Franklim de Manguião estudante e sonhador de ser escritor moçambicano

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

O menino Capura (texto).

O MENINO CAPURA

Naquela aldeia de Madia, morava um menino de nome Capura. Era humilde, obediente, brincalhão e por cima de tudo bem-educado. Ele era o mais velho dos três irmãos que tinha e que se chamavam Vick, Maurício e Fátima. Capura nasceu, cresceu numa família tradicional e foi educado por seus pais. A sua mãe era uma camponesa e seu pai também e um batalhador que sempre se preocupava com a sua família. O menino também era trabalhador, sempre foi enamorado pela escola. Nos dias laborais frequentava a escola, outras ocasiões ajuda a sua mãe nos trabalhos da casa e a Machamba.

“Muanaka, nmussuele ehipa ni caneta, oholo konssuwanheya”: Capura cresceu ouvido sua mãe proferir sempre essa frase. Todos dias despertavam no terceiro canto do Galo, pegava na Sacola Plástico contento lá os livros, assentava no ombro e de outro lado a enxada e iam a Machamba ajudar a sua mãe e assim que dá-se 9 horas, despedia-se dela, descia ao rio tomava banho depois subia a mastigava uma mandioca ao caminho e ia a escola e, sempre assim fazia.

A mãe do menino, sempre uma boa educação não lhe faltava para transmitir ao filho. Quando estavam assentados em casa nos momentos exactos, Capura era ensinado os bons valores morais, como por exemplo: respeitar os mais velhos, cumprimenta-los, não furtar coisas alheias, não brigar e até quando tivesse uma coisa de comer não poderia comer sozinho, era preciso compartilhar com os irmãos. 

O menino vivia numa zona de Erruma e caminhava para a zona de Madia, onde se localiza até hoje a escola. Por causa da distância longa que percorria da casa a escola, ficava fatigado, as vezes era coagido a ficar na casa da sua avó Fátima e ficava tempo que tencionava, já que morava perto da escola.

Bem que fosse a escola, por cansaço da distância optava pela casa do avó para repousar. Sempre os avôs gostam de todos netos desde que não lhes faltem com respeito, com Capura era o mesmo, os dois se simpatizavam. Ele quando chegava na casa da sua avó era muito afagado e se sentia mais que na sua própria casa, por sorte muitas vezes acertava qualquer coisa e por mais que fosse pequena enfiava nos bolsos e tinha que compartilhar em casa com meus irmãos.

Um belo dia, por sinal era verão, o menino ao sair da escola passa a casa da avó e por sorte deparou-se com uma carne saborosíssima de Porco que a sua avó comprara. O menino quando chegou, cumprimentou e ficou a se divertir, na hora da refeição foi chamada e serviram-no de comer, mas ele comia vagarosamente, fitando os demais e rezava que todos comessem e saíssem daquele lugar para que ficasse sozinho - aquilo lhe servia de estratégias - assim aconteceu. Aos poucos pegou uma parte da carne colocou numa folha e enfiou no bolso e foi a correr para casa. Quando chegou a casa intrometeu-se dentro para deixar os livros e foi logo onde estava a mãe para dar a carne para dividir para os outros irmãos. Os irmãos pareciam devorar a mão de tanta doçura da carne e a mãe sorria do orgulho dele por ter acatado os ensinamentos dela.

Autor: Franklim de Manguião

[A Educação da minha infância in textos dedicados a minha terra] Maputo 05 de Outubro de 2020.
NB: imagem real e direitos do autor reservados.

Mini-Dicionário

*Muanaka, nmussuele ehipa e ni caneta, oholo konssuwanheya=filho, estude e também conheça a enxada porque não se sabe do futuro.

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