Franklim de Manguião estudante e sonhador de ser escritor moçambicano

domingo, 6 de junho de 2021

É vez-veze as moças da banda (texto)

É VEZ-VEZ E AS MOÇAS A BANDA

Naquela zona (Madia) viviam um grupinho de jovens que ao andar do tempo viram seus corpos se alongarem e os queixos terem cabelos. Ali viviam moças e moços. Alguns imigravam para as cidades vizinhas a procura de melhores condições de vida e os que conseguiam, voltavam para a Banda e se casavam e os outros “txilavam” e assim que bastassem regressavam naquelas cidades. O que espantava foi que no meio desses jovens existiam alguns que se reputavam, humilhavam os outros jovens e usurpam de tudo e muito mais das moças da Banda.

Por tão estratégicos que eram, os moços logo que chegavam na Banda, organizavam uma aparelhagem enorme com vários funis gigantescos e colocavam aquelas músicas de Nicola Zacarias ou Leonard Dembo, ao tocarem eram irresistíveis de se escutar, amoleciam os corações e transportavam a mente para uma viagem sem voltas. Essa era uma forma de dizer: mwana a nece orua. O que estava detrás disso era de chamar todas moças da Banda e inclusive aquelas que tanto lhe rejeitavam quando não tinha nada. Bem que começava a soar o som na voz daqueles funis, as pessoas começavam a se aglomerar naquele lugar de forma faseada tendo como base a idade, as crianças iam de manhã, adultos a tarde mas quando o escuro engolia o mundo era a vez dos jovens.

Acontece que, António, filho de Nkarivo, fez o mesmo. Depois de doze meses sumido da zona, o jovem voltou e arquitectou um grande aparelho já mais visto naquela Banda. Tantas melodias se ouviam lá doutro lado, as pessoas quando perguntavam de onde vinha aquele som, os outros respondiam: wa Nkarivo, ayiwa mwane orua. Toda zona e de zonas circunvizinhas já não queria desperdiçar, os caminhos viraram para lá e naquele dia se pernoito a se dançar.

Naquele lugar estava uma moça tão linda, a sua pele assemelhava-se a cor de água fervida de Feijão Manteiga, olhos azuis do céu, as suas curvas dela jamais vista, sua forma de falar mais que uma Sereia e seu andar impercebível, chamava-se Joaquina. Mafioso era um jovem bonzinho e educado, a única coisa que o estragava era de não ter posses. Mafioso gostava da Joaquina, mas de tentadas batalhas de conquistas falíveis infelizmente, o jovem foi negado mas por uma única razão de sempre, não ter nada a oferecer.

António, apaixonadamente com as características da moça, mandou seu elencou para cuidarem de tudo, somente mais tarde vieram o chamar que a Joaquina queria falar pessoalmente com ele e assim sucedeu.

No meio daquela toda multidão da noite, Mafioso logo que girou a cabeça, deparou que António e a Joaquina estavam sentados numa gigante pedra lapidada a conversarem e os dentes também auxiliavam a conversa e, consequentemente o jovem concluiu tristemente o que deveria acontecer depois daquela conversa. Ai, o jovem perdeu ânimos, deu retaguarda e se apercebeu enquanto já estava na sua casa. Enquanto dormia ia pensado como aquele episódio seria pago mas disse no interior de si, afinal, o mundo funciona assim nem, mas amanhã eu também farei mais que isso porque É VEZ-VEZ.

Autor: FRANKLIM DE MANGUIÃO 
É vez-vez e as moças da Banda in as minhas Crónicas do amanhecer e por dos sol
Maputo Abril

Nenhum comentário: