Franklim de Manguião estudante e sonhador de ser escritor moçambicano

quarta-feira, 23 de junho de 2021

INDEPENDE(FICIENCIA)

INDEPENDE(FICIÊNCIA)

Galos já não cantam a canção de Junho
Arvores não dançam o baloiçar da primavera
Corpos sentem o calor do Cabo da culatra
Há mau som barulhento no ápice do Índico

Lá os petizes não podem ir a rua crua
Velhos não mostraram o brilho dos dentes
Há Treva que encoberta a Lua e mesmo
O sol de Junho já brilha com dificuldades

Aqui, ouve-se o choro dos olhos ao silêncio
Não há o moral de tocar os tambores e dançar
Para celebrar um vinte e cinco baleado
Vive-se tristeza, vive-se Independe(ficiência).

Autor: Franklim o de Madia
[Como celebrar os 46 anos de Moçambique?]
Maputo 25 de Junho de 2021.

domingo, 6 de junho de 2021

É vez-veze as moças da banda (texto)

É VEZ-VEZ E AS MOÇAS A BANDA

Naquela zona (Madia) viviam um grupinho de jovens que ao andar do tempo viram seus corpos se alongarem e os queixos terem cabelos. Ali viviam moças e moços. Alguns imigravam para as cidades vizinhas a procura de melhores condições de vida e os que conseguiam, voltavam para a Banda e se casavam e os outros “txilavam” e assim que bastassem regressavam naquelas cidades. O que espantava foi que no meio desses jovens existiam alguns que se reputavam, humilhavam os outros jovens e usurpam de tudo e muito mais das moças da Banda.

Por tão estratégicos que eram, os moços logo que chegavam na Banda, organizavam uma aparelhagem enorme com vários funis gigantescos e colocavam aquelas músicas de Nicola Zacarias ou Leonard Dembo, ao tocarem eram irresistíveis de se escutar, amoleciam os corações e transportavam a mente para uma viagem sem voltas. Essa era uma forma de dizer: mwana a nece orua. O que estava detrás disso era de chamar todas moças da Banda e inclusive aquelas que tanto lhe rejeitavam quando não tinha nada. Bem que começava a soar o som na voz daqueles funis, as pessoas começavam a se aglomerar naquele lugar de forma faseada tendo como base a idade, as crianças iam de manhã, adultos a tarde mas quando o escuro engolia o mundo era a vez dos jovens.

Acontece que, António, filho de Nkarivo, fez o mesmo. Depois de doze meses sumido da zona, o jovem voltou e arquitectou um grande aparelho já mais visto naquela Banda. Tantas melodias se ouviam lá doutro lado, as pessoas quando perguntavam de onde vinha aquele som, os outros respondiam: wa Nkarivo, ayiwa mwane orua. Toda zona e de zonas circunvizinhas já não queria desperdiçar, os caminhos viraram para lá e naquele dia se pernoito a se dançar.

Naquele lugar estava uma moça tão linda, a sua pele assemelhava-se a cor de água fervida de Feijão Manteiga, olhos azuis do céu, as suas curvas dela jamais vista, sua forma de falar mais que uma Sereia e seu andar impercebível, chamava-se Joaquina. Mafioso era um jovem bonzinho e educado, a única coisa que o estragava era de não ter posses. Mafioso gostava da Joaquina, mas de tentadas batalhas de conquistas falíveis infelizmente, o jovem foi negado mas por uma única razão de sempre, não ter nada a oferecer.

António, apaixonadamente com as características da moça, mandou seu elencou para cuidarem de tudo, somente mais tarde vieram o chamar que a Joaquina queria falar pessoalmente com ele e assim sucedeu.

No meio daquela toda multidão da noite, Mafioso logo que girou a cabeça, deparou que António e a Joaquina estavam sentados numa gigante pedra lapidada a conversarem e os dentes também auxiliavam a conversa e, consequentemente o jovem concluiu tristemente o que deveria acontecer depois daquela conversa. Ai, o jovem perdeu ânimos, deu retaguarda e se apercebeu enquanto já estava na sua casa. Enquanto dormia ia pensado como aquele episódio seria pago mas disse no interior de si, afinal, o mundo funciona assim nem, mas amanhã eu também farei mais que isso porque É VEZ-VEZ.

Autor: FRANKLIM DE MANGUIÃO 
É vez-vez e as moças da Banda in as minhas Crónicas do amanhecer e por dos sol
Maputo Abril

Murima walelaka (texto)

MURIMA WALELAKA

Npulula e Walela eram dois amigos da infância. Eles tiveram o privilégio de irem a escola e calhar na mesma sala e voltavam juntos para casa abraçadinhos. Eram inseparáveis, bastava um faltar para que o outro se sentisse isolado e até muitas vezes chegavam de concordar de não irem a escola ou gazetar as aulas.

