ONHONGA ELOBWAYE
O tempo passa tão veloz ao ponteiro da Tartaruga. A gratuidade absoluta solta ar seco e frio que condensa os corpos. Já é noite, noite é noite. As vezes o agasalho tem sido insuficiente para afugentar o frio. É notório que num come onde há dois corpos com sinais de mais e menos os cobertores são complementares porque o calor deve passar de molécula a molécula. O terceiro canto do Galo, gentes alvorecem grudados por uma cola indiana e somente se desgrudam porque há afazeres.
Noite é noite. As noites de inverno têm sido assim constante a maioria de gentes mas infelizmente tem sido um pesadelo para Dona Offi. Quando chega tempo de dormitório, a Dona Offi e Dono Oni chegam ao leito a uma crise. Os sinais diferentes de Imanes não se traem, é normal? Talvez em um dia ou dois dias mas constante não. E então, a dona Offi e dono Oni embrulham-se nos cobertores mas o calor dos mesmos é insuficiente, aproximam-se mas nada, beijam-se mas nada, procura forma de estimular o filho do meio mas nada – agora ya! “Ethabwa”. Mas como, “Elobó enhongueia”, mas não, talvez frio está de mais e vamos tentar amanhã – assim pensaram, adormeceram fechando os olhos e não as mentes.
É noite, mais outra noite. Erros e falhas são humanos quando acontecem uma vez mas constantemente, já não são. Dona Offi, aturar a cada dia de frio que a gratuidade absoluta faz, já não aguenta, saudades de sentir estão pesadas, elas pesam que pesam mais que “emi-pesa”. Lança berros de socorros: toda culpa é tua Oni. Ela já é a meritíssima juíza suprema, já sentenciou o caso. O réu fica sem palavras e não compreende nada de direitos e cala-se.
Como multa, a meritíssima mendiga passar uma das noites de inverso fora da casa. O réu é rebeldíssimo, rejeita a sentença, na verdade é doloroso cumprir uma sentença sem cometer crime. O réu troca as palavras e diz: a culpa é sua. Ela: mas como? Afinal, ela esqueceu-se que uma vez brigadas, a dona Offi pegara algumas linhas de roupas íntimas do Dono Oni para na casa de “Nhanga” para o tratar de modo ele a não se casar e nem se envolver em relacionamentos. Hoje quer que a coisa funcione. Epha! Feitiço virou contra a feiticeira como dizem – afinal, “omala onhonga elobwaye”.
Autor: Franklim de Manguião
[ Onhonga elobwaye in Crónicas do amanhecer e por do sol]
Nenhum comentário:
Postar um comentário