Franklim de Manguião estudante e sonhador de ser escritor moçambicano

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

SABES QUE JÁ NÃO DÁ, NEM?

TU SABES QUE JÁ NÃO DÁ, NEM?

Continuar assim sabendo que assim não  
Dar forças ao silencio sabendo que machuca
Proibir a felicidade aos corações e mais a boca
Acreditar ser preferível ficarmos só quanto não

Persistir sonhar com outro, metade do dia
Enquanto acordamos um distante de outro
Fingir que não nos importamos a cada dia
Enquanto dormimos um pensado no outro

Limitar envio de saudações, beijos e boas noites
Com portador diário enquanto pagamos fim de mês
E sabemos que cada um espera disso para viver   
Então, por favor não espere para dizer: já não dá.

Poesia de Ce Cedilha
[Sabes que já não da nem? In Poesias de Amor no Cativeiro]
Maputo 16 de Junho de 2021

MULOPWANA NA KASSAPRA

MULOPWANA NA KASSAPRA

O mês de Junho tem sido um dos meses mais privilegiados na Vila dos “Aniworas”. Na Vila dos “Aniworas”, as pessoas se importam com Um de Junho, Vinte e Cinco de Junho, “Nhatal” e “Ana novo” mas o resto das datas e feridos lá tem sido dias simples para se fazer qualquer actividade. Nas vésperas do dia vinte e cinco, fez-se uma contribuição para se fazer uma festinha na casa de um anião do bairro dos “Aniworas”.

Neste dia, todas atenções estavam viradas na casa do ancião da vila. Ali estava uma multidão, com idades diferentes, dançavam-se as músicas da banda e valorizava-se as clássicas. Aos poucos começaram a servir tudo, começando pelos líquidos caseiros e mais tarde vinha a parte dos mantimentos. Ali conversava-se, bebia-se e dançava-se e os terminados procuravam uma almofada de árvore e se encostavam. O senhor Ehassi não se fez excepção. Organizou-se com a esposa e lá foram. Chegando, separara-se enquanto o homem ia para a parte dos homens iguais a esposa ia de outro lado das mulheres.

Na hora de manjar, as “mamanas” começaram a se movimentar numa forma de vaivém enquanto as mãos seguravam os pratos cheios de mantimento na forma de monte Namúli para servir a multidão, começando com os ditos senhores. Chegou a vez de senhor Ehassi. Quando ele foi entregue o seu prato com mantimento, deu uma velocidade abrindo o prato e caril para verificar se tinha “Kassapra” mas quando viu que não tinha o dito “Kassapra” mandou devolver o prato dizendo que não queria comer, justificando que não estava faminto. Como forma de o obrigar a aceitar a comida, os comparsas diziam: como assim se o senhor está aqui deste de manhã, come senhor.

Alias, este cresceu com seus mimos. Desde criança, na mesa ele chorava para coisas de grandes, “nhama” do papa e sempre que assim fazia, a mãe ou o pai o dava, até foi apelidado “na Kassapra” por ele gostar dessa parte de carne. No seu Lar, a sua esposa tinha todo menu, sabia que o “kassapra” deveria estar no prato do esposo e outro que restava deveria servir para dia seguinte, assim o fazia, ela poderia comer qualquer parte da carne de galinha mas excepto as duas “Kassapras”.

De facto, os comparsas estavam imbuída de razão mas somente a esposa sabia que o seu esposo não queria comer porque não o tinha servido “Kassapra”. Ele disse: vão falando, Ehassi levantou-se, despediu e foi-se embora.

Autor: Franklim de Manguião
O senhor Kassapra, 25 de Junho de 2021 – Maputo.

Lembra-te ou esqueceste-te

LEMBRA-TE OU ESQUECESTE-TE

Lembra-te da química que surgiu
Teus olhos ao virem o formato meu
Pela primeira vez naquele Xiquelene?
Ah! De mim lembro de forma solene

Esqueceste-te o que sentiu ali, ainda
Ouvindo minha voz dizer: Olá coisa linda
Meu tacto pousar na pele da sua mão?
Ah! Não esqueço do ferver do coração

Eu vi, sim eu vi o cintilar dos teus olhos
Deram retaguarda na praça da paixão
Corações cruzaram na praça do amor

Ah! Memórias alojam aquele dia de verão
É dali que começara nossa narrativa, então  
Não foi por acaso o encontro e não será.

