DESPEDIDA
"— Bom dia, minha vida! Vim informar que estou no Hospital num estado grave se acontecer algo comigo peço-te para cuidar bem da nossa filha, por favor, ti amo." – era o conteúdo da mensagem que estava a entrar no dispositivo móvel, aquele objecto que o homem de tanto racional que é resolveu chamar de celular android, aliás, semartphone. Passavam cinquenta e seis minutos da hora seis quando o dispositivo tocou.
O jovem puxou no dispositivo móvel com as ressacas que tivera de tanto estar entregue ao sono, não se preocupara tanto, pois pensou que aquele toque de mensagem tratara-se de uma simples, como daqueles nabos que mandam mensagens em massa a convidar que adiram jogos de azar, talvez mensagens do "emi-peza" e "é-mola" a informar para ter cuidado com as palavras-passe mesmo em contas zeradas.
Correra logo pelo conteúdo da mensagem sem se preocupar com o ou a remetente em primeiro lugar, a mensagem era aquela. Estranhou, as batidas do coração começaram a acelerar quase que sair do seu próprio lugar. "— É estranho isso, será que estou a ver ou a ler mal a mensagem?!" - admirou-se, questionou-se ele logo, apertou no "pawa" do dispositivo e logo colocou o ecrã no "standi bai".
O conteúdo da mensagem deixou o jovem equívocado, perplexo e sem rumo. Voltara a apertar o "pawa", retirou logo o padrão dele correu nas mensagens novamente para poder ver de quem era a remetente, era amada dele, aquela jovem que juraram um dia partilhar o teto, os planos, os sabores, os prazeres e tudo enquanto a vida lhe der e durar. "— Não é possível, disse logo ele com uma vozinha sem fôlego. Como assim? O que está acontecer? Desde quando? Por que isso logo? – a cada segundo que passava as perguntas se amontoavam formando a pirâmide mais alta do Egipto.
"— O saldo da sua conta é insuficiente para efectuar a chamada, por favor, recarregue a sua conta"- xee como assim, retorquiu ele.
"— Digite um para fazer txuna crédito de cinco meticais e pagares na tua próxima recarga. O teu saldo não é suficiente para efectuares uma chama... nenhum opção foi selecionada por favor recarregue a sua conta e tenta novamente" - mas como assim, de novo?
Eram as respostas dadas quando tentou discar o número da moça e por inexistência de crédito naquele exacto momento. "— E se for verdade esse conteúdo da mensagem? O que será de mim? Na família dela serei visto como o culpado. E a nossa tal filha, pobre coitada de dois anos e meio. Ham, não! Se isso acontecer eu não irei me perdoar."
De perguntas em perguntas ainda continuara a crescer no âmago da sua cachimónia. Não bastava a inexistência de crédito. A distância constituira mais um motivo de não conseguir apurar a veracidade dos factos. A cada momento e segundos que passara ficava mais triste, não parava de lamentar e as lágrimas começavam a brotar nos seus minguantes olhos que a sua força era transmitida pelo coração.
Viera-lhe uma luz no fundo do túnel. Havia lhe restado as únicas migalhas de centavos no "é-mola". Digitou aquele código, de seguida apareceu-lhe sessão USSD iniciada. Em poucos minutos comprara aqueles contados minutos. Porém as batidas do coração não paravam de acelerar enquanto espera as mensagens de confirmação da compra. Mal que foi confirmada a transação, vasculha o número dela, disca e segundos depois:
— Alô mor!
— Alô! Tudo bem contigo?
— Estou sim e para ti?
— Estooouu bemmmm também. Estás aonde? - rematou sem demora.
— Em casa.
O jovem respirou fundo. O coração parou de acelerar, enxugou as poucas lágrimas que haviam brotado e relaxou.
— Já aquela mensagem que mandaste? - inquiriu.
— Que mensagem? - perguntou ela num sarcasmo e continuou, assim levou a sério? Mas tu não sabes que hoje é dia de mentira?
— Ham! Mas olha, brinca bem ouviu...
Autor: CE CEDILHA.
Esse dia vai nos criar problemas - in cápsulas do tempo e outros textos.