Franklim de Manguião estudante e sonhador de ser escritor moçambicano

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Poema de amor

POEMA DE AMOR 

Nesta linha da recta sem fim
Neste canto, cantinho do além 
Neste silêncio que silencia a alma
Contemplo-te nas reminiscências 

No pedregulho com tinta rupestre 
Movida com a alma do Afrodite 
Nestas linhas deste cayer. Por favor 
Deixe-me compor este poema de amor.

Autor: Ce Cedilha.
Um poema de amor e outros escritos 
MS. 6.12.2025. 

sábado, 22 de novembro de 2025

CABRITISMO

CABRITISMO 

O Cabritismo não é um bem, mas um mal
Um mal que ceifa os nossos únicos valores 
Valores morais, sociais, culturais de brutal
Oculta o homo e expõe o narcisismo à favores 

Devasta, aniquila e as tais acções corrompeu 
Não só ensina a comer onde está amarrada
Aproriar-se da cerca, a desdenhar o outro eu
A olvidar que somos inquilinos nesta morada.

Autor: Franklim de Manguião 
Cabritismo e outros textos. MS 22.11.2025.

quinta-feira, 12 de junho de 2025

Só pode ser Makumba

SÓ PODE SER MAKUMBA

Mas por que é que quando penso no amor
O meu fio de pensamento pensa logo em ti
Mesmo sem querer em pinguinhos pensar-te
Somente só na mais palavra humilde: Amor?

Mas por que é que quando penso em mulher
Na minha mente logo aparece a sua imagem
Sem esforço que faço, intuitivamente lá vem
Se há mais imagens vividas que posso colher?

Mas por que é que quando penso bem nela
Sei lá, meu circuito é desviado sem demora
Mora nesse vuku-vuku a pensar em ti, hei-la?

Será que o amor só faz sentido em te pensar
O mais perfeito da palavra mulher em ti mora 
E nela? Isso só pode ser Makumba a sanzar.

Autor: Ce Cedilha 
Os poemas do nascer do sol e outros textos
12.06.2025. Maduvula-II.

domingo, 6 de abril de 2025

DESPEDIDA

DESPEDIDA 

"— Bom dia, minha vida! Vim informar que estou no Hospital num estado grave se acontecer algo comigo peço-te para cuidar bem da nossa filha, por favor, ti amo." – era o conteúdo da mensagem que estava a entrar no dispositivo móvel, aquele objecto que o homem de tanto racional que é resolveu chamar de celular android, aliás, semartphone. Passavam cinquenta e seis minutos da hora seis quando o dispositivo tocou. 

O jovem puxou no dispositivo móvel com as ressacas que tivera de tanto estar entregue ao sono, não se preocupara tanto, pois pensou que aquele toque de mensagem tratara-se de uma simples, como daqueles nabos que mandam mensagens em massa a convidar que adiram jogos de azar, talvez mensagens do "emi-peza" e "é-mola" a informar para ter cuidado com as palavras-passe mesmo em contas zeradas. 

Correra logo pelo conteúdo da mensagem sem se preocupar com o ou a remetente em primeiro lugar, a mensagem era aquela. Estranhou, as batidas do coração começaram a acelerar quase que sair do seu próprio lugar. "— É estranho isso, será que estou a ver ou a ler mal a mensagem?!" - admirou-se, questionou-se ele logo, apertou no "pawa" do dispositivo e logo colocou o ecrã no "standi bai".

O conteúdo da mensagem deixou o jovem equívocado, perplexo e sem rumo. Voltara a apertar o "pawa", retirou logo o padrão dele correu nas mensagens novamente para poder ver de quem era a remetente, era amada dele, aquela jovem que juraram um dia partilhar o teto, os planos, os sabores, os prazeres e tudo enquanto a vida lhe der e durar. "— Não é possível, disse logo ele com uma vozinha sem fôlego. Como assim? O que está acontecer? Desde quando? Por que isso logo? – a cada segundo que passava as perguntas se amontoavam formando a pirâmide mais alta do Egipto.

"— O saldo da sua conta é insuficiente para efectuar a chamada, por favor, recarregue a sua conta"- xee como assim, retorquiu ele.

"— Digite um para fazer txuna crédito de cinco meticais e pagares na tua próxima recarga.  O teu saldo não é suficiente para efectuares uma chama... nenhum opção foi selecionada por favor recarregue a sua conta e tenta novamente" - mas como assim, de novo?