A vida sempre procura motivos para separar as pessoas. Os dois amigos, quando crescidos foram forçados a se separar motivados por questões da vida. Um dos motivos foi de terem casado em zonas diferentes, Walela casara-se em “Mwede” e o Npulula resolveu não sair da zona e casou-se nas circunvizinhas.
Certa vez, Walela havia organizado uma pequena festinha e resolveu convidar alguns familiares, vizinhos e amigos como forma de lembrar os velhos momentos e Npulula não foi falhado o convite. Quando chegou o dia, Npulula, depois de um bom banho nas águas de “Ewawa”, preparou-se tão cedo, colocou aquela roupa da mala, sapatos do armário, sem se esquecer de um pouco de Vestilene e as últimas gotas do perfume que havia restado. Pegou na Mochila que continha um casaco e pôs-se na companhia do caminho para lá.

Depois de algumas horas de tanto caminhar, chegou ao lugar. Estavam ali pessoas se movimentando um lado para outro e parecia que estavam a fazer os últimos ajustes e no fundo, por dentro de um objecto tocava “Okwa de confiado”, enquanto outros dançavam os outros abanavam a cabeça. Logo que chegou cuspiu um boa tarde, outro boa tarde se ouviu em uníssono, e o amigo o disse: “anamahi, mukele Ekatera mukiratele”, ou seja, amigão, vá pegar aquela cadeira sentar, espantou-se, pensou que diria: olha leva uma cadeira dar tio aqui sentar. Hum! Sem tardar, Npulula puxou a cadeira sozinho e colocou ali as nádegas a repousarem no cantinho.

No momento exacto, foram convocados a aproximarem para ouvirem a missa de discurso, dali, seguiu-se o momento esperado, as “mamanas” foram servindo os pratos cheios de mantimento à pessoas que estavam ali mas somente vieram servir o senhor Npulula depois de toda gente e crianças que ali estavam – sentimental – o senhor levou-o e começou a manjar.  
Pensou que era normal aquilo, mas não porque no Oteka também aconteceu o mesmo, de tantos bidões que circulava ali o homem somente tomou uma “Ekahi” mas há pessoas que repetiam e até ficavam pejados, mas o senhor Npulula nada disse e continuo assim humildemente. Naquele lugar, todos dançavam dois a dois mas o senhor Npulula era o único que dançava sozinho, o amigo de tantas amigas, vizinhas e irmãs pelo menos teria pedido uma para o acompanhar por um momento mas nada fez, afinal, na festa há dois tipos de pessoas, uma que não é convidada mas está ali é considerada como convidada e a outra é convidada que mesmo estado ali não é considerada como convida e, ser essa ultima, aflige, assim pensava o senhor Npulula.

A festa e a dança persistiam mas o homem, de tanto solitário, perdera o moral, queria descansar de tanto cansaço e por ser noite. O amigo girava por aí e vinha conversava pouco com ele coisas desnecessárias e saia. Por não ter como, aproximou-se a uma árvore e encostou ali tentado dormir e sem tardar amanheceu e o homem foi para casa sem avisar. E quando chegou em casa e foi questionado como foi o passeio, ele tristemente respondeu: “Morrima walelaka nkayewo”, ou seja, se coração avisasse não iria. 

Autor: Franklim de Manguião
Marcas de uma festa, Maputo Maio. 

Wassaka (texto)

WASSAKA

Nem sempre todos dias são de vitória. O senhor Cafri era chefe de família e pai de três filhos. O tempo do seu casamento passou num piscar dos olhos, na verdade estavam há bom momento casados e que mesmo se o filho mais novo perguntasse a quanto tempo estavam casados necessitaria de segundos para puxando a mente para depois dar a resposta. 

Os primeiros instantes, o casal era tão afortunado, no corredor pátio e quartos habitava o amor, carinho, as ceninhas e a paciência. Cognominarem-se de amor jamais os constituía de dificuldade. O homem trabalhava em turnos como um guarda na casa de uma “branca”. “Wassaka”, ele se preparava e ia ao seu posto de trabalho a esposa ficava em casa cuidando das tarefas de casa e dos filhos. Senhor Cafri quando largava no dia seguinte, abeirava em casa com um saco de plástico bem recheado e por dentro dela não carecia de pães para se fazer um mata-bicho da idade. Só bastava de ser descoberto de longe abeirando para casa e as crianças gritavam: papa, papa e papa e, corriam ao encontro dele para o abraçarem. Entendimento não escasseava em casa. A esposa fazia tudo que a cabia como seu dever com o marido moralmente e sem estranheza como forma de o comprazer.

Passando um tempo, o homem achou emprego na casa de uma outra senhora para esposa e foi ter com ela e acordaram que ela deveria principiar a trabalhar para o bem da família, afinal, é tão maravilhoso quando os dois em casa trabalham porque no fim de mês Samora tem enchido a casa. A esposa principiara a trabalhar. Wassaka a esposa ateava fogo, aquecia água para o banho e os dois iam a casa de banho, vestiam-se e lá iam e somente se separavam no caminho.

