitivamente e infelizmente o trabalho dele extinguiu. O homem começou a procurar outros espaços disponíveis para trabalhar mas infelizmente não era fácil para ele. Principiou sempre ficar em casa enquanto a esposa ia ao seu posto de serviço. Passando muito tempo a mulher começou a mostrar comportamentos estranhos. Quando uma mulher numa casa trabalha e o homem não, tem sido problemático mas quando é o contrario considera-se normal. Vuku-vuku já havia se estalado.          
A esposa parecia não se contentar com o não fazer nada do marido. As vezes se zangava sem motivos, tentava achar qualquer coisa para criar um problema para ela falar. Ocasionalmente, o marido passou a não ter voz, as vezes o tratava como isso. As vezes mandavas ofensivas indirectas direccionadas aos filhos enquanto se referia ao marido, tristemente o senhor não tinha o que dizer.  Por vezes dizia que ele ficava somente sentado e não queria fazer nada, mas o que não constituía a verdade porque o senhor Cafri tentou meter os seus Cv’s em muitos lugares com promessas sem respostas, falou com muitos amigos para qualquer coisa de emprego e nada, tentou planejar um auto-emprego mas nem avançou e até quando fazia biscates não era paga, maldição? Talvez.

Um belo dia, por sorte um seu amigo apanhara um biscate e chamou-o para trabalhar juntos, afinal, onde come um comem dois, lá foram. O homem passou todo seu dia naquele lugar trabalhando, naquele lugar se fazia betão para enchimento de um Teto. Quando a esposa voltou do seu serviço questionou aos filhos onde estava esse senhor, os filhos responderam que papa desde que saiu de manhã era antes de voltar. Sem tardar o homem já estava a voltar para casa com mais um saco de plástico recheado, foi bem recebido e a esposa logo foi encher água para dar o marido tomar banho. O senhor Cafri voltou a viver por um dia aquilo que vivia quando trabalhava na casa da Italiana. Mas wassaka.

Autor: FRANKLIM DE MANGUIÃO 
Wassaka in as minhas Crónicas do amanhecer e por dos sol
Maputo Maio.

1 de Junho (texto)

1 DE JUNHO

Hoje decidi voltar ao tempo. Daquele tempo que já se foi a anos, este que me foi abrangido um dia mas teve que passar porque é seu ciclo e eu tive que ir além como forma de obedecer a lei da natureza. Eu morei num tempo que foi depois dos meus bisavôs, tempo das grandes produções daquelas terras que me viram nascer, onde a terra dava frutos, tempo das folhas verdes, tempo daqueles que cresceram comigo. Este tempo vai além das cheias do ano dois mil, tempo das ofertas. Eu sou do tempo em que um metical tinha três zeros. Tempo em que com cinquenta centavos pagávamos uma lata de leite de amendoim para manducar.

Eu venho do tempo em que estudos eram estudos, os alunos tinham terror dos professores na sala de aula. Sou do tempo e lugar em que nosso Lanche da escola saía de casa, tais como: “Mathui”, “Mihali”, “Txako”, “Bambahiya”, “Mapiyara” e mais, enquanto as raparigas colocavam no colo à escola, nós escondíamos numa mata que se localiza perto da escola. 
Eu estudei na escola onde vós estudais mas que outrora era coberto de capim, blocos puros de areia, tudo era material precária e até nossa vedação era feita de capim de elefante.
 
Morei e estudei no tempo em que 1 de Junho era 1 de Junho. Eu sou do tempo em que dia como hoje, na nossa escola se pernoitava a galhofar e bailar “Macuaela”, “Pumpu”, Cassete. Venho do tempo em que todo mundo fazia de tudo para passar almoço na escola. Comíamos que comíamos até que nossos sacos ficavam sem espaço para colocar mais mantimento. Eu sou do tempo em que na nossa comunidade era difícil encontrar refrigerante e cervejas. Ingeríamos somente sumo de “Jus” enquanto os mais velhos bebiam “Katxasso”.

