Franklim de Manguião estudante e sonhador de ser escritor moçambicano

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Egoísmo moral em A. Schopenhauer (Ensaio).

EGOÍSMO MORAL EM ARTHUR SCHOPENHAUER

Há sempre pessoas que pensam que a virtude – fazer o bem - é algo que se aprende numa instituição de ensino, e que deve-se ensinar as crianças a serem virtuosos, mas se formos a fazer uma análise crítica podemos chegar a conclusão que essas pessoas podem estar enganadas. Na verdade, ninguém ensina alguém a ser virtuoso, a virtude é algo estéril, ou seja algo que não se ensina, como afirma Schopenhaeur que "esperar que os nossos sistemas de moral e as nossas éticas possam tornar os homens virtuosos, nobres e santos, é tão insensato como imaginar que os nossos tratados sobre estética possam produzir poetas, escultores, pintores e músicos" (SCHOPENHAUER, 20--?: 41). Entretanto, ser ou fazer algo virtuoso é coisa espontânea que vem no interior da pessoa, até um certo ponto as nossas acções fundamentam as nossas escolhas.

O egoísmo sendo uma teoria da ética (normativa), defende que o indivíduo age ou pratica as suas acções em benefício de si próprio ignorando de certa forma os benefícios de outrem. Arthur Schopernheur entende que "o egoísmo é uma maneira que o homem quer o seu próprio bem (não tem limite)"(idem), com isso nos remete afirmar que por natureza o ser humano é um ser egoísta, já que cada um deseja ou almeja o seu bem que por certo ponto pode ser a felicidade. Adicionalmente, ele – como entende nosso autor – é que nem uma mascara que serve para esconder uma parte da nossa timidez. Quando pedimos algo a alguém – como exemplifica o nosso autor – sempre a nossa primeira intenção é entender se a tal coisa da pessoa pode nos servir, se não pode nos servir então não tem nenhuma utilidade e daí acabamos descartando. Até, isso também acontecem quando pedimos um conselho a alguém, acabamos perdendo a confiança se pensarmos a intenção que ele tem connosco ao nos dar a sua opinião (que é de tirar um proveito de nós), por isso a sua opinião não reflectimos ou analisamos com base na razão mas sim com base as intenções.

No entanto, a felicidade absoluta é chave fundamental que motiva o indivíduo a ser egoísta. Assim considera: “tudo para mim, nada para outros” (cfr. Idem: 42). Ele procura se desenvolver, considera-se o centro do mundo – é que nem um imperador ou um deus - abomina tudo que tenta lhe dificultar e, até e capaz de envidar esforços para que de modo nenhuma coisa não danifique este todo procedimento.

Autor: Franklim de Manguião

Fonte:
SCHOPENHAUER, Arthur. (20--?). Dores do mundo. Brasil, Ouro.
 

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

A piedade como fundamento de toda moralidade em A. Schopenhauer (Ensaio)


A PIEDADE COMO FUNDAMENTO DE TODA A MORALIDADE EM ARTHUR SCHOPENHAEUR

Quando se trata de juízos de valor, logo nos aparece o ser humano porque estão ajuntados a eles, pois é impassível tratar destes assuntos sem incluir o homem por ser alguém racional e social. Sempre tentamos classificar e analisar o porque daquela acção que por aventura alguém pode praticar, se é por egoísmo, liberdade, maldade, piedade e mais. Como objecto deste artigo trataremos da piedade.

Schopenhauer defende que “a compaixão ou piedade é a própria essência do amor e da solidariedade entre os homens, porque amor e solidariedade explicam-se somente a partir do carácter essencialmente doloroso da vida” (SCHOPENHAEUR apud ABBAGNANO, 2007:166). Entretanto, é preciso que se esclareça esses dois termos, a Compaixão é um sentimento (simpatia) que se tem com alguém por padecer de miséria ou sofrimento e que nós temos a capacidade de ajudar enquanto a Piedade significa sentir sentimento de pena ou tristeza que se tem depois de vSCHOPENHAUERna miséria ou sofrimento sem a capacidade de ajudá-lo.  

Ilustra nosso autor que “o ente que não conhece a piedade está fora da humanidade” (SCHOPENHAUER, 20--?:43), em outras palavras, entende-se que aquele não possui a piedade é visto como alguém diferente do homem, alguém cruel, insensato. Ademais, a piedade é intrínseco ao homem, ou seja, é uma atitude que caracteriza homens pelo seu sentimentalismo e toda. Ela não depende de instruções (região, dogmas, educação, cultura) para se ter, pois ela é algo espontânea e natural e existem em todos os homens.

Quando travamos conhecimento com um homem […] o que nos levaria a reconhecer-lhe a maldade das intenções, a escassez da razão, a falsidade dos raciocínios, e só nos despertaria desprezo e aversão: consideremos antes os seus sofrimentos, misérias, angustias, dores e assim sentiremos quanto ele nos toca de perto; é então que despertará a nossa simpatia e que no lugar de ódio e de desprezo, experimentaremos por ele essa piedade. (ibidem 44)

Entretanto, é possível medir a nossa capacidade de piedade, desde que analisemos como nos comportamos ou sentimos quando estamos perante alguém angustiado, miserável ou sofrendo. Para nosso autor a piedade é o fundamento de toda moralidade, pois ela serve como uma justificativa para as nossas acções e, sendo assim ela deve ser expandida por todos seres, incluído os animais porque os eles também merecem a bondade, pois quem assim ignora é visto como um não piedoso, não ser humano e um ser cruel. “Uma piedade sem limites para com todos os seres vivos, é o penhor mais firme e seguro do procedimento moral” (idem) e isso constitui a base e o fundamento da nossa moralidade.

