Franklim de Manguião estudante e sonhador de ser escritor moçambicano

terça-feira, 13 de abril de 2021

Maldita Riqueza


MALDITA RIQUEZA

Maldita riqueza que alterou campos em ruína
Maldita riqueza que espalhou família
Maldita riqueza que vitimou crianças
Maldita riqueza que roubou parentes

Maldita riqueza que inocentes esquartejou
Maldita riqueza que roubou sonos e sonos
Maldita riqueza que roubou alegria e paz
Maldita riqueza que semeio tristeza tristemente

Maldita riqueza que amputou o cabo
Maldita riqueza que produziu tiroteios
Maldita riqueza que quer dividir o território
Maldita riqueza que vitima Cabo Delgado.

Autor: CAPURRA 
[Maldita riqueza in Abril é dedicado a Cabo Delgado]
Maputo-2021.

Ainda mora em nós

AINDA MORA EM NÓS

Imagos moram em nós daquela petiza
Que citou auxiliar no livramento do país
Do sofrimento e crueldade que sufocava
Há milénios do tempo que lá se foi

Petiza que se metamorfoseou em jovem
Sonhou com um país livre quando ninava 
Sonhou por igualdade de género e inclusão
Da não violação até a valorização da mulher

Imagos moram em nós daquela senhora 
Que olvidou género, pegou na arma e guerreio
Paz mora além dos géneros, inspira-nos isso
Em fim, Josina ainda mora em nós.

Autor: Franklim de Manguião
Josina ainda mora em nós in dedicação a 07 de Abril
Maputo – Moçambique

Maldita Riqueza


MALDITA RIQUEZA

Maldita riqueza que alterou campos em ruína
Maldita riqueza que espalhou família
Maldita riqueza que vitimou crianças
Maldita riqueza que roubou parentes

Maldita riqueza que inocentes esquartejou
Maldita riqueza que roubou sonos e sonos
Maldita riqueza que roubou alegria e paz
Maldita riqueza que semeio tristeza tristemente

Maldita riqueza que amputou o cabo
Maldita riqueza que produziu tiroteios
Maldita riqueza que quer dividir o território
Maldita riqueza que vitima Cabo Delgado.

Autor: CAPURRA 
[Maldita riqueza in Abril é dedicado a Cabo Delgado]
Maputo-2021.

Dói minha Palma

DÓI MINHA PALMA

Feriram-na na calada da noite
Inesperadamente a gente no relaxamento
(Des) conhecidos alvejaram propositadamente
Feriram-na e goteja a seiva do outro lado

Ah! De te minha Palma tenho tristeza mas 
De tristeza já não choro por não ter lágrimas
De socorro cansei de clamar em vão no vácuo
Gigantesca é a dor que sinto desta palma da mão

Dói-me a Palma que sustenta, de aconchego 
Refugiamo-nos nesta mata mas a fome mata
Tombam petizes de tristeza que já não encanta
E pingos sanguinários caem por desaconchego.   

Autor: CAPURRA 
[Doi-me a Palma in Abril é dedicado a Cabo Delgado]
Maputo-2021.

quarta-feira, 7 de abril de 2021

Murru wanepa (texto).

MURRU WANEPA

Naquela zona morava “Nwara Capura”, uma idosa de oitenta anos aproximadamente. Ela por sinal morava num lugar estratégico, o pátio dela era atravessado por vários caminhos que conduziam a vários destinos, como sendo escola, rios, igreja e mais lugares de interesse comum. Antes, as pessoas que chegavam na casa dela contavam-se pois a maioria eram familiares que vinha a visitar, algumas companheiras da igreja ou mesmo amigas da sua única filha que apareciam dar voltas, mas de qualquer forma sabe-se que essas pessoas nem acarretavam milhões de segundos ali assentados. 

Mas naquele dia era diferente de todos, todo mundo passava ali para a visitar. Naquela casa saia um aroma de uma bebida irresistível a todos passantes dali, ou mesmo as circunvizinhas dela, os “Makolos” não queriam perder a sua diversão, esse “Catxasso”. Pouco aos poucos, formava-se uma circunferência que mais tarde se metamorfoseou numa enorme multidão impercebível. Naquela casa as pessoas iam dois a dois, afinal onde comem um comem dois, e bem que chegassem diziam: “nmurrihe mwanamuko ou média”, essa era a forma que mandava vir aquele precioso líquido procuradíssimo naquela zona com as pessoas que ingeriam. Bebiam que bebiam, os terminados deitavam-se ali e os que conseguiam voltar a casa achavam o caminho e iam.

Acontece que, passava pela estrada um homem que saia de um lugar desconhecido, trajado de uma roupa simples, portava uma Sacola engordada e a cor de escuro. Apercebendo-se da multidão desvio a sua rota e entrou naquela casa. Parecendo bem-educado, ele cumprimentou e ficou ali pousando com os pés firmes demandando um refúgio. Os bons samaritanos serviram-no um copo que bateu a uma “corronete” logo que acabou disse: “hi ya ekacatxasso yela yotema ossiva, nkamurrueni monamuko”. A velha levantou e introduziu-se dentro e assim comprazeu a solicitação dele, o homem sentou-se com os demais, trocavam de garrafas e daquele liquido ao som de “manda-manda”.

Certo momento, o homem empeçou perder posição de sentar, segundos nem conseguia se estabilizar. Nwara Capura de tanto estar cansado de esperar o pagamento daquelas garrafas que chegavam cheio mas regressavam vazias nas mãos daquele senhor, disse: Mussiwassi, qui pagar tó, afinal, aquele senhor desde que chegara nenhum valor tirou como pagamento daquilo que estava a ingerir. “Nmani, mukurrumuwe murrima mi kinampagari pha, eu sou eu sou, não procupe se mama, ficar livre a vontade você, mama”. O homem trocava a língua local com o português no momento e hora que ele achava e não se preocupava com o atropelo da língua, falava da sua maneira. 

Os seus amigos e companheiros que naquele curto momento fez aconselhavam-no a pagar a quantia e que havia levado para evitar problemas mas ele parecia não compreender, nos gritos tornou-se fanfarrão e principiou a se gabar: “eu não vou fugir por causa disso que consumi; na minha casa tem muita coisa que posso vender e pagar; tenho cheio de cana-doces na minha machamba para fazer a minha bebida; tenho filhos doutores que podem indemnizar isso tudo”. “Nwara Capura” mantinha-se dizendo que não queria saber da vida e nem coisas dele, somente queria o pagamento dela. Arri! Estás a chatear, já não vou pagar: assim ele disse numa outra versão, afinal, o homem já estava terminado, por pouco perdera o caminho da sua casa e já estava a insultar toda gente que ali estava, ora já tencionava uma luta.

“Mas wena honakona ni malavi? Ou orrina murru wanepa wena?”: Assim se questionava a velha de forma formidável sobre atitudes daquele senhor que pareciam estar a acabar com a harmonia e festa que tinha se instaurado ali. Ficava difícil a velha saber nome daquele senhor e da sua casa porque quando chegou, olvidou se apresentar, a velha arrebatada perguntou se alguém conhecia o nome ou a casa daquele homem pelo menos. Um senhor que estava lá no fundo respondeu: MURRU WANEPA OYO, AVAKOPELAVALE.

Autor: Franklim de Manguião
Cabeça com problemas in crónicas  de amanher e por do sol
Maputo 06 de Abril de 2021