Eu venho da terra em que dia como hoje matava-se “Mwaku”, os nossos feijões eram acompanhados por “Essima” e arroz tourado, a gente esquecia “Katxopwe”, “Pwinho”, “Ntikwa” e tudo era-nos diferente porque crianças ganhavam a liberdade. Mas o tempo passa mesmo e nós também enfrentamos.

Autor: CAPURRA

Minhas felicitações para toda crianças em especial aqueles que me conhecem.

01 de Junho de 2021 Maputo.  

O que sobrou de ti

O QUE SOBROU DE TI

Ah querida, porquê de tão cedo sua ida
Da tua partida, meu coração pequenina
Na rua da lembrança, os olhos te olham
A boca de te beijar um dia guarda esperança

Ah querida, não se trata do teu nome
Nem do seu formato que achar não consigo
Mas do teu beijo, aroma, teus passos e teu roncar
Que ao reviver perturbam a minha mente

Sabe? Desejo-me retroceder de sermos Libelinhas
Juntos no cume, ver o claro ficar escuro e vice-versa
Sentir seu toque de bálsamo naquela ida de desdém 
Ah! De te sobraram-me as coisas que não se vão.

Autor: Ce Cedilha.
[O neo-romantismo e o meu tempo]
Maputo, 05 de Junho de 2021.

domingo, 9 de maio de 2021

Estão a se txunar

ESTÃO A SE TXUNAR

O sol se foi, sem tardar nasceu outro
Despertei mas tudo era me diferente

      
As flores brilhavam mas brilham mais
Incomparam-se as estrelas do inverno
Já o piscar dos dentes é mais que diamante

Dias foram caminhando bem caducados
Condenados elas estão de pendurar nas janelas
Os seus retratos lindos ao pôs-banho
Vi fotografias dançarem no leilão.

Assustei-me do susto do justo brusco
Lancei-me ao mundo que nem um dado
Como forma de achar respostas so sobera que
Estão a se txunar para um gajo.

Autor: Ce Cedilha.

Maputo - Abril

terça-feira, 13 de abril de 2021

Maldita Riqueza


MALDITA RIQUEZA

Maldita riqueza que alterou campos em ruína
Maldita riqueza que espalhou família
Maldita riqueza que vitimou crianças
Maldita riqueza que roubou parentes

Maldita riqueza que inocentes esquartejou
Maldita riqueza que roubou sonos e sonos
Maldita riqueza que roubou alegria e paz
Maldita riqueza que semeio tristeza tristemente

Maldita riqueza que amputou o cabo
Maldita riqueza que produziu tiroteios
Maldita riqueza que quer dividir o território
Maldita riqueza que vitima Cabo Delgado.

Autor: CAPURRA 
[Maldita riqueza in Abril é dedicado a Cabo Delgado]
Maputo-2021.

Ainda mora em nós

AINDA MORA EM NÓS

Imagos moram em nós daquela petiza
Que citou auxiliar no livramento do país
Do sofrimento e crueldade que sufocava
Há milénios do tempo que lá se foi

Petiza que se metamorfoseou em jovem
Sonhou com um país livre quando ninava 
Sonhou por igualdade de género e inclusão
Da não violação até a valorização da mulher

Imagos moram em nós daquela senhora 
Que olvidou género, pegou na arma e guerreio
Paz mora além dos géneros, inspira-nos isso
Em fim, Josina ainda mora em nós.

Autor: Franklim de Manguião
Josina ainda mora em nós in dedicação a 07 de Abril
Maputo – Moçambique

Maldita Riqueza


MALDITA RIQUEZA

Maldita riqueza que alterou campos em ruína
Maldita riqueza que espalhou família
Maldita riqueza que vitimou crianças
Maldita riqueza que roubou parentes

Maldita riqueza que inocentes esquartejou
Maldita riqueza que roubou sonos e sonos
Maldita riqueza que roubou alegria e paz
Maldita riqueza que semeio tristeza tristemente

Maldita riqueza que amputou o cabo
Maldita riqueza que produziu tiroteios
Maldita riqueza que quer dividir o território
Maldita riqueza que vitima Cabo Delgado.

