REFLEXÃO: O SONHO DOS PEQUENOS ESCRITORES EM MOÇAMBIQUE
Moçambique tem vindo a ser um pólo cultural e com ratificação a nível internacional por causa da sua diversidade cultural nos campos da arte como: arquitectura, pintura, música e literatura. Ademais, há que citar aqui alguns nomes que constituem ícones como: Malagantana, José Craveirinha, Mia couto, Paulina Chiziane e mais representam-no na diáspora.
É de admirar o espírito artístico e de criatividade que Moçambique frui. Adicionalmente, a maior dos jovens possuem talentos cintilantes mas tem sido pouco feito em termo de políticas por parte do ministério que tutela para valorizar esses talentos. No entanto, há que considerar como um desperdício notável.
Abordando fundamentalmente a parte literária, de uma forma particular por constituir o motivo desse artigo, é triste que um pequeno escritor ou autores vive neste país, por falta de apoios e ponderação por partes daqueles são competentes da área. Muitos são enlevados e possuem textos bem elaborados ou melhores mas por falta de oportunidades de como publicá-los acabam putrefazendo na gaveta. A escritora Paulina Chiziane, no jornal O País, afirmava que “ A questão do livro em Moçambique é muito seria… produzimos produto cultural, mas quem é o editor ou o livreiro?,” isso mostra quão é difícil quando se trata de lançamento de um livro. A maioria dos ícones da literatura os seus livros são editadas com editoras de fora, e constitui um lamento que muitos livros moçambicanos serem editados fora do mesmo. Estamos a caminhar sem saber até quando deixaremos de exportar nossa própria matéria-prima para ser transformada no exterior e ser-nos vendida a altos preços.
A maioria de pequenos escritores ficam sem saber que existem editoras em Moçambique, se sabem, não sabem quantas existem, não sabem como funcionam, para se ser mais claros não sabem quanto custa a edição e publicação de uma livro pelo menos literário de 20 páginas - que triste. Parece que elas ficam a espera que os interessados vão até a elas interrogarem. Questiona-se o porquê do silêncio das editoras em Moçambique. Entretanto, temos visto nos países como Angola, Brasil, Portugal etc a fazerem publicidade das suas editoras, muito mais quando se trata de buscar novos talentos. Elas fazem de várias maneiras: pode ser através de publicações de editais para antologias onde qualquer autor do país ou fora pode participar independentemente da posição social ou condições financeiras, ou seja, é tudo grátis. Por outra, se um escritor ou autor não tem condições de publicar os seus textos é auxiliado no sentido dele trabalhar com a editora, recolhe-se os textos produz-se a obra, edita-se e faz se tudo, as duas partes fazem a promoção e venda e no fim pode ser que o escritor ganhe pouco mas coisa fica bem concretizada - ter pelo menos um livro publicado, que é sonho de muitos escritores pequenos. Em Moçambique isso está longe de suceder, talvez na arte musical tem se notado o contrário onde os pequenos músicos têm sido promovidos, mas aflige ver um menino de 10 anos do Brasil com livros publicados e um jovem moçambicano não.
O que está por detrás de Moçambique para que os sonhos de pequenos escritores estejam a desmoronar? Talvez para publicar um livro em Moçambique deve ser filho ou sobrinho de escritor. Talvez para publicar um livro em Moçambique deve ser milagre, é assim que muitos jovens cogitam e desprezam a área da literatura.
Quem publica livro em Moçambique é alguém com bem condições finaceiras. Portanto, os sem condições continuem a escrever enquanto esperamos talvez milagre, se não então a nossa editora será a “facebook” ou redes sociais e tudo será como diversão que gemido.
Autor: Franklim de Manguião
[Uma reflexão sobre o sonho dos pequenos escritores em Moçambique in artigos de Opinião] Maputo 11 de Setembro de 2020.