MAWOWÓ NA MUSSUZI WA MIKATXE
Numa velocidade inimaginável e incalculável vai-se o tempo. Incalculável é, que a ponto de Einstein, Newton ou Galileu, ou seja, um deles se estivesse no mundo dos vivos não sei se obteria o resultado desta aceleração associado ao tempo e espaço. Momentos se vão, a gente agiganta, neste engrandecimento olvidámos as coisas boas e ruins da infância. Entretanto, lembremo-nos que uma vida sem histórias da infância para ser rememorada e contada não é vida, pois, é recheado de lacunas.
Hoje rabisco este texto com dois propósitos: de rememorar um episódio da minha infância. Agigantei num ambiente abarcado de vários vizinhos e culturas diversas. Foi neste agigantecimento que aprendemos (eu e meus munnas) com nossos amigos-vizinhos que quando se faz “Xima” aquela parte do fundo da panela é tão saborosa que a própria “Xima”. Era somente pegar na panela, naquela parte um pouco queimada colocar um pouco de molho e esperar minutos se transformar ténue para depois pegar na colher e dar uma raspada para depois encher a boca enquanto sentia o paladar do “Mawowó”.
Ao ver aquilo, nós tencionámos colocar em prática, alias, aprende-se colocando em prática um determinado aprendizado e não basta somente ver. Ao fazê-lo vimos que era tão bom que se indo mais tempo aquilo se transformou em nosso habito. Esperávamos a mamã cozinhar, já ao amassar a “Xima”, entre nós, um gritava: Panela é minha; Panela é minha. Ora, antes de ontem era sua, ontem dele e hoje sem falta é minha. Woo…wooo… Na verdade, ficávamos ali a debater sobre o assunto de “Mawowó” até chegarmos à anuência, já esquecíamos as idades que a gente tinha e se caso não, a nossa mãe pegava-a botava cheio de água de modo que todos nós perdêssemos.
Acontece que num pelo dia, ao intervalo no serviço do nosso pai sentia-se o desejo de passar uma refeição de almoço com a sua família. Ele saiu da CFM com sua Bicicleta e pôs-se a pedalar, passando no Mercado Aquima desviou um pouco a rotina, entrou lá dentro, comprou Mukatxes, alguns Tomates, acrescentou um Limão, Caldo e Coco, minutos depois voltou a rotina, e quase meia hora já estava a chegar em casa.
Depois de algumas horas a mamã já havia adubado a refeição, toda ela estava tão odorífera, apetitosa e melíflua e mais melíflua até a ponto de quase a gente olvidar aquela parte interior da panela, mas não. Nos primeiros momentos depois da refeição parecia que entre nós ninguém se rememorava ou tinha interesse da panela, isso justifica-se por que todos já estávamos saciados mas depois de mais tempo principiamos achar. Ela (a mamã) como bem compreende os paladares de seus filhos colocou lá dentro da panela um pouquinho de “mussuzi wa Mukatxe” para que aquela parte bem tourada pudesse ficar tão ténue, aromático e irresistível. Todos pegamos na panela, enquanto um gritava: hoje é minha vez de “Mawowó”, eu e outro gritávamos: hoje não vai raspar sozinho. Ele dizia: se for assim vamos lavar juntos a Panela, nós respondíamos: mesmo e ele continuava: mas isso é batota, enquanto as colheres brigavam dentro daquele objecto de circunferência.
Depois de tudo, nós os dois não cumprimos com a promessa de o ajudar a lavar as louças mas o ajudar a dar raspadinhas do interior da Panela. Como era de hábito de gostar comer mas não gostar de lavar louças, ele por se sentir injuriado e desalentado foi queixar a mamã e como solução disse: a partir de hoje para afrente só é dono de Mawowó aquele que lava louça naquele dia, independentemente do que vai se consumir no dia e assim se sucedeu.
Rabisco essa história como memória daquilo que rememorei ao ver crianças, um atrás do outro se dando corrida por causa da parte tourada da Panela para raspar e esse é o outro propósito.
Autor: Franklim de Manguião
[Mawowó na mussuzi wa mikatxe in Crónicas do amanhecer e por do sol] 24 de setembro de 2021