Franklim de Manguião estudante e sonhador de ser escritor moçambicano

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

1 DE JUNHO

1 DE JUNHO

Hoje decidi voltar ao tempo. Daquele tempo que já se foi a anos, este que me foi abrangido um dia mas teve que passar porque é seu ciclo e eu tive que ir além como forma de obedecer a lei da natureza. Eu morei num tempo que foi depois dos meus bisavôs, tempo das grandes produções daquelas terras que me viram nascer, onde a terra dava frutos, tempo das folhas verdes, tempo daqueles que cresceram comigo. Este tempo vai além das cheias do ano dois mil, tempo das ofertas. Eu sou do tempo em que um metical tinha três zeros. Tempo em que com cinquenta centavos pagávamos uma lata de leite de amendoim para manducar.

Eu venho do tempo em que estudos eram estudos, os alunos tinham terror dos professores na sala de aula. Sou do tempo e lugar em que nosso Lanche da escola saía de casa, tais como: “Mathui”, “Mihali”, “Txako”, “Bambahiya”, “Mapiyara” e mais, enquanto as raparigas colocavam no colo à escola, nós escondíamos numa mata que se localiza perto da escola. 

Eu estudei na escola onde vós estudais mas que outrora era coberto de capim, blocos puros de areia, tudo era material precária e até nossa vedação era feita de capim de elefante. 
Morei e estudei no tempo em que 1 de Junho era 1 de Junho. Eu sou do tempo em que dia como hoje, na nossa escola se pernoitava a galhofar e bailar “Macuaela”, “Pumpu”, Cassete.

Venho do tempo em que todo mundo fazia de tudo para passar almoço na escola. Comíamos que comíamos até que nossos sacos ficavam sem espaço para colocar mais mantimento. Eu sou do tempo em que na nossa comunidade era difícil encontrar refrigerante e cervejas. Ingeríamos somente sumo de “Jus” enquanto os mais velhos bebiam “Katxasso”.

Eu venho da terra em que dia como hoje matava-se “Mwaku”, os nossos feijões eram acompanhados por “Essima” e arroz tourado, a gente esquecia “Katxopwe”, “Pwinho”, “Ntikwa” e tudo era-nos diferente porque crianças ganhavam a liberdade. Mas o tempo passa mesmo e nós também enfrentamos.

Autor: CAPURRA

Minhas felicitações para toda crianças em especial aqueles que me conhecem.
01 de Junho de 2021 Maputo.  

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