Franklim de Manguião estudante e sonhador de ser escritor moçambicano

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

O ano 2019


ESTRANGEIRO DO PRÓPRIO PAIS

Naquele dia eram quinze horas da sexta-feira que saí para casa do meu primo visitá-lo. Fiquei preso naquele chapa a expectar  de ficar lotado para podermos partir, as pessoas chegaravam um por um até o chapa ficou lotado. Naquele chapa havia muitas pessoas e por sinal a maioria eram mulheres. Permaneci aproximadamente uma hora até o chapa partir.

Quando o chapa empeçou a marcha nós todos já estavamos colados nos sofás, nas janelas eu contemplava as paisagens que aquele lado da cidade possui sendo eu recém-chegado, tais como os prédios as estradas as árvores os carros e as pessoas que fazia vaivém e o grande vão de África apelidado Maputo-Katembe.

Num chapa colectivo a viagem fica boa quando as pessoas conversam e um som baixo, lá nós iamos. Entretanto as conversas não paravam na boca daquelas mulheres, falavam changana ou ronga até agora não sei, só sei que era uma lingua do sul do nosso país, diziam  palvras como: Awe! Inakamuno! Aucheli! Lipelile! Ama paisagem shonguile! U choche, Kanimambo, u famba etc e outras frases esgueias e rápidas que nem conseguia ouvir mesmo sem perceber.

Todas pessoas ostentarvam dentes brilhantes ao sorrirem até pareciam que falavam mal de mim mas achei que não, e que falavam coisas doces, porque quase todos do chapa sorriam mas eu era o único que não sorria, outras olhavam para mim e no interior deles se questionavam porquê é que me mantinha calado e não sorria. O carro continuava caminhado e o som do motor soava tanto mas nem com isso me distraia ao pensar naquela conversa que aquelas pessoas falavam, a pergunta que aparecia na minha mente era: será que um estrangeiro é aquela pessoa que somente saí do seu país de origem para outro país? E eu que estáva num lugar onde tudo era novo?

Eu naquele dia juro que me senti estrangeiro do meu próprio país, cogitei logo em contratar um intrepretador ou tradutor para traduzir toda conversa para mim de modo a estar no mesmo assunto. Ah pena de mim! Porque não tinha dinheiro para pagar o tal tradudor, mas não tinha outro meio do que ficar confinado naquele meu canto, escutar o barulho das conversas e olhá-las sorrindo.

Depois da travessia o carro ía parando a cada paragem que os passageiros pediam para descer e avançava, a cada instante que cada vez mais o chapa parava lá dentro ficava um vazio até que chegamos ao terminal onde nós todos descemos, o chapa ficou vazio e cada um foi no seu destino.

Autor: Franklim de Manguião
O meu tempo hoje- Maputo 09 de Dezembro de 2019.

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