Autor: Ce Cedilha
[O neo-romantismo e o meu tempo]
Maputo, 10 de Junho de 2021.
  

SEGUINDO EM FRENDE

SEGUINDO EM FRENTE

Vou seguindo em frente nesta jornada
Neste caminho que elegi trilhar eternamente
Tropeço em tantos estorvos há nesta
Caminho sem estorvos não leva em nenhum

Sinto-me estar só mas vou persistentemente
Pois há mãos que movem as minhas tíbias 
Só de tristezas estou por estar distante da família
Movem palitos da mente e causa transtornos

Não estou aqui por acaso mas de propósito
Pois tudo tem propósito nesta existência
Muitos precursores caminham tão sozinhos 
E meu muito kanimambo aos meus adjuntos.  

Autor: Franklim de Manguião
(Obrigado formador pela sabia aula de literatura)
Maputo, 17 de Setembro de 2021.

ESQUECEM ME SERVIR

ESQUECEM ME SERVIR

Esquecem me servir das canduras deles
Coisas da vida que hoje os proporcionou
Vejo-os irem e voltam a rastejar da barraca
Inconscientemente, esquecem os seus trilhos

Sem pudicícia, esquecem me servir
Beijos que se dão na rua a Luz do dia
Carnes que esbanjam a uma mordida
Moedas que desaguentam bolsos de pesos

Esquecem me servir as suas festas
Cervejas, as maças tapadas na meia-lua
Eu cá consinto, nada vejo e moro na inveja 
Mas rezado que meu dia abeire e não os servirei.

Autor: Franklim O de Madia
(Digam servidos pha in meus cadernos de poesias)
06 de Setembro de 2021

MU-LATA

MU-LATA

Lá no jardim do Marte vi uma Mu-Lata 
Não era catraia, não era adulta
Sua forma de assentar parecia atada
Desviei-me dos olhos dela lenta

Outro dia me atinei com outra Mu-Lata
De beleza ingénita, não estava lavada
Imobilizei, olhei-a de forma alentada
Mas me pareceu que estava fracturada

E outro dia, jornadeei com uma Mu-lata
Cara de dela não estava lavada
Odorífera, deslumbrante, tremeluz de dada
E indaguei: há anjos nesta terra redonda?

Autor: Ce Cedilha

[Lengalenga ] 08 De Agosto de 2021

SAUDADES ME SAUDAM

SAUDADES ME SAÚDAM

O tempo se vai aos passos de Aquiles e Caracol
O voar dos estacões não atinge o tic tac do relógio
Há molho de água que invade a parede do cérebro
Que mais, transformam-se em saudades pesadas
 
Ouço o sussurrar baixinho das saudades no além 
Vociferam a sino na véspera do Natal deslumbrante
E mais jogam coração e cachimónia sem piedade
Omito a idade a noite, olhos lacrimejam de saudade

Saudades sugam-me a cada dia nesta estadia
Já não ouço melodia do zambeziar da minha terra
Nem das Chiqueletas, dos Nandhe, dos Nhakungus
Ah mente! Saudades do meu subúrbio me saúdam.

Autor: Franklim de Manguião
[brevemente aí estarei]
08 De Agosto de 2021

COISAS DE HOJE EM DIA

COISAS DE HOJE EM DIA

“Mirendjes” já tagarelam contentemente
Já que saíram do ventre da Mangueira à Lua
Não falo tão pouco de Mirendjes exactamente 
Falo das sobrinhas que andam nua na rua crua

“Namantiques” desafiam a árvore de tão pesar
Não falo dos “namantiques” do verão sem idades
Falo das “deginhas” perdidas ao ir do sol lá no ar
Pernoitam nas barracas e dormitório sente saudades

“Sololos” querem conviver a vida do momento
Matizam lábios, esticam unhas e aplicam perucas
Saem com Madalas de bolsos, do amor lamento
Não falo de “Sololos”, falo de netas destas épocas

“Pintainhas” põem ovos antes da idade
Não falo de “pintainhas”, falo das filhinhas e ainda
Que perderam sonhos e da beleza só são confiante
Olvidam que tudo é passageiro e curta é a vida.