Autor: CAPURRA 
[Maldita riqueza in Abril é dedicado a Cabo Delgado]
Maputo-2021.

Dói minha Palma

DÓI MINHA PALMA

Feriram-na na calada da noite
Inesperadamente a gente no relaxamento
(Des) conhecidos alvejaram propositadamente
Feriram-na e goteja a seiva do outro lado

Ah! De te minha Palma tenho tristeza mas 
De tristeza já não choro por não ter lágrimas
De socorro cansei de clamar em vão no vácuo
Gigantesca é a dor que sinto desta palma da mão

Dói-me a Palma que sustenta, de aconchego 
Refugiamo-nos nesta mata mas a fome mata
Tombam petizes de tristeza que já não encanta
E pingos sanguinários caem por desaconchego.   

Autor: CAPURRA 
[Doi-me a Palma in Abril é dedicado a Cabo Delgado]
Maputo-2021.

quarta-feira, 7 de abril de 2021

Murru wanepa (texto).

MURRU WANEPA

Naquela zona morava “Nwara Capura”, uma idosa de oitenta anos aproximadamente. Ela por sinal morava num lugar estratégico, o pátio dela era atravessado por vários caminhos que conduziam a vários destinos, como sendo escola, rios, igreja e mais lugares de interesse comum. Antes, as pessoas que chegavam na casa dela contavam-se pois a maioria eram familiares que vinha a visitar, algumas companheiras da igreja ou mesmo amigas da sua única filha que apareciam dar voltas, mas de qualquer forma sabe-se que essas pessoas nem acarretavam milhões de segundos ali assentados. 

Mas naquele dia era diferente de todos, todo mundo passava ali para a visitar. Naquela casa saia um aroma de uma bebida irresistível a todos passantes dali, ou mesmo as circunvizinhas dela, os “Makolos” não queriam perder a sua diversão, esse “Catxasso”. Pouco aos poucos, formava-se uma circunferência que mais tarde se metamorfoseou numa enorme multidão impercebível. Naquela casa as pessoas iam dois a dois, afinal onde comem um comem dois, e bem que chegassem diziam: “nmurrihe mwanamuko ou média”, essa era a forma que mandava vir aquele precioso líquido procuradíssimo naquela zona com as pessoas que ingeriam. Bebiam que bebiam, os terminados deitavam-se ali e os que conseguiam voltar a casa achavam o caminho e iam.

Acontece que, passava pela estrada um homem que saia de um lugar desconhecido, trajado de uma roupa simples, portava uma Sacola engordada e a cor de escuro. Apercebendo-se da multidão desvio a sua rota e entrou naquela casa. Parecendo bem-educado, ele cumprimentou e ficou ali pousando com os pés firmes demandando um refúgio. Os bons samaritanos serviram-no um copo que bateu a uma “corronete” logo que acabou disse: “hi ya ekacatxasso yela yotema ossiva, nkamurrueni monamuko”. A velha levantou e introduziu-se dentro e assim comprazeu a solicitação dele, o homem sentou-se com os demais, trocavam de garrafas e daquele liquido ao som de “manda-manda”.

Certo momento, o homem empeçou perder posição de sentar, segundos nem conseguia se estabilizar. Nwara Capura de tanto estar cansado de esperar o pagamento daquelas garrafas que chegavam cheio mas regressavam vazias nas mãos daquele senhor, disse: Mussiwassi, qui pagar tó, afinal, aquele senhor desde que chegara nenhum valor tirou como pagamento daquilo que estava a ingerir. “Nmani, mukurrumuwe murrima mi kinampagari pha, eu sou eu sou, não procupe se mama, ficar livre a vontade você, mama”. O homem trocava a língua local com o português no momento e hora que ele achava e não se preocupava com o atropelo da língua, falava da sua maneira. 