Autor: Franklim de Manguião.

Referência bibliográfica
SCHOPENHAUER, Arthur. (20--?). Dores do mundo. Brasil, Ouro.
ABBAGNANO, Nicola. (2007). Dicionário de Filosofia. São Paulo, Martins Fontes.

sábado, 17 de outubro de 2020

Cevada amizade.

CEVAD’AMIZADE 

Cevada é amizades que usufruímos
Somos felizardos, abençoados na mente 
Lugares diversos que sobreviemos, estamos cá
Pois há coisas que nos unem tanto

Somos irmãos de pais descoincidente
Contente, agregados, ditosos e inseparáveis
Este caminho proposto, juntos trilhamos 
Auxiliamo-nos, os afazeres nos agregam

Cá vivemos transportando a vida de jovens
Tempos livres os planos trançados estão
Deambulamos até ao por do sol, fazemos Baús
Seguinte dia saudamo-nos com um bom dia.

Autor: Franklim de Manguião
(eu e meus amigos) Maputo 17 de Outubro de 2020.

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

O menino Capura (texto).

O MENINO CAPURA

Naquela aldeia de Madia, morava um menino de nome Capura. Era humilde, obediente, brincalhão e por cima de tudo bem-educado. Ele era o mais velho dos três irmãos que tinha e que se chamavam Vick, Maurício e Fátima. Capura nasceu, cresceu numa família tradicional e foi educado por seus pais. A sua mãe era uma camponesa e seu pai também e um batalhador que sempre se preocupava com a sua família. O menino também era trabalhador, sempre foi enamorado pela escola. Nos dias laborais frequentava a escola, outras ocasiões ajuda a sua mãe nos trabalhos da casa e a Machamba.

“Muanaka, nmussuele ehipa ni caneta, oholo konssuwanheya”: Capura cresceu ouvido sua mãe proferir sempre essa frase. Todos dias despertavam no terceiro canto do Galo, pegava na Sacola Plástico contento lá os livros, assentava no ombro e de outro lado a enxada e iam a Machamba ajudar a sua mãe e assim que dá-se 9 horas, despedia-se dela, descia ao rio tomava banho depois subia a mastigava uma mandioca ao caminho e ia a escola e, sempre assim fazia.

A mãe do menino, sempre uma boa educação não lhe faltava para transmitir ao filho. Quando estavam assentados em casa nos momentos exactos, Capura era ensinado os bons valores morais, como por exemplo: respeitar os mais velhos, cumprimenta-los, não furtar coisas alheias, não brigar e até quando tivesse uma coisa de comer não poderia comer sozinho, era preciso compartilhar com os irmãos. 

O menino vivia numa zona de Erruma e caminhava para a zona de Madia, onde se localiza até hoje a escola. Por causa da distância longa que percorria da casa a escola, ficava fatigado, as vezes era coagido a ficar na casa da sua avó Fátima e ficava tempo que tencionava, já que morava perto da escola.

Bem que fosse a escola, por cansaço da distância optava pela casa do avó para repousar. Sempre os avôs gostam de todos netos desde que não lhes faltem com respeito, com Capura era o mesmo, os dois se simpatizavam. Ele quando chegava na casa da sua avó era muito afagado e se sentia mais que na sua própria casa, por sorte muitas vezes acertava qualquer coisa e por mais que fosse pequena enfiava nos bolsos e tinha que compartilhar em casa com meus irmãos.

Um belo dia, por sinal era verão, o menino ao sair da escola passa a casa da avó e por sorte deparou-se com uma carne saborosíssima de Porco que a sua avó comprara. O menino quando chegou, cumprimentou e ficou a se divertir, na hora da refeição foi chamada e serviram-no de comer, mas ele comia vagarosamente, fitando os demais e rezava que todos comessem e saíssem daquele lugar para que ficasse sozinho - aquilo lhe servia de estratégias - assim aconteceu. Aos poucos pegou uma parte da carne colocou numa folha e enfiou no bolso e foi a correr para casa. Quando chegou a casa intrometeu-se dentro para deixar os livros e foi logo onde estava a mãe para dar a carne para dividir para os outros irmãos. Os irmãos pareciam devorar a mão de tanta doçura da carne e a mãe sorria do orgulho dele por ter acatado os ensinamentos dela.

Autor: Franklim de Manguião

[A Educação da minha infância in textos dedicados a minha terra] Maputo 05 de Outubro de 2020.
NB: imagem real e direitos do autor reservados.

Mini-Dicionário

*Muanaka, nmussuele ehipa e ni caneta, oholo konssuwanheya=filho, estude e também conheça a enxada porque não se sabe do futuro.