Poesia de Ce Cedilha
[Estão a fazer acontecer apocalipse]
Maputo, 06 de Julho de 2021

PENSAS QUE FOI TUDO, NEM?

PENSAS QUE FOI TUDO, NEM?

Pensas que foi tudo, nem?
Dizeres: já não dá mais amizade de corações
Amputares a fibra da rede da nossa conexão.
Só por ter dito: tudo bem e que vais em paz
E depois de pé em pé bazaste?

Fizeste-me desperdiçar maravilhas do inverno
Fiz de contagem que estávamos juntos
Mas vou dizer o quê aos meus lábios?
Que tu não estavas nem aí? Nem aí magoa
Afinal, calculava borboletas e tu sem aí?

Ouviste boca minha dizer Ok, sem “blema”
Fostes a vontade, pois, tua vontade se fez
Mas meu coração ficou na merda e lamenta
Agonizaste-o de lamentos sem piedade,
Então pensas que é tudo, nem?

Autor; Ce cedilha
Forças ao Mano Keyv In Poesias de amor no cativeiro
Maputo, 13 de Setembro de 2021

PRANTO NO CORAÇÃO

PRANTO NO CORAÇÃO

Jornadeei nas alturas do mar descalço
A meia-lua em direcção a Lua lentamente
Seguia nela os trechos largos perdidamente
Ilusão iludiu-me a mente de pasmo que calço

Uma ida infinita da Lua levar me deixei
Cronometrar o tempo e as estrelas me olvidei
Ausentou-se a sombra que me acobertava
O calor do Sol no interior de mim queimava

Olhei ao redor desta jornada em desamor
Vozes inexistentes de gargalhadas cantavam
Que “coração é criança no âmago dentro de nós”
Retorci ao tempo mas já era fim da jornada.

Autor: Ce Cedilha
(Nossos desejos infinitos)
Maputo 18 de Agosto de 20 21

MAWOWÓ NA MUSSUZI WA MIKATXE

MAWOWÓ NA MUSSUZI WA MIKATXE

Numa velocidade inimaginável e incalculável vai-se o tempo. Incalculável é, que a ponto de Einstein, Newton ou Galileu, ou seja, um deles se estivesse no mundo dos vivos não sei se obteria o resultado desta aceleração associado ao tempo e espaço. Momentos se vão, a gente agiganta, neste engrandecimento olvidámos as coisas boas e ruins da infância. Entretanto, lembremo-nos que uma vida sem histórias da infância para ser rememorada e contada não é vida, pois, é recheado de lacunas.

Hoje rabisco este texto com dois propósitos: de rememorar um episódio da minha infância. Agigantei num ambiente abarcado de vários vizinhos e culturas diversas. Foi neste agigantecimento que aprendemos (eu e meus munnas) com nossos amigos-vizinhos que quando se faz “Xima” aquela parte do fundo da panela é tão saborosa que a própria “Xima”. Era somente pegar na panela, naquela parte um pouco queimada colocar um pouco de molho e esperar minutos se transformar ténue para depois pegar na colher e dar uma raspada para depois encher a boca enquanto sentia o paladar do “Mawowó”.

Ao ver aquilo, nós tencionámos colocar em prática, alias, aprende-se colocando em prática um determinado aprendizado e não basta somente ver. Ao fazê-lo vimos que era tão bom que se indo mais tempo aquilo se transformou em nosso habito. Esperávamos a mamã cozinhar, já ao amassar a “Xima”, entre nós, um gritava: Panela é minha; Panela é minha. Ora, antes de ontem era sua, ontem dele e hoje sem falta é minha. Woo…wooo… Na verdade, ficávamos ali a debater sobre o assunto de “Mawowó” até chegarmos à anuência, já esquecíamos as idades que a gente tinha e se caso não, a nossa mãe pegava-a botava cheio de água de modo que todos nós perdêssemos. 

Acontece que num pelo dia, ao intervalo no serviço do nosso pai sentia-se o desejo de passar uma refeição de almoço com a sua família. Ele saiu da CFM com sua Bicicleta e pôs-se a pedalar, passando no Mercado Aquima desviou um pouco a rotina, entrou lá dentro, comprou Mukatxes, alguns Tomates, acrescentou um Limão, Caldo e Coco, minutos depois voltou a rotina, e quase meia hora já estava a chegar em casa.