Os seus amigos e companheiros que naquele curto momento fez aconselhavam-no a pagar a quantia e que havia levado para evitar problemas mas ele parecia não compreender, nos gritos tornou-se fanfarrão e principiou a se gabar: “eu não vou fugir por causa disso que consumi; na minha casa tem muita coisa que posso vender e pagar; tenho cheio de cana-doces na minha machamba para fazer a minha bebida; tenho filhos doutores que podem indemnizar isso tudo”. “Nwara Capura” mantinha-se dizendo que não queria saber da vida e nem coisas dele, somente queria o pagamento dela. Arri! Estás a chatear, já não vou pagar: assim ele disse numa outra versão, afinal, o homem já estava terminado, por pouco perdera o caminho da sua casa e já estava a insultar toda gente que ali estava, ora já tencionava uma luta.

“Mas wena honakona ni malavi? Ou orrina murru wanepa wena?”: Assim se questionava a velha de forma formidável sobre atitudes daquele senhor que pareciam estar a acabar com a harmonia e festa que tinha se instaurado ali. Ficava difícil a velha saber nome daquele senhor e da sua casa porque quando chegou, olvidou se apresentar, a velha arrebatada perguntou se alguém conhecia o nome ou a casa daquele homem pelo menos. Um senhor que estava lá no fundo respondeu: MURRU WANEPA OYO, AVAKOPELAVALE.

Autor: Franklim de Manguião
Cabeça com problemas in crónicas  de amanher e por do sol
Maputo 06 de Abril de 2021

domingo, 21 de março de 2021

Grito Poético

GRITO POÉTICO

Eu sou poeta
Componho os meus poemas
Em versos e estrofes dedicadamente
Mas privilégios auferir não, amigão

Eu sou poeta
Rabisco os sentimentos nas métricas
Obrando nas figuras de estilos os sons rítmicas
Mas me é aplaudido e jamais trilho a frente

Eu sou poeta
Esforço-me de corpo e alma
Na calma do silêncio, irmão
Trago os factos sociais que são
Mas não me é valorizado, amigão

Eu sou poeta
Tenho que trovar, milhares de textos gavetados
Há falta de astúcias daqueles que tutelam
Pois, necessito somente de parco estímulo
E é doloroso contribuir na arte assim, amigão.

Autor: Franklim de Manguião
(A estilo de José Craveirinha, celebrando o 21 de Março)
Maputo - Matola C.

quinta-feira, 11 de março de 2021

UM PAI COMO TU NÃO HÁ IGUAL


UM PAI COMO TU NÃO HÁ IGUAL

Jamais soube de um pai como tu, pai
Jamais temei do seu amor que transborda por nós, pai
Jamais alguém se inquietou de família como tu, pai
Jamais irá seu selo de zelo dos nossos corações, pai 
Jamais vi um batalhador da vida como tu, pai
Jamais pai. És mais que um bom Samaritano, pai
Eternamente direi que um pai como tu não há igual, pai.

Autor: Franklim de Manguião.
(feliz por mais um ano de vida pai)
Maputo, 10 de Março de 2021.

segunda-feira, 8 de março de 2021

Saudades moram nas brincadeiras da infância

SAUDADES MORAM NAS BRINCADEIRAS DA INFÂNCIA

Pousado na inércia do espaço, fico morando nas saudades das brincadeiras do tempo que lá se foi e arrancou de mim sem nenhuma piedade. Há um orifício na minha cabeça que o tempo fez e lá estão entulhadas todas as brincadeiras da minha infância. Quando me lembro delas estremeço, os afectos tomam os ossos do meu esqueleto humano, perco a cabeça e entro no delírio que somente me é permitido sair enquanto os olhos banham as lágrimas que se metamorfoseiam de rio Zambeze.

