Franklim de Manguião estudante e sonhador de ser escritor moçambicano

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

O fecto abandonado


Pais abandonaram-me cá sozinho padecer;
Vós fostes nosso caminho felizmente;
Óh Senhor! Cá fiquei a desviver;
Neste ambiente inexperiente;

Fostes e me abandonaram nesta lixeira, mata;
Com milhões de insetos nesta circunstância;
Sem nada neste chão ou bairro de lata;
E sem compaixão que malevolência;

Que corações de pais  senhores têm?
Sou alguém que futuramente vos cuidaria;
Agradeceriam por ter me concebido;
Porque têm gente que me ter gostaria;

Mill vezes se me dassem rua;
Neste vosso dentro mas eu pronto;
Quem sabe, viveria e cresceria na rua;
Estaria feliz e experimentaria o mundo;

Mas não (...), que culpa eu tenho;
Para merecer esse vosso disprezo?
Abandonaram-me assim tão fetinho;
Mas nossos pais a vós foram zeloso;

Disprezaram-me tanto e tanto;
Espero que não se arrependam;
Porque eu sou o feto cá abandonado;
O tal inovador da família, vida não deram.

Autor: Franklim de Manguião.
Ouvi um feto abandonado falar por mim em Manica
Maputo 22 de Agosto de 2019.

ABORTO NÃO

terça-feira, 20 de agosto de 2019

Era Moderna

Meu tempo!

Minha avó, disse neto óh neto;
Nasceste num bom tempo;
Tempo das coisas sufisticadas;
Ela sempre repetidamente diz isso;

Neto, tu és da tempo de ouro;
Tempo que não se viaja a pé;
Tempo que não se escreve na folha;
Tempo de tudo quanto existe é artificial;

Disse a ela que vovó estou bastante;
E bastantimente arrependido;
Por ser deste maldito tempo;
A era mais pior da humanidade;

Tempo de produtos artificiais consumimos;
Tempo que a humanidade está sem rumo;
Tempo que estudar sem valor, não tem valor;
Tempo da pirataria e violência e falsas epidemias;

Tempo de roupa curta;
Tempo que minhas primas andas nuas;
Tempo que muitas delas passam;
Maior tempo fora de casa;
Dizem estão a curtir, puxa!

Estou muito arrependido;
Queria que fosse do teu tempo;
Este sim foi bom tempo;
Eu sempre dizia isso, ela olhando para mim.

Autor: Ce Cedilha.
Os tempos modernos e de desgostos
Maputo (21/08/2019- Quelimane)

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Os estrangeiros de nós próprios

Estrangeiro de nós próprio

Que atitudes temos perante outros;
Outros que são nossos irmãos;
Atitudes estes que são de separação;
De etnias ou tribo no mesmo país e região;

Terra nossa nos desdenhamos;
Aqui ser estrangeiros passamos;
Estámos em segundo lugar;
Mesmo na fila, ou em qualquer lugar;

Alguém de uma província é estrangeiro;
Dizem que numa outra é forasteiro;
Mesmo país, isso é desdenho na cara;
De nós próprio da mesma terra;

Nosso país, terra nossa;
Moçambique é uno, nossa!
Somos irmãos mas se consideramos;
Estrangeiros de nós próprios.

Autor: Ce cedilha.
Ergo, cigito sum.  Maputo
12/08/ dia da juventude

Em ti, o que rouparam de mim.

Em ti, o que roubaram de mim.

Estou cá cismando infelizmente
Angústia, sucumbi-me tristemente
Fatiguei mil vezes de pedir socorro
Já ninguém ouve meu choro

Jurei milhões e milhões de vezes
Que só tu me basta, talvez
Iria te amar até ao fim do mundo
Mas hoje você se foi e fiquei embatucado

Em ti, o que roubaram de mim
Tua feição de andar, teu amar
Tua feição de me pegar, tua acarinhar
Seus abraços e beijos doces, aih de mim!

Tudo de ti  roubaram, quiçá
Vida (...) até destino, nossa!
Deixou-me como um pneu sem ar
Carregou contigo infelizmente o ar

Quando te conhece
Usei as fontes históricas
E comecei a edificar a minha
Perdi as fontes e fiquei apático.

Autor: Franklim de Manguião
Em ti o que roubaram em mim.
Maputo. 14/08/2019