Depois de algumas horas a mamã já havia adubado a refeição, toda ela estava tão odorífera, apetitosa e melíflua e mais melíflua até a ponto de quase a gente olvidar aquela parte interior da panela, mas não. Nos primeiros momentos depois da refeição parecia que entre nós ninguém se rememorava ou tinha interesse da panela, isso justifica-se por que todos já estávamos saciados mas depois de mais tempo principiamos achar. Ela (a mamã) como bem compreende os paladares de seus filhos colocou lá dentro da panela um pouquinho de “mussuzi wa Mukatxe” para que aquela parte bem tourada pudesse ficar tão ténue, aromático e irresistível. Todos pegamos na panela, enquanto um gritava: hoje é minha vez de “Mawowó”, eu e outro gritávamos: hoje não vai raspar sozinho. Ele dizia: se for assim vamos lavar juntos a Panela, nós respondíamos: mesmo e ele continuava: mas isso é batota, enquanto as colheres brigavam dentro daquele objecto de circunferência.

Depois de tudo, nós os dois não cumprimos com a promessa de o ajudar a lavar as louças mas o ajudar a dar raspadinhas do interior da Panela. Como era de hábito de gostar comer mas não gostar de lavar louças, ele por se sentir injuriado e desalentado foi queixar a mamã e como solução disse: a partir de hoje para afrente só é dono de Mawowó aquele que lava louça naquele dia, independentemente do que vai se consumir no dia e assim se sucedeu.
Rabisco essa história como memória daquilo que rememorei ao ver crianças, um atrás do outro se dando corrida por causa da parte tourada da Panela para raspar e esse é o outro propósito. 

Autor: Franklim de Manguião
[Mawowó na mussuzi wa mikatxe in Crónicas do amanhecer e por do sol] 24 de setembro de 2021

ONHONGA ELOWAYE

ONHONGA ELOBWAYE

O tempo passa tão veloz ao ponteiro da Tartaruga. A gratuidade absoluta solta ar seco e frio que condensa os corpos. Já é noite, noite é noite. As vezes o agasalho tem sido insuficiente para afugentar o frio. É notório que num come onde há dois corpos com sinais de mais e menos os cobertores são complementares porque o calor deve passar de molécula a molécula. O terceiro canto do Galo, gentes alvorecem grudados por uma cola indiana e somente se desgrudam porque há afazeres.

Noite é noite. As noites de inverno têm sido assim constante a maioria de gentes mas infelizmente tem sido um pesadelo para Dona Offi. Quando chega tempo de dormitório, a Dona Offi e Dono Oni chegam ao leito a uma crise. Os sinais diferentes de Imanes não se traem, é normal? Talvez em um dia ou dois dias mas constante não. E então, a dona Offi e dono Oni embrulham-se nos cobertores mas o calor dos mesmos é insuficiente, aproximam-se mas nada, beijam-se mas nada, procura forma de estimular o filho do meio mas nada – agora ya! “Ethabwa”. Mas como, “Elobó enhongueia”, mas não, talvez frio está de mais e vamos tentar amanhã – assim pensaram, adormeceram fechando os olhos e não as mentes.

É noite, mais outra noite. Erros e falhas são humanos quando acontecem uma vez mas constantemente, já não são. Dona Offi, aturar a cada dia de frio que a gratuidade absoluta faz, já não aguenta, saudades de sentir estão pesadas, elas pesam que pesam mais que “emi-pesa”. Lança berros de socorros: toda culpa é tua Oni. Ela já é a meritíssima juíza suprema, já sentenciou o caso. O réu fica sem palavras e não compreende nada de direitos e cala-se.

Como multa, a meritíssima mendiga passar uma das noites de inverso fora da casa. O réu é rebeldíssimo, rejeita a sentença, na verdade é doloroso cumprir uma sentença sem cometer crime. O réu troca as palavras e diz: a culpa é sua. Ela: mas como? Afinal, ela esqueceu-se que uma vez brigadas, a dona Offi pegara algumas linhas de roupas íntimas do Dono Oni para na casa de “Nhanga” para o tratar de modo ele a não se casar e nem se envolver em relacionamentos. Hoje quer que a coisa funcione. Epha! Feitiço virou contra a feiticeira como dizem – afinal, “omala onhonga elobwaye”.

