AMOR DAQUELE TEMPO
Tivemos privilégio de passar a pubescência numa zona (Madia) do distrito (Namarrói) que fomos nascidos. Enquanto meninos, víamos tudo que jovens daquele tempo faziam.
Vivemos num tempo em que os Moços caçavam-se para um namoro nos lugares como: nas festas, nos aparelhos, no Pumpu, nos mercados de feira (como Wa Kikulele). Eles saiam para lugares de danças nas noites, enquanto os Putos (como nós) dormíamos, quando lá chegavam, havia cisão de géneros - espaço de Moços e outro de Moças. Há que lembrar que era um tempo que, se o Moço gostava duma Moça, para conquistar era preciso existir uma pessoa de confiança que servia de intermediária. Ademais, as amigas da tal Moça era uma óptima escolha já que se conheciam profundamente entre Moças e contavam-se segredos, mas quando era o amigo do amigo tinha que ter uma boa confiança.
O relacionamento era verdadeiro, depois da aceitação, não havia traições, não havia mentiras e tudo parecia um juramento. Na acção da relação, o homem era pedido que comprasse um Laço colossal que na altura custava 20 á 25 meticais que serviria para atar produtos alimentares para entregar o namorado naqueles momentos marcantes. Amendoim, Castanhas, “Mugoddho”, Bananas, Abacate, feijões, uffa! Coisas românticas. Se a Moça estivesse atarefada mandava uma criança de confiança para fazer a entrega. Entretanto, o Moço depois de retirar o produto que continha no Laço colocava 10 ou 20 meticais para entregar a moça como gentileza - no tempo em que dinheiro tinha peso. Portanto, os jovens daquele tempo namoravam de verdade.
Durava pouco para os parentes dos Moços saberem da relação. Bem que sabiam, a Moça era obrigada a fazer uma pequena apresentação do Moço mas não propriamente dita, somente para saberem que a filha namorava filho de Fulano x ou y e, os pais do Moço faziam o mesmo. Depois disto, parecia uma liberdade para todos, a Moça se despedia e ia na casa do namorado e, quando chegava lá coadjuvava a sua “mbua muana” em todas tarefas como: pilar “Magagadhas”, cartar água e cozinhar. Por outra, o Moço quando chegava na casa de “Moya” as suas tarefas eram: construir copas, celeiros, cortar lenhas e todas aquelas tarefas que os homens podem fazer.
O amor daquele tempo era verdadeiro, os protagonistas não se olhavam a cara, os bolsos e agora se entende que o mundo já não é aquele do meu tempo.
Autor: Franklim de Manguião
[O amor daquele tempo in textos para minha terra (Madia)] 29 de Agosto de 2020-Maputo
Mini- dicionário Deste modo, todo aquele que realmente pensa por si é como um monarca — sua posição é absoluta, não
reconhece ninguém acima de si.
1. Wa Kikulele= mercado de feira que só abre nos Domingos;
2. Mugoddo= bolo feito de farrinha de arroz;
3. Mbua muana= sogra; Moya= sogro;
4. Magagadha= mandioca seca;
5. Pumpu= dança tradicional.
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