Franklim de Manguião estudante e sonhador de ser escritor moçambicano

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Ser mulher

SER MULHER

Ser mulher é colocar-se no lugar nobilita
É ser verídica, crescida, cuidadosa e valorizar-se
Sabe que já é o momento autêntico, respeitar-se
Carácter, dádiva de Deus disso sabe e desvenda

Retém beleza corporal sem transmutar no “Boate”
Dificilmente propaga lágrimas a ninguém 
Realmente não se outorga a homens de vaivém
Elege um da sua vida e o enaltece duravelmente

De ser feliz, procura soluções das suas dificuldades
Nem roupas de marcas, moda são coisas passageiras
O futuro recompensará tudo: assim acredita a miras 
Rabisca propósitos, não assarapanta só maturidades

Sabe que corpo não se vende a leilão
Conquista tudo de negócios, suor e esforço 
Sabe que estudo é único trilho para o sucesso
Que leva lugares longínquos até então.

Autores: Quinérica Pelembe e Ce Cedilha.

sábado, 12 de setembro de 2020

O sonho dos pequenos escritores em Moçambique (texto)

REFLEXÃO: O SONHO DOS PEQUENOS ESCRITORES EM MOÇAMBIQUE
 
Moçambique tem vindo a ser um pólo cultural e com ratificação a nível internacional por causa da sua diversidade cultural nos campos da arte como: arquitectura, pintura, música e literatura. Ademais, há que citar aqui alguns nomes que constituem ícones como: Malagantana, José Craveirinha, Mia couto, Paulina Chiziane e mais representam-no na diáspora.

É de admirar o espírito artístico e de criatividade que Moçambique frui. Adicionalmente, a maior dos jovens possuem talentos cintilantes mas tem sido pouco feito em termo de políticas por parte do ministério que tutela para valorizar esses talentos. No entanto, há que considerar como um desperdício notável.

Abordando fundamentalmente a parte literária, de uma forma particular por constituir o motivo desse artigo,  é triste que um pequeno escritor ou autores vive neste país, por falta de apoios e ponderação por partes daqueles são competentes da área. Muitos são enlevados e possuem textos bem elaborados ou melhores mas por falta de oportunidades de como publicá-los acabam putrefazendo na gaveta. A escritora Paulina Chiziane, no jornal O País, afirmava que “ A questão do livro em Moçambique é muito seria… produzimos produto cultural, mas quem é o editor ou o livreiro?,” isso mostra quão é difícil quando se trata de lançamento de um livro. A maioria dos ícones da literatura os seus livros são editadas com editoras de fora, e constitui um lamento que muitos livros moçambicanos serem editados fora do mesmo. Estamos a caminhar sem saber até quando deixaremos de exportar nossa própria matéria-prima para ser transformada no exterior e ser-nos vendida a altos preços.

A maioria de pequenos escritores ficam sem saber que existem editoras em Moçambique, se sabem, não sabem quantas existem, não sabem como funcionam, para se ser mais claros não sabem quanto custa a edição e publicação de uma livro pelo menos literário de 20 páginas - que triste. Parece que elas ficam a espera que os interessados vão até a elas interrogarem. Questiona-se o porquê do silêncio das editoras em Moçambique. Entretanto, temos visto nos países como Angola, Brasil, Portugal etc a fazerem publicidade das suas editoras, muito mais quando se trata de buscar novos talentos. Elas fazem de várias maneiras: pode ser através de publicações de editais para antologias onde qualquer autor do país ou fora pode participar independentemente da posição social ou condições financeiras, ou seja, é tudo grátis. Por outra, se um escritor ou autor não tem condições de publicar os seus textos é auxiliado no sentido dele trabalhar com a editora, recolhe-se os textos produz-se a obra, edita-se e faz se tudo, as duas partes fazem a promoção e venda e no fim pode ser que o escritor ganhe pouco mas coisa fica bem concretizada - ter pelo menos um livro publicado, que é sonho de muitos escritores pequenos. Em Moçambique isso está longe de suceder, talvez na arte musical tem se notado o contrário onde os pequenos músicos têm sido promovidos, mas aflige ver um menino de 10 anos do Brasil com livros publicados e um jovem moçambicano não.  

