MURIMA WALELAKA
Npulula e Walela eram dois amigos da infância. Eles tiveram o privilégio de irem a escola e calhar na mesma sala e voltavam juntos para casa abraçadinhos. Eram inseparáveis, bastava um faltar para que o outro se sentisse isolado e até muitas vezes chegavam de concordar de não irem a escola ou gazetar as aulas.
A vida sempre procura motivos para separar as pessoas. Os dois amigos, quando crescidos foram forçados a se separar motivados por questões da vida. Um dos motivos foi de terem casado em zonas diferentes, Walela casara-se em “Mwede” e o Npulula resolveu não sair da zona e casou-se nas circunvizinhas.
Certa vez, Walela havia organizado uma pequena festinha e resolveu convidar alguns familiares, vizinhos e amigos como forma de lembrar os velhos momentos e Npulula não foi falhado o convite. Quando chegou o dia, Npulula, depois de um bom banho nas águas de “Ewawa”, preparou-se tão cedo, colocou aquela roupa da mala, sapatos do armário, sem se esquecer de um pouco de Vestilene e as últimas gotas do perfume que havia restado. Pegou na Mochila que continha um casaco e pôs-se na companhia do caminho para lá.
Depois de algumas horas de tanto caminhar, chegou ao lugar. Estavam ali pessoas se movimentando um lado para outro e parecia que estavam a fazer os últimos ajustes e no fundo, por dentro de um objecto tocava “Okwa de confiado”, enquanto outros dançavam os outros abanavam a cabeça. Logo que chegou cuspiu um boa tarde, outro boa tarde se ouviu em uníssono, e o amigo o disse: “anamahi, mukele Ekatera mukiratele”, ou seja, amigão, vá pegar aquela cadeira sentar, espantou-se, pensou que diria: olha leva uma cadeira dar tio aqui sentar. Hum! Sem tardar, Npulula puxou a cadeira sozinho e colocou ali as nádegas a repousarem no cantinho.
No momento exacto, foram convocados a aproximarem para ouvirem a missa de discurso, dali, seguiu-se o momento esperado, as “mamanas” foram servindo os pratos cheios de mantimento à pessoas que estavam ali mas somente vieram servir o senhor Npulula depois de toda gente e crianças que ali estavam – sentimental – o senhor levou-o e começou a manjar.
Pensou que era normal aquilo, mas não porque no Oteka também aconteceu o mesmo, de tantos bidões que circulava ali o homem somente tomou uma “Ekahi” mas há pessoas que repetiam e até ficavam pejados, mas o senhor Npulula nada disse e continuo assim humildemente. Naquele lugar, todos dançavam dois a dois mas o senhor Npulula era o único que dançava sozinho, o amigo de tantas amigas, vizinhas e irmãs pelo menos teria pedido uma para o acompanhar por um momento mas nada fez, afinal, na festa há dois tipos de pessoas, uma que não é convidada mas está ali é considerada como convidada e a outra é convidada que mesmo estado ali não é considerada como convida e, ser essa ultima, aflige, assim pensava o senhor Npulula.
A festa e a dança persistiam mas o homem, de tanto solitário, perdera o moral, queria descansar de tanto cansaço e por ser noite. O amigo girava por aí e vinha conversava pouco com ele coisas desnecessárias e saia. Por não ter como, aproximou-se a uma árvore e encostou ali tentado dormir e sem tardar amanheceu e o homem foi para casa sem avisar. E quando chegou em casa e foi questionado como foi o passeio, ele tristemente respondeu: “Morrima walelaka nkayewo”, ou seja, se coração avisasse não iria.
Autor: Franklim de Manguião
Marcas de uma festa, Maputo Maio.