GRITO DE MENINO DA RUA
Vivo na rua, não sei se é destino;
Meu celeiro é lixeira, produtos crua;
Minha vida somente Deus cuida;
Ah! Esta pesada vida coração lacrimeja;
Passo todas as estações de ano aqui;
Mesmo que faça sol e chuva cá estou;
Vivo de esmolas daquele que têm piedade;
Cresci e envelheço tanto aqui nesta rua;
Estou habituado de vestir o mesmo trapo;
O que estava limpo há cinquenta anos;
São placas de caixa meus cobertores;
E vivo de esgoto de águas que cá passa;
Queria ser como outros meninos;
Ter família, casa, mimos, até ir a escola;
Viver tudo de bom, mas não tenho onde ir;
Dou graças à Deus gente que me dá esmola.
Autor: Ce Cedilha
Grito de um menino de rua
Maputo [terras quentes] 25/11/2019