O que está por detrás de Moçambique para que os sonhos de pequenos escritores estejam a desmoronar? Talvez para publicar um livro em Moçambique deve ser filho ou sobrinho de escritor. Talvez para publicar um livro em Moçambique deve ser milagre, é assim que muitos jovens cogitam e desprezam a área da literatura. 

Quem publica livro em Moçambique é alguém com bem condições finaceiras. Portanto, os sem condições continuem a escrever enquanto esperamos talvez milagre, se não então a nossa editora será a “facebook” ou redes sociais e tudo será como diversão que gemido. 

Autor: Franklim de Manguião
[Uma reflexão sobre o sonho dos pequenos escritores em Moçambique in artigos de Opinião] Maputo 11 de Setembro de 2020.

Amor tem lágrimas

AMOR TEM LÁGRIMAS

Há uma vontade de cantar a gritos
A gente coberto de paredes por dolênciar
Por algo jamais divisaremos até a morte abeirar
Somente e tanto sentimos por sentimentos

A toa não é, Camões compôs o poema da dor
Pois “a dor que desatina sem doer” agoniza
Acarreta  lágrimas que banham rosto mesmo do Alteza
O tempo faz o coração e faringe de detentor  

A culpa tem sido do causador que causa dor
A gente ama sem pensar nas consequências
E a invasão resulta, somente são lágrimas sem cor

O grito produz sonância jamais ninguém escutou
Perde-se estilo, perde-se rumo, perde-se existências
Quem nunca chorou de amor ainda não amou.

Autor: Ce Cedilha.
(quem nunca chorou de amor ainda não amou)
Maputo S. Dâmaso, 10 de Setembro de 2020.

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Não vamos te esquecer

NÃO VAMOS TE ESQUECER

Por tudo que fez não vamos te esquecer 
Sobre bem deste Moçambique que hoje residimos
Quis sucumbir a opressão e semear Paz que queríamos
Usufruímos devaneios seus que estão a engrandecer

Por tudo que fez não vamos te esquecer
Deu a sua vida para o bem desta nação
Do sentimentalismo da vida que a fez de lição
Por justa causa soltou escritório para combater 

Por tudo que fez não vamos te esquecer
Arquitectou esta nação com suas aspirações
Mostrou ser possível disputar e  bem vencer

Vão-se os tempos, não na memória de Moçambique
Jovens espelham-se nas suas acções
E seu mandamento: Lutar por Moçambique.

Autor: Franklim de Manguião
[Centenário de Eduardo Mondlane] Maputo

Pensar no Moçambique

PENSAR NO MOÇAMBIQUE

É pensar naquele que nasceu na década de vinte
Naquela pequena humilde vila de Manjagaze
Como um jovem qualquer mas com incumbência
Esta incumbência que quão cedo o desvendou

É pensar naquele que passou obstáculo, vexações
De Ciganas que larapiavam os bens da nossa terra
Com carisma, uniu forcas e tribos para libertá-lo
Deram a vida pela Paz e pegaram as armas

É pensar naquele que sonhou com Moçambique
Naquele que deu tudo e morreu combatendo
Resguardou, erigiu com garra, sangue e suor
Pensar no Moçambique é pensar no Mondlane. 

Autor: Franklim de Manguião

Mas como assim (texto)

MAS COMO ASSIM

Estava naquele lugar, tudo diferente. Admirava as belas paisagens que havia, parecia não ser lugar que um dia fez parte do meu mundo, percorrido na infância fazendo daquelas recreações gravadas nas memórias para sempre. Admirei, tudo mudou de dia para dia, nem se quer Becos, todas casas electrizadas, estradas de asfalto, boas Pontecas, água potável, não havia mata, tudo melhor, e a única coisa que restava é a essência.

Recordo-me ao chegar ser bem acolhido, os sorrisos de gentes estavam expostos ao céu, senti, passava tempo que jamais voltara, até os pássaros cantavam boas vindas. Fui servido aquela comida local como de sempre quando alguém chega: Arroz da Machamba acompanhado com Galinha a “Cafreal”, outra refeição “Xima” acompanhada com carril de “Mutxorró”, assim fui dito com minha sobrinha nas escondidas, os bolsos transbordavam “Muarrigó”, de outro lado a tia assava Amendoim e Castanhas para depois daquela refeição.

