Franklim de Manguião estudante e sonhador de ser escritor moçambicano

domingo, 21 de março de 2021

Grito Poético

GRITO POÉTICO

Eu sou poeta
Componho os meus poemas
Em versos e estrofes dedicadamente
Mas privilégios auferir não, amigão

Eu sou poeta
Rabisco os sentimentos nas métricas
Obrando nas figuras de estilos os sons rítmicas
Mas me é aplaudido e jamais trilho a frente

Eu sou poeta
Esforço-me de corpo e alma
Na calma do silêncio, irmão
Trago os factos sociais que são
Mas não me é valorizado, amigão

Eu sou poeta
Tenho que trovar, milhares de textos gavetados
Há falta de astúcias daqueles que tutelam
Pois, necessito somente de parco estímulo
E é doloroso contribuir na arte assim, amigão.

Autor: Franklim de Manguião
(A estilo de José Craveirinha, celebrando o 21 de Março)
Maputo - Matola C.

quinta-feira, 11 de março de 2021

UM PAI COMO TU NÃO HÁ IGUAL


UM PAI COMO TU NÃO HÁ IGUAL

Jamais soube de um pai como tu, pai
Jamais temei do seu amor que transborda por nós, pai
Jamais alguém se inquietou de família como tu, pai
Jamais irá seu selo de zelo dos nossos corações, pai 
Jamais vi um batalhador da vida como tu, pai
Jamais pai. És mais que um bom Samaritano, pai
Eternamente direi que um pai como tu não há igual, pai.

Autor: Franklim de Manguião.
(feliz por mais um ano de vida pai)
Maputo, 10 de Março de 2021.

segunda-feira, 8 de março de 2021

Saudades moram nas brincadeiras da infância

SAUDADES MORAM NAS BRINCADEIRAS DA INFÂNCIA

Pousado na inércia do espaço, fico morando nas saudades das brincadeiras do tempo que lá se foi e arrancou de mim sem nenhuma piedade. Há um orifício na minha cabeça que o tempo fez e lá estão entulhadas todas as brincadeiras da minha infância. Quando me lembro delas estremeço, os afectos tomam os ossos do meu esqueleto humano, perco a cabeça e entro no delírio que somente me é permitido sair enquanto os olhos banham as lágrimas que se metamorfoseiam de rio Zambeze.

Lembro-me das amizades que arquitectei com as pessoas que hoje ainda se movimentam por aí mas a distância não coadjuva e daquelas que tão cedo partiram mas jamais saíram do meu coração. Essas saudades são mais pesadas que as saudades da pessoa que tem do seu favorito veste que se espatifou há cincos anos. Afinal, “se recordar é viver” então recordar é mais que viver, na verdade há uma necessidade de se acrescentar o advérbio “mais” para robustecer a expressão.

As saudades ainda me fazem lembrar daqueles meninos, eu e os demais, das brincadeiras que tanto fizemos nos arredores do bairro Cololo, aliás, elas ocupavam o maior do nosso tempo naquele ensejo. Logo que alvorecia, corríamos ao campo para pendurar os Papagaios com aquela linha papagueada de Saco, depois corríamos nos Canteiros nos passos galopantes imitando o actor do “vingador da noite”, pois inspirava os nossos espíritos. Ao entardecer planejava-se para irmos “tombuzar” naquelas lindíssimas Valetas de águas pretas ou boleávamos aquele objecto que era encoberto de plásticos, panos e linha de algodão. Esperávamos torcendo até que anoitecesse para galhofarmos de “Saca”, “Polícia-ladrão” e “Esconde-esconde”, somente para elencar algumas brincadeiras. 

Há quem diz que o passou, passou ou mesmo o passado não tem relevância mas esquece que foi graças ao passado que está onde está e é tão infame a desvalorização do mesmo. O tempo passa e as coisas mudam, assim também dizem e de facto o tempo passou e muitas coisas mudaram mas jamais passam as saudades porque a cada ontem produzimos mais e muitas delas para lembrar, assim como hoje e mais um dia do futuro. E é desta forma que as saudades fizeram de mim uma ilha desértica, uma terra sem ninguém, movimentam-se apoderando-se de mais espaço em mim eternamente.

Autor: Franklim de Manguião.
(As saudades e a infância in crónicas do amanhecer e pôr do sol)
Maputo, 08 de Março de 2021.