Franklim de Manguião estudante e sonhador de ser escritor moçambicano

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

O caminho

O CAMINHO

O caminho é algo que nos porta;
a todas partes, cá, alí e acolá, mesmo;
Foi neste caminho e desta porta;
Que Cheguei a ti, não sei como;

Os caminhos de tanto esguios;
Se abraçam no eixo das abcissas;
Também nos abraçamos neste eixos;
Forjamos belíssimas circunferências;

Deus está unindo os pontos da glória;
E ajustou esta nossa alíquota;
Querida, percebe o moral da história;
Deixa-me dizer que tu me completa;

O mundo não estaría tanto assim;
Se não fosse existência nossa;
É engraçado tu sorrir, pense assim;
Pois fazemos parte desta natureza.

Autor: Franklim de Manguião
Elabo yonwara kote- Quelimane.
27/12/2019

A vida é bela

A VIDA É BELA QUANDO É BEM VIVIDA

A vida é bela quando é bem vivida;

Se for o contrário, já não sei;

Só sei que é tão irritante;

Cá muita coisa acontece;

Coisas ruins e também boas;

Tristeza e também a felicidade;

Isso é relativo;

O rico desperta, pensa logo em contar dinheiro;

Dá aos insectos àquele mantimento;

O pobre desperta pensado o que fazer;

Para que o dia de hoje se alimente;

O rico passa todos os dia encima de bebidas;

O pobre trabalhando para misérias;

Não se sabe se isso deveria ser assim;

A vida é bela quando é bem vivida.

Autor: Ce Cedilha
(Beijar do africano) Quelimane
27 de Dezembro 2019

Onde estava esse amor

ONDE ESTAVA ESSE AMOR

Onde estava esse amor;
Que passaram anos para descobrir a dor;
Até tive que me deslocar dias e noites;
Chegar a este lugar precisei de transportes;

No começo amor não parecia;
Desdenhavamos que isso efeito não surtia;
Mas tive que fingir que estava apaixonado;
Para agora descobrir que estou amando;

Onde estava esse amor, belíssima minha;
Só de ficar contigo me sinto homem aranha;
De tanto te amar o Sol não deixa de brilhar;
Será que estava oculto no teu olhar?

Só de te tocar a Lua dá umas risadas;
O coração pesa de amor, olhos pestanedas;
Eu  e tu caimos do papá noel este barco;
O tempo conta nossa ida ao Flamingo.

Autor: Franklim de Manguião
[Beijar do Africano] Maputo
09/12/2019

Beijar de africano

NÃO PARA  DEPOIS TU BAZAR

Despertei chamando esse teu lindo nome;
Os pássaros se zangaram dos gritos que fiz;
Lá as pessoas tentaram saber o ocorrido;
Nada, somente lembraças me perturbam;

Pareço que sou homem ferro mas não;
Hoje sou homem arrame farpado, frágil;
Evitei me apaixonar para depois tu bazar;
Esse amor não findou por isso sofro;

Agora, estou neste bar conversa dos velhos;
As cervejas abraçam-me e os copos também;
Uma disfarça do inglês ver, profundamente;
Pensando nos nossos tempos que lá se vão;

Estou aqui pensado quem irá ocupar;
Este lugar vazio que tanto deixaste em mim;
E se esse alguém existir, tu óh Dete!
És a única, juro que não igualará. Regressa;

Cada pessoa é única dizem os filósofos;
É só a ti que esses lindos defeitos têm;
Levaste o sol e semeou em mim a escuridão;
Deixou-me no abismo morrendo de angústia;

Áh! Meu pobre coração e pobre cabeça;
Áh! Garçonete, encha mais porfavor!
Áh! Cervejas me ajudem a esquecê-la;
Ufa! Mas até quando isso?

Autor: Franklim de Manguião
[Beijar do africano] Quelimane
27 de Dezembro de 2019

Mwana muchuabo

MWANA MUCHUABO KANKALA BRUTO

Mwana muchuabo é indulgente
Mwana muchuabo é de boa hospitalidade
Mwana muchuabo é de boa sensibilidade
Mwana muchuabo é bom gente

É no coração dele que cabe a todos
Nos sentimentos há mútuo respeito
Trabalhar a qualquer canto e jeito
Arte e ofício de trabalho nas mãos

É assim que mwana muchuabo se identifica
Gente honesto, moralista e solitário não fica
Gente que não se exalta, age ao certo

Aprazível em juízo, daquilo que
É benévola e malévola, e é por isso que
Mwana muchuabo kankala bruto.