Tristemente, aconteceu que a patroa do senhor Cafri voltara para Itália definitivamente e infelizmente o trabalho dele extinguiu. O homem começou a procurar outros espaços disponíveis para trabalhar mas infelizmente não era fácil para ele. Principiou sempre ficar em casa enquanto a esposa ia ao seu posto de serviço. Passando muito tempo a mulher começou a mostrar comportamentos estranhos. Quando uma mulher numa casa trabalha e o homem não, tem sido problemático mas quando é o contrario considera-se normal. Vuku-vuku já havia se estalado.          
A esposa parecia não se contentar com o não fazer nada do marido. As vezes se zangava sem motivos, tentava achar qualquer coisa para criar um problema para ela falar. Ocasionalmente, o marido passou a não ter voz, as vezes o tratava como isso. As vezes mandavas ofensivas indirectas direccionadas aos filhos enquanto se referia ao marido, tristemente o senhor não tinha o que dizer.  Por vezes dizia que ele ficava somente sentado e não queria fazer nada, mas o que não constituía a verdade porque o senhor Cafri tentou meter os seus Cv’s em muitos lugares com promessas sem respostas, falou com muitos amigos para qualquer coisa de emprego e nada, tentou planejar um auto-emprego mas nem avançou e até quando fazia biscates não era paga, maldição? Talvez.

Um belo dia, por sorte um seu amigo apanhara um biscate e chamou-o para trabalhar juntos, afinal, onde come um comem dois, lá foram. O homem passou todo seu dia naquele lugar trabalhando, naquele lugar se fazia betão para enchimento de um Teto. Quando a esposa voltou do seu serviço questionou aos filhos onde estava esse senhor, os filhos responderam que papa desde que saiu de manhã era antes de voltar. Sem tardar o homem já estava a voltar para casa com mais um saco de plástico recheado, foi bem recebido e a esposa logo foi encher água para dar o marido tomar banho. O senhor Cafri voltou a viver por um dia aquilo que vivia quando trabalhava na casa da Italiana. Mas wassaka.

Autor: FRANKLIM DE MANGUIÃO 
Wassaka in as minhas Crónicas do amanhecer e por dos sol
Maputo Maio.

1 de Junho (texto)

1 DE JUNHO

Hoje decidi voltar ao tempo. Daquele tempo que já se foi a anos, este que me foi abrangido um dia mas teve que passar porque é seu ciclo e eu tive que ir além como forma de obedecer a lei da natureza. Eu morei num tempo que foi depois dos meus bisavôs, tempo das grandes produções daquelas terras que me viram nascer, onde a terra dava frutos, tempo das folhas verdes, tempo daqueles que cresceram comigo. Este tempo vai além das cheias do ano dois mil, tempo das ofertas. Eu sou do tempo em que um metical tinha três zeros. Tempo em que com cinquenta centavos pagávamos uma lata de leite de amendoim para manducar.

Eu venho do tempo em que estudos eram estudos, os alunos tinham terror dos professores na sala de aula. Sou do tempo e lugar em que nosso Lanche da escola saía de casa, tais como: “Mathui”, “Mihali”, “Txako”, “Bambahiya”, “Mapiyara” e mais, enquanto as raparigas colocavam no colo à escola, nós escondíamos numa mata que se localiza perto da escola. 
Eu estudei na escola onde vós estudais mas que outrora era coberto de capim, blocos puros de areia, tudo era material precária e até nossa vedação era feita de capim de elefante.
 
Morei e estudei no tempo em que 1 de Junho era 1 de Junho. Eu sou do tempo em que dia como hoje, na nossa escola se pernoitava a galhofar e bailar “Macuaela”, “Pumpu”, Cassete. Venho do tempo em que todo mundo fazia de tudo para passar almoço na escola. Comíamos que comíamos até que nossos sacos ficavam sem espaço para colocar mais mantimento. Eu sou do tempo em que na nossa comunidade era difícil encontrar refrigerante e cervejas. Ingeríamos somente sumo de “Jus” enquanto os mais velhos bebiam “Katxasso”.

Eu venho da terra em que dia como hoje matava-se “Mwaku”, os nossos feijões eram acompanhados por “Essima” e arroz tourado, a gente esquecia “Katxopwe”, “Pwinho”, “Ntikwa” e tudo era-nos diferente porque crianças ganhavam a liberdade. Mas o tempo passa mesmo e nós também enfrentamos.

Autor: CAPURRA

Minhas felicitações para toda crianças em especial aqueles que me conhecem.

01 de Junho de 2021 Maputo.  

O que sobrou de ti

O QUE SOBROU DE TI

Ah querida, porquê de tão cedo sua ida
Da tua partida, meu coração pequenina
Na rua da lembrança, os olhos te olham
A boca de te beijar um dia guarda esperança

Ah querida, não se trata do teu nome
Nem do seu formato que achar não consigo
Mas do teu beijo, aroma, teus passos e teu roncar
Que ao reviver perturbam a minha mente

Sabe? Desejo-me retroceder de sermos Libelinhas
Juntos no cume, ver o claro ficar escuro e vice-versa
Sentir seu toque de bálsamo naquela ida de desdém 
Ah! De te sobraram-me as coisas que não se vão.

Autor: Ce Cedilha.
[O neo-romantismo e o meu tempo]
Maputo, 05 de Junho de 2021.