Autor: Franklim de Manguião
[ Onhonga elobwaye in Crónicas do amanhecer e por do sol]

1 DE JUNHO

1 DE JUNHO

Hoje decidi voltar ao tempo. Daquele tempo que já se foi a anos, este que me foi abrangido um dia mas teve que passar porque é seu ciclo e eu tive que ir além como forma de obedecer a lei da natureza. Eu morei num tempo que foi depois dos meus bisavôs, tempo das grandes produções daquelas terras que me viram nascer, onde a terra dava frutos, tempo das folhas verdes, tempo daqueles que cresceram comigo. Este tempo vai além das cheias do ano dois mil, tempo das ofertas. Eu sou do tempo em que um metical tinha três zeros. Tempo em que com cinquenta centavos pagávamos uma lata de leite de amendoim para manducar.

Eu venho do tempo em que estudos eram estudos, os alunos tinham terror dos professores na sala de aula. Sou do tempo e lugar em que nosso Lanche da escola saía de casa, tais como: “Mathui”, “Mihali”, “Txako”, “Bambahiya”, “Mapiyara” e mais, enquanto as raparigas colocavam no colo à escola, nós escondíamos numa mata que se localiza perto da escola. 

Eu estudei na escola onde vós estudais mas que outrora era coberto de capim, blocos puros de areia, tudo era material precária e até nossa vedação era feita de capim de elefante. 
Morei e estudei no tempo em que 1 de Junho era 1 de Junho. Eu sou do tempo em que dia como hoje, na nossa escola se pernoitava a galhofar e bailar “Macuaela”, “Pumpu”, Cassete.

Venho do tempo em que todo mundo fazia de tudo para passar almoço na escola. Comíamos que comíamos até que nossos sacos ficavam sem espaço para colocar mais mantimento. Eu sou do tempo em que na nossa comunidade era difícil encontrar refrigerante e cervejas. Ingeríamos somente sumo de “Jus” enquanto os mais velhos bebiam “Katxasso”.

Eu venho da terra em que dia como hoje matava-se “Mwaku”, os nossos feijões eram acompanhados por “Essima” e arroz tourado, a gente esquecia “Katxopwe”, “Pwinho”, “Ntikwa” e tudo era-nos diferente porque crianças ganhavam a liberdade. Mas o tempo passa mesmo e nós também enfrentamos.

Autor: CAPURRA

Minhas felicitações para toda crianças em especial aqueles que me conhecem.
01 de Junho de 2021 Maputo.  

PORFAVOR, VENHA LEVAR TUDO

POR FAVOR, VENHA LEVAR TUDO

Por favor, venha levar tudo
Desde a sua existência, sua essência
Seus sorrisos jamais visto, seus doces beijos
Suas vestes de moda, suas fotografias

Seus gestos de mim perdidos, seu aroma
Seus carinhos de mim habituados, sua voz
Seu andar de barco a vela, seus movimentos
Seus presentes, meus presentes e instantes  

Seus abraços aconchegantes, teu chamar
Seus números, sms’s, chamadas e mais
Seu tudo de mim, etc etc, sim eu disse etc 
Pois não aguentarei viver de suas lembranças.

Autor: Ce Cedilhas
Há que aceitas percas in Poesias de amor no cativeiro
13 de Setembro de 2021.

O QUE SOBROU DE TI

O QUE SOBROU DE TI

Ah querida, porquê de tão cedo sua ida
Da tua partida, meu coração pequenina
Na rua da lembrança, os olhos te olham
A boca de te beijar um dia guarda esperança

Ah querida, não se trata do teu nome
Nem do seu formato que achar não consigo
Mas do teu beijo, aroma, teus passos e teu roncar
Que ao reviver perturbam a minha mente

Sabe? Desejo-me retroceder de sermos Libelinhas
Juntos no cume, ver o claro ficar escuro e vice-versa
Sentir seu toque de bálsamo naquela ida de desdém 
Ah! De te sobraram-me as coisas que não se vão.

Autor: Ce Cedilha.
[O neo-romantismo e o meu tempo]
Maputo, 05 de Junho de 2021.