Eram as respostas dadas quando tentou discar o número da moça e por inexistência de crédito naquele exacto momento. "— E se for verdade esse conteúdo da mensagem? O que será de mim? Na família dela serei visto como o culpado. E a nossa tal filha, pobre coitada de dois anos e meio. Ham, não! Se isso acontecer eu não irei me perdoar." 

De perguntas em perguntas ainda continuara a crescer no âmago da sua cachimónia. Não bastava a inexistência de crédito. A distância constituira mais um motivo de não conseguir apurar a veracidade dos factos. A cada momento e segundos que passara ficava mais triste, não parava de lamentar e as lágrimas começavam a brotar nos seus minguantes olhos que a sua força era transmitida pelo coração. 

Viera-lhe uma luz no fundo do túnel. Havia lhe restado as únicas migalhas de centavos no "é-mola". Digitou aquele código, de seguida apareceu-lhe sessão USSD iniciada. Em poucos minutos comprara aqueles contados minutos. Porém as batidas do coração não paravam de acelerar enquanto espera as mensagens de confirmação da compra. Mal que foi confirmada a transação, vasculha o número dela, disca e segundos depois:
— Alô mor! 
— Alô! Tudo bem contigo?
— Estou sim e para ti?
— Estooouu bemmmm também. Estás aonde? - rematou sem demora.
— Em casa.
 O jovem respirou fundo. O coração parou de acelerar, enxugou as poucas lágrimas que haviam brotado e relaxou. 
— Já aquela mensagem que mandaste? - inquiriu.
— Que mensagem? - perguntou ela num sarcasmo e continuou, assim levou a sério? Mas tu não sabes que hoje é dia de mentira?
— Ham! Mas olha, brinca bem ouviu...

Autor: CE CEDILHA.
Esse dia vai nos criar problemas - in cápsulas do tempo e outros textos.

sexta-feira, 21 de março de 2025

A FORÇA DA POESIA

A FORÇA DA POESIA

Nada é tão lindo que cruzar palavras
Expressar sentimentos em parelhas rimas
Expressar uns amores e outros desamores
Expressar verdades sem afroixar som humano

Nada é tão lindo que compor frases
De conto contar um ponto de fuga social
De conto contar iniquidades, violências e
Caos porque de caos este mundo é um caos

Nada é tão lindo que formar versos 
Versos que dizem e os que nada dizem 
Para exibir a satisfação e insatisfação

Nada é tão lindo que formar estrofes
Para exibir a nossa imbecilidade
Inoscencia da nossa mastrubacao mental.

Autor: Franklim de Manguião 
"Quem disse que um poeta morre?" in cápsulas do tempo e outros textos.
Maduvula-II, 21032025.

quarta-feira, 9 de outubro de 2024

PERDOE-OS

PERDOE-NOS, OH PAI

Oh pai das indústrias alcoólicas
Perdoe-nos das nossas vicissitudes desta vida
Tão frágeis e paupérrimos são os nossos corações
Somos irresistíveis a esses sabores espumadas

Oh pai das indústrias alcoólicas
Sabemos muito bem dos códigos de hamurambi
Àquelas decretadas nas garrafas que só dezoito
Mas tão bom é a Savana, 2M, a Mânica e o Lord Gin

Ignoramo-las pois não resistimos espumas no copo
Bebemo-las para amainar as tristezas e achar a paz
Também por imitação ou procuramos a diversão
Mas perdoe-nos, Oh pai das indústrias alcoólicas.

Autor: Franklim de Manguião
(Não vender bebidas alcoólicas aos menores de 18 anos)
Maputo, aos 24 de Dezembro de 2021.

A CONFISSÃO

A CONFISSÃO 

Errei sim errei, confesso; 
Fiz coisas nesta terra infazíveis;
Labiritei num labirinto dos infalíveis; 
No vácuo deixei a cabeça do caraças ao acaso.

Errei sim errei, confesso; 
Fiz lacrimejar lágrimas dos "kotas";
Por ocultar verdades cruas todas;
Deixei de ser bozinho, confiado, exemplo e criei alta tensão em excesso.

Nem penso em me suicidar, mano;
Nem abandonar a minha família divina;
Então sou humano se errar é humano.

E rogo a Deus que meus dias acrescem;
Para que possa pagar cá na terra salina;
Cada erro por mim cometido e sentem.

Autor: Ce Cedilha.
A Confissão in textos do calabouço.
(Maduvula-II, VIII, Set.2024)