MULOPWANA NA KASSAPRA
O mês de Junho tem sido um dos meses mais privilegiados na Vila dos “Aniworas”. Na Vila dos “Aniworas”, as pessoas se importam com Um de Junho, Vinte e Cinco de Junho, “Nhatal” e “Ana novo” mas o resto das datas e feridos lá tem sido dias simples para se fazer qualquer actividade. Nas vésperas do dia vinte e cinco, fez-se uma contribuição para se fazer uma festinha na casa de um anião do bairro dos “Aniworas”.
Neste dia, todas atenções estavam viradas na casa do ancião da vila. Ali estava uma multidão, com idades diferentes, dançavam-se as músicas da banda e valorizava-se as clássicas. Aos poucos começaram a servir tudo, começando pelos líquidos caseiros e mais tarde vinha a parte dos mantimentos. Ali conversava-se, bebia-se e dançava-se e os terminados procuravam uma almofada de árvore e se encostavam. O senhor Ehassi não se fez excepção. Organizou-se com a esposa e lá foram. Chegando, separara-se enquanto o homem ia para a parte dos homens iguais a esposa ia de outro lado das mulheres.
Na hora de manjar, as “mamanas” começaram a se movimentar numa forma de vaivém enquanto as mãos seguravam os pratos cheios de mantimento na forma de monte Namúli para servir a multidão, começando com os ditos senhores. Chegou a vez de senhor Ehassi. Quando ele foi entregue o seu prato com mantimento, deu uma velocidade abrindo o prato e caril para verificar se tinha “Kassapra” mas quando viu que não tinha o dito “Kassapra” mandou devolver o prato dizendo que não queria comer, justificando que não estava faminto. Como forma de o obrigar a aceitar a comida, os comparsas diziam: como assim se o senhor está aqui deste de manhã, come senhor.
Alias, este cresceu com seus mimos. Desde criança, na mesa ele chorava para coisas de grandes, “nhama” do papa e sempre que assim fazia, a mãe ou o pai o dava, até foi apelidado “na Kassapra” por ele gostar dessa parte de carne. No seu Lar, a sua esposa tinha todo menu, sabia que o “kassapra” deveria estar no prato do esposo e outro que restava deveria servir para dia seguinte, assim o fazia, ela poderia comer qualquer parte da carne de galinha mas excepto as duas “Kassapras”.
De facto, os comparsas estavam imbuída de razão mas somente a esposa sabia que o seu esposo não queria comer porque não o tinha servido “Kassapra”. Ele disse: vão falando, Ehassi levantou-se, despediu e foi-se embora.
Autor: Franklim de Manguião
O senhor Kassapra, 25 de Junho de 2021 – Maputo.
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