MURRU WANEPA
Naquela zona morava “Nwara Capura”, uma idosa de oitenta anos aproximadamente. Ela por sinal morava num lugar estratégico, o pátio dela era atravessado por vários caminhos que conduziam a vários destinos, como sendo escola, rios, igreja e mais lugares de interesse comum. Antes, as pessoas que chegavam na casa dela contavam-se pois a maioria eram familiares que vinha a visitar, algumas companheiras da igreja ou mesmo amigas da sua única filha que apareciam dar voltas, mas de qualquer forma sabe-se que essas pessoas nem acarretavam milhões de segundos ali assentados.
Mas naquele dia era diferente de todos, todo mundo passava ali para a visitar. Naquela casa saia um aroma de uma bebida irresistível a todos passantes dali, ou mesmo as circunvizinhas dela, os “Makolos” não queriam perder a sua diversão, esse “Catxasso”. Pouco aos poucos, formava-se uma circunferência que mais tarde se metamorfoseou numa enorme multidão impercebível. Naquela casa as pessoas iam dois a dois, afinal onde comem um comem dois, e bem que chegassem diziam: “nmurrihe mwanamuko ou média”, essa era a forma que mandava vir aquele precioso líquido procuradíssimo naquela zona com as pessoas que ingeriam. Bebiam que bebiam, os terminados deitavam-se ali e os que conseguiam voltar a casa achavam o caminho e iam.
Acontece que, passava pela estrada um homem que saia de um lugar desconhecido, trajado de uma roupa simples, portava uma Sacola engordada e a cor de escuro. Apercebendo-se da multidão desvio a sua rota e entrou naquela casa. Parecendo bem-educado, ele cumprimentou e ficou ali pousando com os pés firmes demandando um refúgio. Os bons samaritanos serviram-no um copo que bateu a uma “corronete” logo que acabou disse: “hi ya ekacatxasso yela yotema ossiva, nkamurrueni monamuko”. A velha levantou e introduziu-se dentro e assim comprazeu a solicitação dele, o homem sentou-se com os demais, trocavam de garrafas e daquele liquido ao som de “manda-manda”.
Certo momento, o homem empeçou perder posição de sentar, segundos nem conseguia se estabilizar. Nwara Capura de tanto estar cansado de esperar o pagamento daquelas garrafas que chegavam cheio mas regressavam vazias nas mãos daquele senhor, disse: Mussiwassi, qui pagar tó, afinal, aquele senhor desde que chegara nenhum valor tirou como pagamento daquilo que estava a ingerir. “Nmani, mukurrumuwe murrima mi kinampagari pha, eu sou eu sou, não procupe se mama, ficar livre a vontade você, mama”. O homem trocava a língua local com o português no momento e hora que ele achava e não se preocupava com o atropelo da língua, falava da sua maneira.
Os seus amigos e companheiros que naquele curto momento fez aconselhavam-no a pagar a quantia e que havia levado para evitar problemas mas ele parecia não compreender, nos gritos tornou-se fanfarrão e principiou a se gabar: “eu não vou fugir por causa disso que consumi; na minha casa tem muita coisa que posso vender e pagar; tenho cheio de cana-doces na minha machamba para fazer a minha bebida; tenho filhos doutores que podem indemnizar isso tudo”. “Nwara Capura” mantinha-se dizendo que não queria saber da vida e nem coisas dele, somente queria o pagamento dela. Arri! Estás a chatear, já não vou pagar: assim ele disse numa outra versão, afinal, o homem já estava terminado, por pouco perdera o caminho da sua casa e já estava a insultar toda gente que ali estava, ora já tencionava uma luta.
“Mas wena honakona ni malavi? Ou orrina murru wanepa wena?”: Assim se questionava a velha de forma formidável sobre atitudes daquele senhor que pareciam estar a acabar com a harmonia e festa que tinha se instaurado ali. Ficava difícil a velha saber nome daquele senhor e da sua casa porque quando chegou, olvidou se apresentar, a velha arrebatada perguntou se alguém conhecia o nome ou a casa daquele homem pelo menos. Um senhor que estava lá no fundo respondeu: MURRU WANEPA OYO, AVAKOPELAVALE.
Autor: Franklim de Manguião
Cabeça com problemas in crónicas de amanher e por do sol
Maputo 06 de Abril de 2021