Lembro-me das amizades que arquitectei com as pessoas que hoje ainda se movimentam por aí mas a distância não coadjuva e daquelas que tão cedo partiram mas jamais saíram do meu coração. Essas saudades são mais pesadas que as saudades da pessoa que tem do seu favorito veste que se espatifou há cincos anos. Afinal, “se recordar é viver” então recordar é mais que viver, na verdade há uma necessidade de se acrescentar o advérbio “mais” para robustecer a expressão.

As saudades ainda me fazem lembrar daqueles meninos, eu e os demais, das brincadeiras que tanto fizemos nos arredores do bairro Cololo, aliás, elas ocupavam o maior do nosso tempo naquele ensejo. Logo que alvorecia, corríamos ao campo para pendurar os Papagaios com aquela linha papagueada de Saco, depois corríamos nos Canteiros nos passos galopantes imitando o actor do “vingador da noite”, pois inspirava os nossos espíritos. Ao entardecer planejava-se para irmos “tombuzar” naquelas lindíssimas Valetas de águas pretas ou boleávamos aquele objecto que era encoberto de plásticos, panos e linha de algodão. Esperávamos torcendo até que anoitecesse para galhofarmos de “Saca”, “Polícia-ladrão” e “Esconde-esconde”, somente para elencar algumas brincadeiras. 

Há quem diz que o passou, passou ou mesmo o passado não tem relevância mas esquece que foi graças ao passado que está onde está e é tão infame a desvalorização do mesmo. O tempo passa e as coisas mudam, assim também dizem e de facto o tempo passou e muitas coisas mudaram mas jamais passam as saudades porque a cada ontem produzimos mais e muitas delas para lembrar, assim como hoje e mais um dia do futuro. E é desta forma que as saudades fizeram de mim uma ilha desértica, uma terra sem ninguém, movimentam-se apoderando-se de mais espaço em mim eternamente.

Autor: Franklim de Manguião.
(As saudades e a infância in crónicas do amanhecer e pôr do sol)
Maputo, 08 de Março de 2021.

domingo, 28 de fevereiro de 2021

Foi-se o sehor Co'licença (texto).

FOI-SE O SENHOR CO’LICENÇA

Quando tomei conhecimento da notícia não acreditei. Disseram-me que o senhor Co’licença tinha partido para o melhor. Fiquei equivocado: mas como! Conhecemo-nos por um curto tempo infelizmente, por causa de textos. Dai, meu corpo ganhou ferrugem de tantos arrepios que sentiu, as minhas mãos pararam de fazer os seus afazeres, lacrimejavam os olhos.

Não é possível! Disse logo, empesguei no meu “Itel”e pôs-me a navegar no Google com auxilio de um remo só para ter mais informação do ocorrido. Compenetrado que talvez as informações que me chegavam naquele momento eram faltas ou “memês”, já que a humanidade está cheio de isso. Cogitei mas deveria me contentar que o impossível torna-se possível. Aquilo era verídico, vi a Carta usar a cor de luto, o pessoal do “facebook” lamentar e mais, disse que um dos seus irmãos, partindo do mano Omardine, já havia confirmado do sucedido, justificando que um padecimento na perna que o vitimou. Hum! Nunca pensei que por uma pequena dor no dedo da mão alguém arruma as botas.

Mas a morte de toda cabeça grande que tem, será que não vê quem deve lhe levar? De tanto sentimento que tem, será que não sente dor? Se não, não congemina que os outros sentem? Ah! Essa não, porque não se leva a se mesma e nos deixa em paz? Porra!

E agora, foi-se o homem audacioso, o homem de falar hoje, o homem sem papas na língua. Muita bagagem de conhecimento que possuía o levou, apenas nos deixou com seus legados lindíssimos de textos e crónicas, aquelas que transbordavam nas redes sociais e na Carta. Ainda, levou sua forma de ser, seu estilo de escrita, seus dotes: “emi-pe-se; Cê-te-a; feicibuki; Pe-ge-er; Etecetera” e mais. Mas o que será de nós quando a cessarmos a Carta ou as redes sociais notarmos que lá o mundo não está pintado com seus magníficos textos? Lembras e saudades!