Saí para dar voltas e senti-me tão só porque os meus amigos da infância eram pais e responsáveis, “o tempo passa mesmo e as coisas mudam”- dizia isso ao caminhar naqueles caminhos que somente aos poucos me lembrava. O tempo, lembro-me ter saído a casa da minha avó no Madia, mas antes passei naquele caminho da Igreja com dois fins: ver a mesma e passar na casa da Madalena.

Bem que comecei a marcha, tudo estava discrepante naquele caminho. A Igreja que deixava em construção parecia não ser construída com blocos de areia queimados, sem dizer do reboco que foi feita parecia uma “Igreja Romana” edificada por “Alexandre Magno”, calei a boca. E mais, passei na casa da Madalena, a moça que eu sempre admirei na minha infância, deparei-me sentada na esteira servil com duas crianças e um jovem por sinal a almoçarem. Quis saber quem era aquele, disseram-me que era o marido. Coração malhou a ponto de sair de lugar e disse no interior de mim: mas, mas como assim…e despertei.

Autor: Franklim de Manguião.
[A força de sonhar 02 de Agosto de 2020 – Maputo].

Mini-vocabulário:

1. Mutxorró= Rato da machamba/campo;
2. Muarrigó = arroz torrado;
3. Madia = zona que pertence ao distrito de Namarrói (terra natal)
4. Cafreal = Galinha local.

Amor daquele tempo (texto).

AMOR DAQUELE TEMPO

Tivemos privilégio de passar a pubescência numa zona (Madia) do distrito (Namarrói) que fomos nascidos. Enquanto meninos, víamos tudo que jovens daquele tempo faziam.

Vivemos num tempo em que os Moços caçavam-se para um namoro nos lugares como: nas festas, nos aparelhos, no Pumpu, nos mercados de feira (como Wa Kikulele). Eles saiam para lugares de danças nas noites, enquanto os Putos (como nós) dormíamos, quando lá chegavam, havia cisão de géneros - espaço de Moços e outro de Moças. Há que lembrar que era um tempo que, se o Moço gostava duma Moça, para conquistar era preciso existir uma pessoa de confiança que servia de intermediária. Ademais, as amigas da tal Moça era uma óptima escolha já que se conheciam profundamente entre Moças e contavam-se segredos, mas quando era o amigo do amigo tinha que ter uma boa confiança.

O relacionamento era verdadeiro, depois da aceitação, não havia traições, não havia mentiras e tudo parecia um juramento. Na acção da relação, o homem era pedido que comprasse um Laço colossal que na altura custava 20 á 25 meticais que serviria para atar produtos alimentares para entregar o namorado naqueles momentos marcantes. Amendoim, Castanhas, “Mugoddho”, Bananas, Abacate, feijões, uffa! Coisas românticas. Se a Moça estivesse atarefada mandava uma criança de confiança para fazer a entrega. Entretanto, o Moço depois de retirar o produto que continha no Laço colocava 10 ou 20 meticais para entregar a moça como gentileza - no tempo em que dinheiro tinha peso. Portanto, os jovens daquele tempo namoravam de verdade.
 
Durava pouco para os parentes dos Moços saberem da relação. Bem que sabiam, a Moça era obrigada a fazer uma pequena apresentação do Moço mas não propriamente dita, somente para saberem que a filha namorava filho de Fulano x ou y e, os pais do Moço faziam o mesmo. Depois disto, parecia uma liberdade para todos, a Moça se despedia e ia na casa do namorado e, quando chegava lá coadjuvava a sua “mbua muana” em todas tarefas como: pilar “Magagadhas”, cartar água e cozinhar. Por outra, o Moço quando chegava na casa de “Moya” as suas tarefas eram: construir copas, celeiros, cortar lenhas e todas aquelas tarefas que os homens podem fazer.

O amor daquele tempo era verdadeiro, os protagonistas não se olhavam a cara, os bolsos e agora se entende que o mundo já não é aquele do meu tempo. 

Autor: Franklim de Manguião
[O amor daquele tempo in textos para minha terra (Madia)] 29 de Agosto de 2020-Maputo

Mini- dicionário Deste modo, todo aquele que realmente pensa por si é como um monarca — sua posição é absoluta, não
reconhece ninguém acima de si.

1. Wa Kikulele= mercado de feira que só abre nos Domingos;
2. Mugoddo= bolo feito de farrinha de arroz;
3. Mbua muana= sogra; Moya= sogro;
4. Magagadha= mandioca seca;
5. Pumpu= dança tradicional.