Autor: Ce Cedilha
[Mwana muchuabo]-Quelimane
25 de Dezembro de 2019.

domingo, 22 de dezembro de 2019

Vi e condenei bem

VI E CONDENEI BEM

Vi maldades que carregava aquele homem
Descarregou na pele da mulher como trombeta
Sem aplaudível justificativa que acorrenta
Senti arrepios na pele e condenei bem

Vi pegar qualquer coisa aquele homem
Que achava naquele caminho curto ao percorrer
Lançava que nem uma lança nela ao correr
No corpo da mulher e condenei bem

Quiçá quis saber o por quê chegar tarde, ela
Quiçá pensou que estava a fazer o papel dela
Quiçá quis dar mais atenção não sei não.

Confusão, aquele homem com veemência
Infelizmente quis resolver tudo com violência
Esqueceu-se que a violência não constrói não.

Autor: Franklim de Manguião.
Poesia de concurso 1, julho de 2020.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Se puder perder

SE PUDER PERDER

É tão difícil sobreviver sem ar;
É tão difícil sobreviver sem água;
É tão difícil sobreviver sem luz;
É tão difícil sobreviver sem você;

Se puder perder tudo que tenho;
Posso perder tudo mas não você;
Optaria partir para o melhor, caso se;
Que sobreviver infeliz na vida sozinho;

Posso perder os meus membros;
Perder a riqueza ou a pobreza posso;
Perder a minha identidade posso;
Mas perder você não, caricatos;

Está  lindíssima frase confesso-te;
Sem ti não vivo, nem viverei, bem;
Ao teu lado a vida rumo tem;
Gostar de ti é mentira, amo-te;

Se for uma perca constrangida;
Porfavor leva meu pobre coração;
Talvez o mundo acabará, ah! Benção;
Se caso não, fique comigo querida.

Autor: Ce Cedilha.
[Se puder perder]
Viajando: Maputo-Quelimane
19 de Dezembro de 2019

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

O ano 2019


ESTRANGEIRO DO PRÓPRIO PAIS

Naquele dia eram quinze horas da sexta-feira que saí para casa do meu primo visitá-lo. Fiquei preso naquele chapa a expectar  de ficar lotado para podermos partir, as pessoas chegaravam um por um até o chapa ficou lotado. Naquele chapa havia muitas pessoas e por sinal a maioria eram mulheres. Permaneci aproximadamente uma hora até o chapa partir.

Quando o chapa empeçou a marcha nós todos já estavamos colados nos sofás, nas janelas eu contemplava as paisagens que aquele lado da cidade possui sendo eu recém-chegado, tais como os prédios as estradas as árvores os carros e as pessoas que fazia vaivém e o grande vão de África apelidado Maputo-Katembe.

Num chapa colectivo a viagem fica boa quando as pessoas conversam e um som baixo, lá nós iamos. Entretanto as conversas não paravam na boca daquelas mulheres, falavam changana ou ronga até agora não sei, só sei que era uma lingua do sul do nosso país, diziam  palvras como: Awe! Inakamuno! Aucheli! Lipelile! Ama paisagem shonguile! U choche, Kanimambo, u famba etc e outras frases esgueias e rápidas que nem conseguia ouvir mesmo sem perceber.

Todas pessoas ostentarvam dentes brilhantes ao sorrirem até pareciam que falavam mal de mim mas achei que não, e que falavam coisas doces, porque quase todos do chapa sorriam mas eu era o único que não sorria, outras olhavam para mim e no interior deles se questionavam porquê é que me mantinha calado e não sorria. O carro continuava caminhado e o som do motor soava tanto mas nem com isso me distraia ao pensar naquela conversa que aquelas pessoas falavam, a pergunta que aparecia na minha mente era: será que um estrangeiro é aquela pessoa que somente saí do seu país de origem para outro país? E eu que estáva num lugar onde tudo era novo?

Eu naquele dia juro que me senti estrangeiro do meu próprio país, cogitei logo em contratar um intrepretador ou tradutor para traduzir toda conversa para mim de modo a estar no mesmo assunto. Ah pena de mim! Porque não tinha dinheiro para pagar o tal tradudor, mas não tinha outro meio do que ficar confinado naquele meu canto, escutar o barulho das conversas e olhá-las sorrindo.

Depois da travessia o carro ía parando a cada paragem que os passageiros pediam para descer e avançava, a cada instante que cada vez mais o chapa parava lá dentro ficava um vazio até que chegamos ao terminal onde nós todos descemos, o chapa ficou vazio e cada um foi no seu destino.

Autor: Franklim de Manguião
O meu tempo hoje- Maputo 09 de Dezembro de 2019.