Autor: Franklim de Manguião
(meu adeus a ilustre Juma Aiuba)
Maputo, Fevereiro de 2021.

sábado, 27 de fevereiro de 2021

Eu ainda me lembro

EU AINDA ME LEMBRO

Eu ainda me lembro daquele menino
Que aterrou no mundo nos anos noventa
Filho da tia dona Matilde parecia Gaivota
Trouxe milhares de felicidades feita de hino

Eu ainda me lembro daquele menino
Que logo desmamou não tardou, achou o Sol
Começou a correr nos becos da Costa de sol
Nelas, viu a Lua peregrinar no peregrino

E eu ainda me lembro daquele menino
Hoje vê-lo camalear ao jardim da primavera
Colher as lindíssimas flores que tivera
Feliz aniversário: disse-o, num falar fino.

Autor: Franklim de Manguião
(feliz aniversario Tualufo)
Maputo, 24 de Fevereiro de 2021.

Por que a morte não se leva

POR QUE A MORTE NÃO SE LEVA

Além do salário do pecado que é a morte
É da humanidade uma grande desgraça
Somente pensa e faz aquilo que planeja
Tem sentimentos mas não sente a dor que causa  

Não avisa, não escolhe e somente carrega
Carrega a carrega de que mais amamos
Nos princípios, meio e fim das horas
Deixa-nos na gente agonizados e apavorados

Ah! A morte é mais que má e cruel
Naquele dia nos roubo nossos avôs 
Ontem os nossos pobres tios e então 
Hoje nosso último e único irmão

Leva-nos as tais pessoas e nada diz
Jamais nos mostra as últimas moradias
Para que possamos ir lá falar com eles.
Mas porque a morte não se leva a si mesma?

Autor: Franklim de Manguião
(Adeus Juma Aiuba) Maputo, 24 de fevereiro de 2021

Sem respostas

SEM RESPOSTAS 

Justifica-se o nosso nascimento?
Justifica-se a nossa morte?
Quereríamos ir a fundo para saber
Os enigmas desta vida

É misterioso por tanto nascer
As vezes se vivemos, as vezes se sofremos
As vezes se indagamos: viemos de onde
Onde vamos, por cima de tudo

Há quem fala e duvida das cantigas
Talvez sejam relevantes para consolar
Cantigas famosíssimas que estas são:
- Há vida depois desta vida

Difícil de negar, difícil de aceitar
Estas teorias de reencarnações
Viemos de pó e regressaremos de lá
Outra vida ou voltar a viver mas como?

Autor: Franklim de Manguião e Salvador Zeca
Ano: 2021 (perguntas sem resposta)

Que esse dia.

QUE ESSE DIA

Que esse dia seja diferente e fantástico 
Daqueles que já se foram, dos que virão ao céu
Hoje, todo sorriso de sol e lua somente será seu
Não desatenta para desperdiçá-la, pois é mágico

Ah! Se você nasceu por um propósito, realize 
Se nasceu para amar e completar que assim seja
Se nasceu para realizar um sonho que se faça
E se nasceu para contribuir no mundo, alce

Rogo a Deus que seus anos os acrescente
Pelo menos o triplo dos anos que hoje faz  
Viva a essência da vida decentemente

Pedi para a natureza cantarolar “parabéns a você”
Com a melhor melodia que te satisfaz:
- “Feliz aniversário Kátia”: digo na mercê.

Autor: Franklim de Manguião.
(feliz aniversário mor)
Maputo, 06 de Fevereiro de 2021.

sábado, 13 de fevereiro de 2021

Sou teu São Valentim

SOU TEU SÃO VALENTIM

Já fui padre nos dias que lá se foram
Por ter me apaixonado por ti, deixei
Não me arrependo em nenhum instante
Há mais sentido de vida ao seu lado

Sofri calúnias e eco que mundo carrega 
Há quem diz: foi um erro deixar de ser
Seguir seus encantos, passos e perfume
Mas Deus sabe por quê deu a Eva ao Adão

Presenteou-me a ti para sentir a paz
Experimentar o amor e a companhia
Avultar nosso ninho de semelhantes

Juntos os dias avultam-se de mais vida
Catorze de Fevereiro é dia mais lindo do ano
Em vida, hoje sou o teu são Valentim.

Autor: Ce Cedilha
14 de Fevereiro de 2021-02-14
Maputo-Polana Caniço A

quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Sereia Negra

SEREIA NEGRA

Sereia negra da minha terra
Mulher deslumbrante, carente
Amável, lindinha, fofinha
Sempre disposta a amar o mar

É sereia raia que desagua na terra
Saiu da água e tem casa raia
Olhos são pérolas cintilantes que ouro
Vestes são escamas que encobrem o corpo

Constituída por coração enorme
Seus tentes um “v” foi feito por um escultor
Sua voz suave é tão símil bem
Ao som das aguas que escorrem na cachoeira

Um andar só seu que perturba o ar
Tem pela negra por dentro a luz desofusca 
Mulher cuidadora do coração
Sereia negra da minha terra

Autor: Ce Cedilha
Sereias negras da minha terra 08 de Janeiro de 2021.
Xicajuanine-Maputo

Minha Monalisa II

MINHA MONALISA

Olhos lindos ao brilho de preto e branco
Cabelo curto de sisal natural da África
Nariz achatado e lábios estendidos na boca
Essa sua forma única de ser encanta os cantos

As tuas sobrancelhas diferem das celhas
As pestanas mostram o sorriso do rosto
Fizeram te bem e sem imperfeições, moça
Não és anjo mas sua veste parece rainha de véu

Não pareces morena de cabelos longos
Não pareces branca de cabelos lisos
E nem pareces indiana de cabelos esguios
Mas sim verdadeira negra de pele africana

Merece-te o ser, merece-te o olhar
Seu corpo está encarnado a deusa Meet
No meu, da Vinci encarnou em mim
Pinto teus passos a cada segundo do movimento

Autor: Franklim de Manguião
[aquele amor não era meu] Polana 20 de Janeiro

A culpa é toda minha.

A CULPA É TODA MINHA

Eu que não sei o que é  verdadeiro amor
Eu que não sei o que é sinceiramente horor  
Eu que somente causo de certeza a dor
Eu que não sei calmamente as cores da flor

Eu que não sei distinguir relacionamentos
Eu que confundo na vida todos sentimentos 
Eu troco amor a amizade até cumprimentos
Eu, por um olhar pela paixão a momentos

Eu que não sei os encantos dos enigmas
Eu confundo beleza externa do interior, mas
Eu segui sorrisos que se tornaram lamas
Eu provei um dia o amor e deixai lágrimas. 

Autor: Franklim de Manguião
[aquele amor não era meu] Polana 20 de Janeiro de 2021

Nosso livro de romance

NOSSO LIVRO DE ROMANCE

Jamais nos preocupou a passagem do tempo
Das coisas diárias da vida que passamos
Do mundo, das pessoas, do mar e de tudo
Apenas a preocupação é somente nossa

Nosso livro de romance não terá fim
Apenas teve um começo na paixão
Naquelas primeiras páginas brancas escritas
Mas a história continua constantemente

Neste romance há momentos de conflito
Há momentos de dor mas nada são
Apenas enredos cumprindo seus papéis

Está e a nossa história que inspira
Inspirará o mundo, inspirará o amor
Se pareceremos continuará a ser relatada.

Autor: Ce Cedilha
[esse amor não era meu] Polana dia 20 de Janeiro